Royale With Cheese

 Royale With Cheese

 
 



quarta-feira, agosto 27, 2008  

POR FAVOR REBOBINE:

Título: Be Kind Rewind
Realizador: Michael Gondry
Ano: 2008


Se o planeta fosse um local justo e governado por gente perspicaz, o mundo do cinema sofreria mudanças profundas a partir de hoje mesmo. Primeiro, Por Favor Rebobine passaria a ter visionamento obrigatório nas escolas de cinema, logo a seguir aos filmes do Mèliés; e segundo, ficaria previsto na lei que seria permitido esfregar Por Favor Rebobine na cara de qualquer idiota que dissesse: a) não é possível fazer cinema sem dinheiro, ou b) uma boa ideia não é suficiente para um bom filme.

Por Favor Rebobine, o novo filme do super-imaginativo Michael Gondry e apenas o segundo desde que cessou a colaboração com o argmentista Charlie Kaufman (vénia), é uma verdadeira ode ao cinema. Nele, Danny Glover faz de Elroy Fletcher, que tal como nos últimos Armas Mortíferas, é já um velho com problemas de meia-idade e um homem de outros tempos. É ele o dono de um clube de vídeo bem catsiço, ainda fiél ao velhinho VHS, numa cidadezinha perdida cheia de personalidade, trespassada por uma certa magia no ar, como aquela que havia no prédio de O Milgare Da Rua 8. E tal como este, também aqui a ameça imobiliária é urgente e próxima.

O futuro daquele clube de vídeo e da sua vizinhança cheia de personalidade, que no conjunto formam o último bastião romântico, vai passar pela mente de dois inadaptados: Jerry, um Jack Black cada vez mais a dominar o under-acting, a fazer de um paranóico das conspirações que não deve muito à inteligência; e Mike, um Mos Def genalíssimo, que compensa a falta de esperteza com um coração enorme. Com a ajuda de Alma (Melonie Diaz), vão começar a refazer clássicos da sétima arte em apenas 20 minutos, sem orçamento e apenas com 3 actores - são os chamados filmes suecados e tornam-se um sucesso gigantesco.

Por Favor Rebobine tem aquela magia e o amor pelo cinema que tem Cinema Paraíso; e tem toda aquela maneira de filmar bem pilantra da super-série de culto, Paraíso Filmes, só que ainda mais imaginativa e surreal, ou não fosse Gondry o realizador. E se já ríamos para cacete ao ver a versão do Tubarão com uma Sardinha(!), realizada pelo único Túlio Gonzaga, então ver Jack Black e Mos Def a fazerem o Caça-Fantasmas com enfeites da árvore de Natal, sacos de plástico, cartão e efeitos sonoros feitos com a boca é verdadeiramente hilariante.

Mas mais do que uma comédia, Por Favor Rebobine é um feelgood-movie, com uma costela spielberguiana, que sempre nos fez acreditar em milagres, extraterrestres bondosos e finais felizes. Infelizmente, a imaginação fértil de Michael Gondry para refazer clássicos do cinema não é proporcional à sua capacidade para dar dimensão às suas próprias personagens, principalmente as secundárias, e, por isso, Por Favor Rebobine acaba por coxear um pouco, faltando-lhe sobretudo mais sub-enredo romântico.

Se não está virado para filmes lamechas onde tudo é pereito e onde o amor e a amizade escorre pelas paredes, então veja só as versões dos filmes suecados no youtube. Se estiver disposto a um filmes certinhos para sorrir e dar abraços, então irá adorar este O Milgare Da Rua 8 goes Cinema Paraíso, versão final Le Big Mac.

Posted by: dermot @ 12:40 da manhã
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domingo, agosto 24, 2008  

MR E MRS. SMITH:

Título: Mr. & Mrs. Smith
Realizador: Doug Liman
Ano: 2005


Existem filmes que, por capricho do destino, acabam por ganhar renovado interesse. Mr. E Mrs. Smith é um desses filmes: aquilo que se adivinhava como mais um simples filme pipoca de acção, acabou por ganhar outra dimensão quando foram contratados para protagonistas o casal Brad Pitt e Angelina Jolie. De repente, não eram só duas das pessoas mais sexys do Mundo que iam contracenar juntas, como era o próprio super-casal das revistas cor-de-rosa, recém formado para delícia de todos aqueles que se fascinam com o star system de Hollywood.

Brad Pitt e Angelina Jolie estão então casados na vida real e em Mr. E Mrs. Smith: ambos são espiões de agências rivais, que vivem sob a máscara de um respeitoso casal a viver a sua vida pacata nos subúrbios. Contudo, nenhum sabe da vida dupla do outro. Até que, por casualidade do argumento, vão receber a mesma missão: eliminarem-se um ao outro. O disfarce de ambos vai cair simultaneamente e, enquanto se tentam matar mutuamente, o senhor e a senhora Smith vão acabar por resolver os seus problemas matrimoniais.

A sinopse não deixa enaganar: eis a fusão a frio entre A Verdade Da Mentira e A Guerra Das Rosas. Do primeiro importa o filme de acção, com os gadgets engenhosos à James Bond, a vida dupla, os jogos de espiões à Missão Impossível e muita pirotecnia, digna de qualquer blockbuster de acção dos dias de hoje; do segundo repesca o drama matrimonial, os problemas do casamento, os conflitos entre cônjugues e as batalhas domésticas. Contudo, enquanto que A Guerra Das Rosas era um dama com pitadas de comédia negra, Mr. E Mrs. Smith é um filme descomprometido, onde o principal objectivo é o entretenimento.

Entreter: eis a palavra-chave de Mr. E Mrs. Smith, um filme sem grande ambição para além de divertir e manter o cérebro a descansar, bem desligadinho. E, neste campo, consegue passar com distinção: as cenas de acção são bem esgalhadas, com perseguições a alta velocidade, uma boa fartura de tiroteios, um bodycount elevado e muitas explosões. Por isso, não se compreende porquê é que Doug Liman se preocupou tanto em ter um argumento. É que de repente começa a haver informação escondida, personagens secundárias que nunca chegam a aparecer e outras coisas que não interessam ao menino Jesus, quando o que queríamos realmente ver eram aqueles momentos em que o casal Smith persegue-se num jogo do gato e rato sob os olhares incrédulos dos vizinhos, ou quando transborda cá para fora aquela tensão sexual que eles partilham no quarto e que todos nós imaginamos depravadamente no íntimo.

Com um bocadinho mais de diversão, Mr. E Mrs. Smith seria mesmo do cacete. Isso e se não fosse aquela mania actual de fazer os blockbuster acessíveis para a toda a família, cortando todas as cenas que tenham sangue ou pele. Mas existe alguma coisa que chame mais público ao cinema do que a pele da Angelina Jolie? Mr. E Mrs. Smith é, portanto, um McBacon que vale pelo entretenimento e pelo fetiche de ver Jolie a brincar com armas, do que propriamente pelo filme em si.

Posted by: dermot @ 10:09 da tarde
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UM BELO PAR... DE PATINS:

Título: Forgetting Sarah Marshall
Realizador: Nicholas Stoller
Ano: 2008


Em apenas 3 anos, Judd Apatow conseguiu um novo estilo de cinema: o chick flick para gajos. Este é uma espécie de comédias românticas para homens, onde as personagens centrais são tipos mal parecidos/geeks/nerds que conseguem sempre sacar a gaja boa do filme graças à sua personalidade encantadora. Além disso, têm depois um humor inteligente que não deixa de ser escatológico e muito folclore masculino, dos carros à ficção-científica. São filmes de gajos feitos para gajos sobre o amor. E o sucesso de Apatow tem sido tal que este Um Belo Par... De Patis (vou abster-me de comentar a tradução do título) foi publicitado como from the guys who brought you The 40 Year Old Virgin.

Infelizmente, desde Virgem Aos 40 Anos que os filmes de Apatow têm vindo a decrescer de qualidade. Um Azar Do Caraças era igualmente giro, mas Super Baldas já começava a ser lamechas a mais, salvo algumas cenas brutais (como a da obsessão em desenhar pilas). Um Belo Par... De Patins já começa a roçar a insignificância e, mais um filme assim, e deixo de dar chances ao tipo. O problema é que os filmes são entregues a simpes tarefeiros, que repisam a fórmula vezes sem conta, até a repetição começar a ser uma coisa má e aborrecida.

Um Belo Par... Patins é a história de Peter Bretter (genial Jason Segel, que segue na mesma onda de Jonah Hill ou Seth Rogen), um compositor de bandas-sonoras, que namora com a super-famosa Sarah Marshall (Kristen Bell), a estrela de uma série policial com o William Baldwin com as catch-lines mais geniais de sempre, que fazem o CSI parecer ainda mais ridículo do que já é. Quando esta lhe coloca os patins (excelente trocadilho com o título), trocando-o pela estrea rock Aldous Snow (genial Russell Brand, a meio termo entre o hilariante e o irritante), Peter entra em depressão. A solução são umas férias no Havai, onde se vai cruzar com a ex e o seu novo namorado e arranjar um novo engate, Mila Kunis, desenhando um bonito quadrado romântico.

Comédia romântica do ponto de vista masculino, com as devidas traições, questões de fidelidade, existencialismos femininos que custamos a entender e, claro, sexo. Tudo tão maçudo e on the record, que falta espaço para o desenvolvimento das personagens secundárias que são sempre castiças e hilariantes (aqui há relances de Jonah Hill como um fã super-dedicado, ou Jack McBrayer como um recém-casado beato com problemas sexuais), os gags de rir e chorar por mais, ou, simplesmente, as referências ao universo masculino onde nos sentimos tão bem e pensamos aquele poderia ser eu.

É certo que Um Belo Par... De Patins é bem mais inteligente que as comédias românticas que invadem a TVI semanalmente, mas... não deixa de ser uma comédia romântica. E, se não fossem tantas actrizes giras (olá Mila *suspiro* Kunis), alguns momentos inspirados e um musical do Drácula com fantoches(!) super-genial, Um Belo Par... De Patins seria apenas mais uma perda de tempo. E logo com um título idiota, como que a dizer-nos eu bem te avisei. Assim, é apenas um Double Cheeseburger.

Posted by: dermot @ 4:31 da tarde
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sexta-feira, agosto 22, 2008  

RATATUI:

Título: Ratatouille
Realizador: Brad Bird
Ano: 2007


Dantes, a culinária era uma coisa de homem. Os cozinheiros eram machos de barba rija, com nomes viris como Chefe Silva, em programas como Na Roça Com Os Tachos. Era uma arte tão masculina, que as mulheres nem estavam permitidas a entrar na cozinha. Isto na culinária a sério, claro. E depois quando apareciam tipos a fazerem de cozinheiros, como o Goucha, obviamente que não eram levados a sério. Mas isto era dantes, porque agora a culinária começou a ser invadida por homens afeminados, com nomes duvidosos como Jamie Oliver. E até se deu um nome a isto: gastrossexuais, que depois usam a desculpa que é para atrair mulheres, como se alguém acreditasse. E para legitimar este fenómeno e mostrar aos miúdos que sim senhor, não há mal nenhum em ser um cozinheiro sensível e que se preocupa com a aparência, realizou-se Ratatui.

Introduções disparatadas à parte, Ratatui é o filme da Pixar que aproveita a vaga despoletada por Jamie Oliver para colocar a culinária no prato dia, desmontando uma série de clichês do género, começando logo pela ideia de que tudo o que é chef é francês, tudo o que é francês é rude e tudo o que é rude tem hábitos estranhos ao norte-americano vulgar.

Ratatui passa-se então em França e, como todos os filmes norte-americanos passados em França, é falado em inglês com um sotaque carregado à franciú, enquanto comem pernas de rã, croissants e outros esteriótipos do género. Seguindo também a tradição antropomorfa da Disney, Remy (voz de Patton Oswalt) é um rato que ganha dimensão humana, por não ser como os seus semelhantes: tem um olfacto apurado e um paladar exigente, cansa-se de comer e roubar comida como todos os ratos e deseja criar e dar o seu contributo ao Mundo. Por isso, identifica-se muito mais com os homens do que com os roedores.

Remy vai então aliar-se a um aspirante a cozinheiro trapalhão, Linguini (Lou Romano), e juntos vão ascender aos píncaros da culinária francesa, avaliada pelo genial crítico de comida, Anton Ego, vocalizado por Peter O'Toole e com um visual assustadoramente parecido ao dos monstros famosos de Boris Karloff e Bela Lugosi. Obviamente que depois ha um subplot e uma história romântica a suportar tudo isto, sendo esta muleta bem frágil e o elo mais fraco do filme. Mas estamos a ver um desneho-animado e é isto que se espera de um desenho-animado.

Ratatui é mais um feelgood movie, do que uma comédia e, por isso, são quase raros os gags assumidos. Serve-se antes de um humor inteligente e subtil, sempre mais próximo do público graúdo, aproximando-se depois do miúdo com um visual colorido e sempre em movimento, tecnicamente perfeito e texturizado de uma maneira que quase conseguimos sentir o sabor dos pratos confeccionados. E, cada vez mais, a Pixar está a fazer cinema de animação, tirando partido da câmara e de ferramentas como o enquadramento, a montagem, ou a montagem, indo além da realização banal e académica.

Ratatui não é tão de tirar o fôlego como Os Incríveis, nem tão filme como WALL-E, mas não deixa de atingir uma bitola bem alta, como é apanágio da Pixar. E nunca um Le Big Mac fez tanto sentido a ser atribuído a um filme.

Posted by: dermot @ 9:56 da tarde
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terça-feira, agosto 19, 2008  

WALL-E:

Título: WALL-E
Realizador: Andrew Stanton
Ano: 2008


É sabido que a Pixar é a nova Disney e, por isso, cada nova estreia é antecida (e precedida) de grande entusiasmo. É o resultado de uma dezena de desenhos-animados brutais, que têm aumentando o nível de filme para filme e roçado a perfeição em ocasiões como Os Incríveis. E agora, eis WALL-E, fenómeno das bilheteiras, da imprensa, dos blogues e, especialmente, do IMDB. Desde que começou 2008 só houve maior hype com O Cavaleiro Das Trevas. E porque morreu Heath Ledger.

WALL-E é a estória tocante de um pequeno robot com o mesmo nome e inspirado no icónico Johnny 5, de Curto-Circuito. WALL-E é um robot de limpeza, programado para recolher detritos e transforma-lo em cubos compactados, numa Terra desabitada e coberta de lixo. WALL-E manteve-se activado enquanto tudo o resto pereceu, continuando as suas funções e desenvolvendo uma espécie de humanismo, à medida que vai coleccionando pequenos objectos insignificantes, que junta num contentor-santuário a que chama casa e que compartilha com o sidekick menos irritante de sempre da história da animação, uma barata.

WALL-E move-se então por um cenário pós-apocalíptico e deserto, que tira partido das grandes panorâmicas, como se Sergio Leone andasse a filmar Eu Sou A Lenda. E tudo isto sem uma única fala ou diálogo, apenas sons computurizados, à medida que o robot se vai tornando num ser humano, descobrindo o mundo como uma criança e experimentando aquilo a que chamamos sentimentos e que nos dão expressão humana. WALL-E é como Inteligência Artifical ou mesmo o mito do Pinóquio: um boneco que quer ser como os homens.

A primeira parte de WALL-E é simplesmente perfeita, desde à qualidade técnica do filme, passando pelos pequenos pormenores, até à banda-sonora, tudo é sublime e feito com uma precisão milimétrica. Depois é inserido no argumento um robot-feminino, EVE, e pronto, já se está a ver o que vem daí: uma aventura romântica tocante e sensível, com a crítica social como pano de fundo, alertando-nos para uma vida consumista, sedentária e impessoal.

WALL-E é um filme arriscado; um desenho-animado sem diálogos durante a primeira hora de filme e muita filosofia existencialista, com as respectivas mensagens morais e críticas subversivas. WALL-E é como o Senhor Hulot, em Playtime - Vida Moderna, uma figura de tempos idos, com muita personalidade, que quando inserido no admirável mundo novo, hermético e asséptico, vai ser visto como um intruso e contaminar aquele ambiente controlado, trazendo o caos. E do caos nasce o equilíbrio. E o equilíbrio é amor. E os silogismos dão para quase tudo, desde que tenhamos imaginação.

Há ainda referência a 2001: Odisseia No Espaço, com um computador-mãe vocalizado por uma mãe bem famosa, Sigourney Weaver, e essa remininscência não é inocente. São muitas as semelhanças entre os dois filmes, pela abordagem que fazem à condição humana, ao livre-arbítrio e, especialmente, aquilo que o cinema nos tenta dizer desde o início: nunca na puta da vossa vida tentem fazer um robot com inteligência própria!

WALL-E é, sem sombra de dúvidas, um Royale With Cheese, complementado com uma theme songo do Peter Gabriel bem adequada, uns genéricos finais geniais e uma curta de início bem engraçada, onde a PIXAR goes Disney vintage. Mas atenção, porque este é um daqueles Royale With Cheese, estão a ver a entoação diferente?

Posted by: dermot @ 12:10 da manhã
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segunda-feira, agosto 18, 2008  

O CABO DO MEDO:

Título: Cape Fear
Realizador: Martin Scorsese
Ano: 1991


Uma das formas de comprovar a genialidade de Martin Scorsese (se é que ainda existem dúvidas...) é analisando a sua filmografia. Ao longo de três décadas de trabalho, Scorsese não só foi capaz de criar as suas próprias obras-primas nos mais variados géneros, como ainda realizou alguns dos trabalhos musicais mais inesquecíveis do cinema (olá Shine A Light), criou a sua própria sequela de um clássico do passado (olá A Cor Do Dinheiro) e, claro, experimentou com sucesso a arte de refazer filmes (obviamente, olá O Cabo Do Medo).

Mas O Cabo Do Medo não é só um remake do clássico A Barreira Do Medo; Scorsese dá-lhe vida e torna-o quase num filme novo. Não é por acaso que muitos dos entendidos na matéria consideram-nos dois trabalhos praticamente distintos. Sem querer ir por aí, devo no entanto frisar que o que distingue este do primeiro é o tratamento que é dado às personagens, trasnformando O Cabo Do Medo muito mais num film noir do que A Barreira Do Medo. Mas já lá vamos.

Sam Bowden (Nick Nolte) é um advogado de sucesso, com uma família aparentemente feliz. Tudo corre bem, salvo pontuais casos de infedilidade e alguma rebeldia juvenil da filha (Juliette Lewis), até que surge em cena Max Cady (Robert De Niro), um ex-presidiário, predador sexual, assassino e agressor violento, que vai perseguir e afectar psicologicamente o advogado que, segundo a sua ideia, não o defendeu suficientemente bem em tribunal.

O Cabo Do Medo é um thriller psicológico pertubador, com laivos de acção e intuitos comerciais. Contudo, vai muito mais fundo do que aparenta ser à superfície. Enquanto que A Barreira Do Medo é o clássico caso de perseguição e vingança entre uma balança
bem equilibrada de o Bem e o Mal, aqui o peso e a medida são bem diferentes. Enquanto que Max Cady continua a ser a personificação do Mal, a família já não é assim tão cândida e pura como se adivinhava. Talvez seja sinal dos tempos, mas naquela casa todos têm pecados antigos, sejam os casos extra-conjugais de Nick Nolte, quer seja a erva com que Juliette Lewis foi apanhada. E esta coisa de todos terem uma mancha no passado é uma característica bem típica do film noir.

As personagens são, por isso, tridimensionais e vão ganhando cada vez mais espessura à medida que o filme avança, com características bem próprias que denunciam o seu comportamento. Até as secundárias, como o detective Joe Don Baker, contribuem para os jogos psicológicos, que tornam muito mais o filme denso e asfixiante do que as próprias cenas de acção. Claro que nada disto metia medo se não houvesse Robert De Niro, na pele de um dos vilões mais temíveis dos anos 90. Primo afastado de Hannibal Lecter, Max Cady tem estilo (muitas tatuagens e uma sabedoria literária sempre na ponta da língua), um olhar gélido e vazio e um á-vontade para o sadismo e a crueldade que faz o Joker de Heath Ledger ter pesadelos à noite.

Menção ainda para a então quase estreante Juliette Lewis, a cristalizar tudo aquilo que lhe deu sucesso: um ar angelical, mas ao mesmo tempo depravado, com tanto de Lolita como de trashy-slut. Memorável a cena em que, ao ser tocada por Max Cady, chupa-lhe o dedo deliciada em vez de o afastar. Ah, é verdade, obviamente que também todas as vénias do mundo são necessárias para Robert Mitchum e Gregory Peck, estrelas do filme original e que aqui roubam as suas cenas.

Para terminar, um parágrafo apenas dedicado ao trabalho de Scorsese. Recriando o estilo de Hitchcock, de quem é admirador confesso (vejam Key To Reserva, se duvidam), Scorsese não só convida Saul Bass para o ajudar, como repesca a banda-original de Bernard Herrmann, filmando como o mestre com grandes planos sempre que ataca uma cena de suspense mais dramática, ou sugerindo com sombras e silhuetas as partes mais misteriosas.

O Cabo Do Medo é raramente recordado quando se fala de Martin Scorsese, principalmente porque o sucesso comercial mascarou o seu real valor cinematográfico. Contudo, é um filme com uma boa tendência para saber envelhecer. No mínimo, será recordado como o filme mais negro do realizador. Para mim, é mesmo um dos seus Royale With Cheese.

Posted by: dermot @ 7:10 da tarde
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domingo, agosto 17, 2008  

DOOMSDAY - JUÍZO FINAL:

Título: Doomsday
Realizador: Neil Marshall
Ano: 2008


Cenários pós-apocalípticos, civilizações futuristas e anarquia pós-moderna sempre foram os principais temas do melhor cinema trash dos anos 80. São eles os tijolos e a argamassa daquelas duas instituições que é a triologia Mad Max e as sequelas Nova Iorque 1997 e Fuga De Los Angeles, verdadeiras obras-primas que educaram a nossa infância cinematográfica e fizeram escola em todo o cinema série-b posterior. E desde que Tarantino tornou o xunga na nova moda, que o tema voltou à baila, primeiro com o magistral Planeta Terror e agora com o não menos genial Doomsday - Juízo Final.

Doomsday - Juízo Final é uma homenagem sentida ao melhor destes filmes, fundindo-os num só e fazendo o devido upgrade ao século XXI. O argumento é um rip-off descarado de Nova Iorque 1997: há um vírus mortífero que se propaga por toda a Escócia a um ritmo louco, que leva o governo britânico a construir um muro gigantesco à volta do país. Ninguém sai, mas também ninguém entra. E em poucos anos, a Escócia é riscada do mapa. Até que, por um motivo qualquer, alguém tem que lá voltar para recuperar uns dados alegadamente fundamentais para o futuro da humanidade. E como Snake Plissken não está disponível, chama o equivalente escocês: a major Eden Sinclair (Rhona Mitra, revelação action-hero feminina, a quem podiam ter dados algumas oneliners para a posterioridade), uma tipa rija como o aço, com um olho biónico, pala no olho e dedo leve no gatilho.

Não há nada que saber em Doomsday - Juízo Final: um survivor urbano pós-apocalíptico e entretenimento garantido durante quase duas horas, com acção non-stop, tiroteios sempre que possível, perseguições, explosões, gore e, claro, muita violência sensacionalista. Mais uma vez, só fica a faltar mesmo alguna nudez gratuita, limitada a um par de mamilos que por lá aparecem. Ao argumento de Nova Iorque 1997, Neil Marshall acrescentou o cenário pós-punk de Mad Max II: O Guerreiro Da Estrada e até a cena nerd medieval, que em tempos idos era exclusividade de Exército Das Trevas, mas agora sofreu um revival com a triologia O Senhor Dos Anéis.

Repetindo: temos John Carpenter e o seu Snake Plissken; temos Mad Max, especialmente os dois últimos tomos; temos O Senhor Dos Anéis e fantasia medieval; e temos vírus, epidemias, zombies e 28 Dias Depois. Tudo isto misturado na mesma panela num refogado de xungaria de segunda categoria, onde a linearidade do argumento não tem que fazer propriamente muito sentido. É antes mais importante que todos os carros expludam sempre que capotem, que os corpos se desfaçam em pedaços sempre que sejam alvejados, ou que não hajam tempos mortos para respirar. Aliás, este é mesmo trunfo de Doomsday - Juízo Final, o facto de não dar tempo ao espectador para recuperar o fôlego e pensar na estupidez que está a ver.

Há ainda espectáculos de rock'n'roll, luta de gladiadores, cenários pintados à mão, carros artilhados e o nosso-senhor-da-destruição, Malcolm McDowell. Infelizmente, o update ao século XXI não englobou mais gadgets na artilharia dos heróis, melhorando apenas o gore e o aparato da pirotecnia. De início, o filme até parece que vai ter alguma inteligência, com um herói colectivo a despoletar alguma tensão e um suposto sub-enredo político, com trama conspiratória, que deveria ser o que trazia a tal crítica política que este tipo de filmes tem sempre de forma subversiva. Muito subversiva. ;as rapidamente Neil Marshall atira o argumento às urtigas, porque certamente isso daria muito trabalho. Assim, o herói colectivo é reduzido ao essencial, não há qualquer tensão entre personagens nem tão pouco o habitual subplot romântico e a mensagem final acaba por nunca ser muito clara.

Infelizmente, o último quarto de hora de Doomsday - Juízo Final é um anúncio à Bentley de longa-duração, que serviu apenas para patrocinar o filme. E, ainda por cima, mal feito. Contudo, como já não acrescenta nada à história podemos desligar logo o DVD e não nos chatearmos com tamanha estupidez. Doomsday - Juízo Final é uma xungaria à bruta, que não receberá nenhum Oscar, mas valerá à vontade um Le Big Mac.

Posted by: dermot @ 4:24 da tarde
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sexta-feira, agosto 15, 2008  

SAVE THE GREEN PLANET!:

Título: Jigureul Jikyeora!
Realizador: Joon-Hwan Jang
Ano: 2003


Toda a gente sabe, que os chineses são aqueles que fazem os filmes mais estranhos de todos, ou não tivessem sido eles os inventores daquela máquina infernal chamada karaoke (e aqui, quando se lê chineses, deve-se entender todos os orientais no geral). Por isso, às vezes o mais complicado é mesmo lembrar-nos como é que certos filmes vieram para à nossa casa. Foi o que me aconteceu, depois de ter dado por mim a olhar feito parvo para a capa de Save The Green Planet!

Depois de espreitar na net, lembrei-me que este foi um daqueles filmes que chegou a reboque de Oldboy - Velho Amigo e de todo o hype sul-coreano que o filme despoletou. Save The Green Planet! é um pequeno filme independente da Coreia do Sul, cujo baixo orçamento não o impede de ter melhor aspecto que todos os filmes de alto orçamento nacionais juntos eque espantou o mundo em 2003, ganhando prémios por tudo o que era festival fantástico e que fascinou o universo dos nerds da ficção-científica.

Save The Green Planet! é a estória de Lee Byeong-gu (Ha-kyun Shin), um looser solitário, viciado em anfetaminas, obcecado pelo Somewhere Over The Rainbow e crente ferrenho de teroias da conspiração que, juntamente com a namorada passiva, artista circense e amante de barbies, vai raptar um empresário milionário, Kang Man-shik (Yun-shik Baek), que acredita piamente ser o enviado de uma raça extraterrestre que nos pretende controlar dentro de dias, para o torturar até este confessar.

O filme é estranho e uma salganhada de estilos: uma teoria da conspiração sci-fi com o nível de credibilidade de Marte Ataca; uma comédia negra, com aquele humor distorcido dos chineses, que adoram rir-se das desgraças e da dor alheias; um thriller de acção de cativeiro que nunca percebemos se é uma sátira se é paródia; e até um melodrama lacrimejante, com momentos de faca e alguidar. Contudo, o filme começa a levar-se tão a sério,que aquela história de raptor-refém começa a ganahr contornos épicos e toques de crueldade intolerável, que faz coisas como Saw - Enigma Mortal começar a parecer coisa de meninos.

Save The Green Planet! é então uma espécie de caldeirada entre Marte Ataca, 12 Macacos e O Silêncio Dos Inocentes, alternando momentos de acção sanguinária com cenas de humor what-the-fuck? com a mesma cadência com que vão sendo inseridos sub-enredos novos e personagens secundárias. Felizmente, o filme consegue manter o interesse do princípio ao fim e a informação nova vai sendo assimilida facilmente, porque ao contrário da tradição oriental, aqui a linearidade é coisa utilizada.

Infelizmente, Save The Green Planet! acaba por ter uma chinesice no final a que o realizador tenta chamar de twist, mas que´acaba por esticar o filme para lá dos limites do bom, transformando-o apenas num interessante filme estranho da Coreia do Sul. Contudo, se vocês estão familiarizados com o cinema coreano, certamente já viram coisas bem mais estranhas. Ninguém sairá defraudado com um McBacon, aposto.

Posted by: dermot @ 3:09 da tarde
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quarta-feira, agosto 13, 2008  

VIGILÂNCIA:

Título: Surveillance
Realizador: Jennifer Chambers Lynch
Ano: 2008


Ter um pai famoso e com dinheiro é uma coisa espectacular! Foi isso que pensou a filha do David Lynch, quando acaba de sair da adolescência e, provavelmente, a atravessar uma crise de identidade em saber o que fazer no futuro, lembrou-se de experimentar fazer um filme, para ver se gostava. Cordelinhos mexidos, uns contactos aqui e outros ali e voilá: eis Boxing Helena.

Boxing Helena, apesar da premissa interessante e de um par de momentos giros, assemelhou-se a um desastre de viação. Apesar de realizado em 1993, cheirava ainda a anos 80 por todo o lado e... como é que eu hei-de dizer isto... era mau! Tão mau que até tinha uma cena softcore série-B ao som de Enigma(!). Quem se safou de boa foi a Kim Basinger, que há última da hora deu o dito por não dito e desistiu do filme. Perdeu milhares de dólares em indemnizações, mas ao menos não ficou ligada a isto.

Mas Jennifer Chambers Lynch tinha apenas 23 anos na altura. Era uma miúda imberbe, inexperiente e, por isso, demos-lhe o benefício da dúvida. Ah e tal, talvez a rapariga se faça, pensava eu na altura. Por isso, 15 anos depois, eis o regresso à realização com Vigilância. E nós fomos ver, convencidos que podia ser bom. Notícia: não é. E é ainda pior que Boxing Helena.

Vigilância começa como qualquer slasher que se preze começa: com um casal a dormir descansadamente, quando um par de mascarados (e as máscaras são mesmo o melhor do filme) irrompe casa adentro e os desfaz à pancada. Isto passa-se num lugarejo no interior dos Estados Unidos, onde todos os polícias têm problemas em lidar com o poder e as mulheres servem apenas para cozinhar, limpar a casa e cuidar das crianças. Há então mais um crime dessa dupla de assassinos natos (sim, há resquícios dos serial killers de Assassinos Natos) e sobram três testemunhas. E para os interrogar, são enviados dois agentes do FBI da cidade para a província, Bill Pullman e Julia Ormond.

A premissa já foi vista e revista vezes sem conta. Mas aqui a novidade é... esperem, não há novidade nenhuma. Jennifer Lynch tenta juntar o máximo de personagens na mesma trama para aumentar o mistério e o suspense da intriga, mas infelizmente nunca consegue criar tensão na relação entre testemunhas, suspeitos e polícias. Obviamente, também não ajuda o facto de todas as personagens serem esteriótipos sem espessura dramática que os façam deixar de ser simples bonecos. E claro, com tudo isto, é difícil para Bill Pullman disfarçar o frete que anda ali a fazer, enquanto tenta imitar o Robert De Niro.

Vigilância (que originalmente era para ser sobre...bruxas(!)) está cheio de tiques de mau cinema e muitas muletas de uma série B manhosa, que serve para encher chouriços na última metadede filme, após aperceber-nos como tudo vai terminar. E o twist final é tão óbvio que nos chega a surpreender por não acreditarmos que ele poderia mesmo acontecer, de tão previsível e improvável que é. Há muito tempo que não ficava tão frustrado com um filme. Toma lá o Happy Meal, pá!


Posted by: dermot @ 11:47 da tarde
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segunda-feira, agosto 11, 2008  

A MULHER QUE VIVEU DUAS VEZES:

Título: Vertigo
Realizador: Alfred Hitchcock
Ano: 1958


Há uns meses atrás, durante a sua passagem pelo nosso país, Slavoj Zizek confessou que, por vezes, hesitava em escrever sobre Alfred Hitchcock, por suspeitar que já tudo foi dito sobre o mestre. Pois é, se até ele tem vergonha de o fazer, então imaginem eu. E quando o tema é um dos seus mais aclamados filmes - A Mulher Que Viveu Duas Vezes -, a coisa ganha mesmo contornos assustadores. Vamos lá então a um chorrilho de lugares comuns.

A Mulher Que Morreu Duas Vezes, que começa logo com um genérico brutal assinado por Saul Bass, que efectuou aqui um trabalho genial, cristalizado no cartaz do filme, que é um dos melhores da história do cinema, pertence à última fase da carreira do mestre Hitchcock e é um daqueles filmes que lhe valeram o epíteto de Mestre do Suspense: uma trama cheia de mistério e de suspense, com ares de paranormal e de thriller psicológico.

James Stewart faz de James Stweart, com aquele seu ar de galã bon-vivant, como se fosse uma versão do Humphrey Bogart sem o mau feitio, na pele de um ex-detective com um problema de vertigens. Após abandonar a polícia, Stewart é contactado por um amigo de longa data, que o contrata para vigiar a esposa, a bela Kim Novak, que anda a ser atacada por uns transes misteriosos e umas crises de identidade. O marido acredita que ela está possuída pelo espírito da avó maluca, mas James Stewart é um homem sofisticado que não acredita nessas tretas. Quem terá razão?

Apesar do policial misteriosos a pender para o sobrenatural, que no fundo é a base de todos os thrillers fantásticos, desde Gothika a A Verdade Escondida, A Mulher Que Viveu Duas Vezes é um forte thriller psicológico, em que são determinantes as vertigens, a obsessão e as crises de angústia do protagonista. E, por falar em vertigens, não esquecer que foi aqui que foi usado pela primeira vez aquilo que agora se chama de contra-zoom e que é o mais vertiginoso plano da história do cinema.

Com uma banda-sonora omnipresente sublime do habitué Bernard Herrmann, representações acima da média apesar da falta de química entre o casal principal (afinal de contas, como o próprio realizador explicou, tentando explicar o fracasso de bilheteiras do filme, James Stewart era demasiado velho para o papel) e uma história mindfucked escrita por Pierre Boileau (o senhor que também escreveu As Diabólicas), A Mulher Que Viveu Duas Vezes destaca-se sobretudo pelo trabalho de Hitchcock: o tratamento da luz, envolvendo em trevas os momentos mais perturbadores do filme e aumentando de brilho sempre que Kim Novak tinha um momento de revelação; os planos arrojados de grande escala, no topo da torre sineira ou no sopé da Ponte de S. Francisco; ou as filmagens on location que, como em Intriga Internacional, dão um realismo extra ao filme.

Para terminar, referir apenas que em A Mulher Que Viveu Duas Vezes encontramos um dos pormenores mais geniais do mestre. Perto do final, na entrada para o pathos da história, Hitchcock resolve revelar tudo ao espectador, o que poderia revelar-se um erro da sua parte. Contudo, a opção não poderia ser mais acertada, deixando o espectador em suspense durante o último quarto do filme até à catarse final, não sucumbindo ao facilitismo de optar pelo twist revelador final.

Não é o meu Hitchcock favorito, mas nos dias bons A Mulher Que Viveu Duas Vezes é um Le Big Mac muito condizente.

Posted by: dermot @ 5:07 da tarde
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domingo, agosto 10, 2008  

A PARTIR DE AGORA...

...também podem encontrar-me aqui.

Posted by: dermot @ 9:14 da tarde
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Originalmente publicado na TAKE


O CAVALEIRO DAS TREVAS:

Título: The Dark Knight
Realizador: Cristopher Nolan
Ano: 2008


Eis o filme de 2008.
Num ano em que tivemos o regresso do Indiana Jones e a super-campanha viral de Missão De Código: Cloverfield, O Caveleiro Das Trevas conseguiu dizimar completamente qualquer concorrência no que diz respeito a expectativas e ansiedade. Para tal, contribuíram vários factores, a saber: uma grande e bem imaginada campanha de marketing, o sucesso do filme anterior que havia revitalizado a personagem e, obviamente, a morte de Heath Ledger. É que toda a gente gosta de um filme póstumo...

A histeria tem sido demasiada, é certo, mas desta vez não é de todo descabida. Depois de Batman – O Início, onde Cristopher Nolan tratou de redefinir a saga do homem-morcego, o caminho estava completamente livre para um filme sem qualquer preocupação contextual: as personagens estavam apresentadas, os factos justificados e o background situado. Por isso, enquanto Batman – O Início era a forma, O Cavaleiro Das Trevas é todo ele conteúdo.

Em O Cavaleiro Das Trevas, Batman (Christian Bale) e o Tenente James Gordon (Gary Oldman) vão-se unir ao Procurador Harvey Dent (Aaron Eckhart) e declarar guerra à máfia de Gotham City, que por sua vez encontra um aliado de peso: o maléovolo Joker (Heath Ledger), um insano psicopata com requintes de malvadez. Tudo isto resulta numa autêntica guerra sem quartel, onde finalmente percebemos por que é que Cristopher Nolan referiu Heat - Cidade Sob Pressão como principal influência deste filme.

Podemos então, finalmente, esquecer de vez os primeiros filmes da saga (porque os outros dois já toda a gente esqueceu). Nolan faz tábua rasa dos dois capítulos realizados por Tim Burton e troca aquele cinema gótico e muito plástico por um cinema bem mais negro e deprimido, mais próximo do expressionismo alemão. E o melhor exemplo disto é o Joker de Heath Ledger, que a ver com o de Jack Nicholson só tem mesmo o nome. Enquanto Jack Nicholson era um Joker cartunesco, Heath Ledger é mais realista. E, de facto, a sua prestação é brutal, tão assombrosa que faz mesmo esquecer Jack Nicholson. E fazer esquecer Jack Nicholson não é para qualquer um. Aliás, nem é algo que aconteça muitas vezes...

O filme conta, mais uma vez, com um elenco de luxo: Christian Bale cada vez mais dentro da personagem, ou seja, cada vez mais atormentado; Gary Oldman mais contido do que o habitual; Morgan Freeman a fazer o papél que sabe fazer melhor, o de Morgan Freeman; Michael Caine a espalhar charme e classe como de costume; e Maggie Gyllenhaal, cheia de química, a substituir a não-me-toques-que-eu-me-desmancho Katie Holmes. Claro que todos eles acabam por ser ofuscados pela criação de Heath Ledger. Aliás, este seu Joker acaba por ser mesmo a principal motivação do filme.

O Joker já não é apenas o facínora brincalhão que era em Batman; agora é um autêntico psicopata doentio e cruél, que nos causa arrepios sempre que aparece em cena. E os risos que agora largamos perante as suas brincadeiras são antes sorrisos nervosos. Além disso, este Joker faz-se acompanhar por uma quadrilha de lunáticos com máscaras de palhaços que, quando estão a fazer das suas, fazem-nos lembrar os bons velhos tempos de Ruptura Explosiva, de Richard Donner e dos policiais dos anos 90, férteis em entretenimento de acção. Aliás, se O Cavaleiro Das Trevas tivesse Robin, seria quase um buddy-movie.

O Cavaleiro Das Trevas já não é um filme de super-heróis, mas antes um filme de acção. E um grande filme de acção, que chega a ser levado ao extremo do filme-catástrofe. Apesar da sua longa duração, O Cavaleiro Das Trevas nunca cai em monotonia, sempre a jorrar ideias novas. Talvez esta cadência de informação, do morre-não-morre de quase todas as personagens e de um vasto leque de personagens secundárias tornem o filme algo maçudo lá mais para perto do final. Contudo, o rótulo de filme do ano fica-lhe bem.

Ou trocando por miúdos, um Le Big Mac.

Posted by: dermot @ 9:01 da tarde
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quinta-feira, agosto 07, 2008  

FICHEIROS SECRETOS: QUERO ACREDITAR:

Título: The X-Files: I Want To Believe
Realizador: Chris Carter
Ano: 2008


Desde o início que fui um admirador de Ficheiros Secretos, não um daqueles fãs acérrimos que consome avidamente qualquer episódio, mas alguém que via regularmente sempre que podia. Depois, a série começou a ter cada vez mais sucesso e a ganhar proporções de culto, o que levou Chris Carter a perder o controle e a transformar aquilo cada vez mais numa novela da conspiração meets Twin Peaks. Por isso, a partir de meio deixei de prestar atenção, assim como muito boa gente.

Quando o franchising estava em alta, os estúdios optaram ainda pelo grande ecrã, com um formato que raramente resulta: um filme que está dependente da série e que servia para rematar a temporada em exibição. Obviamente, Ficheiros Secretos: O Filme foi um fiasco, apesar de ter sido um pouco incompreendido. Apesar de tudo, não é tão mau qunto o pintam, faz o Teoria Da Conspiração parecer um menino e só falha mesmo no último acto.

Agora, cinco anos depois de terminada a série, Chris Carter achou por bem ressuscitar os Ficheiros Secretos para um derradadeiro (espero eu) filme. No fundo, está a arranjar mais terra para se enterrar. Qual é a pertinência de um novo filme da séie, quando já ninguém se lembra dela? A única justificação que encontro é a recente mania de adaptar todas as séries do passado ao cinema. E tal como na maioria desses casos, também este Ficheiros Secretos: Quero Acreditar segue a outra tendência do momento - o regresso às origens.

Ficheiros Secretos: Quero Acreditar é então um back to basics, um filme que, basicamente, é um episódio independente de hora e meia, que recupera a atmosfera das primeiras temporadas da série, com as suas histórias paranormais e remeniscências dos seriais de monstros da década de 50. Isto é o que nos venderam, porque no final, Ficheiros Secretos: Quero Acreditar acaba por estar mais dependente da série do que Ficheiros Secretos: O Filme.

Mulder (David Duchovny) e Scully (Gillian Anderson) estão então fora do FBI, depois dos Ficheiros Secretos terem sido arquivados. No entanto, uma agente com uns olhos azuis espectaculares e pouco jeito para a representação (Amanda Peet) vai requesitar a ajuda de ambos para tentar encontrar uma outra agente desaparecida, onde a única pista é um medium/padre/pedófilo (Billy Connolly, o elo mais forte do filme). No final, o inimigo é um cirurgião-russo que mata pessoas para tirar partes do corpo e transplantar num amigo.

Esta história do Frankenstein moderno podia ser espectacular, relembrando os bons velhos tempos de As Mãos De Orlac ou Os Olhos Sem Rosto, mas afinal Chris Carter só nos dá um lamiré dela a dez minutos do fim. Tudo o resto são recalcamentos da série, da batalha entre a fé e a crença na ciência de Scully, os fantasmas passados de Mulder e da sua irmã raptada, etcetera etcetera. Resumindo, Ficheiros Secretos: Quero Acreditar é uma daquelas discussões de miúdos em que Scully diz eu acredito mais do que tu e o Mulder responde não, não, eu é que acredito mais. And so on, and so on.

Ficheiros Secretos: Quero Acreditar é, para resumir tudo numa palavra, aborrecido. E acho que Chris Carter devia ter entregue a realização a outra pessoa, porque parece-me que o lugar dele é sentado à mesa a escrever. E que raio foi aquela cena da fotografia do Bush com a theme song por cima? Pode parecer mentira, mas este Double Cheeseburger não me deixa mentir: prefiro o filme anterior.

Posted by: dermot @ 11:35 da manhã
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terça-feira, agosto 05, 2008  

TOP 5:

Quando se fala em palas nos olhos, fala-se automaticamente de piratas. No entanto, poucos sabem para que é que estas erviam verdadeiramente. Não, não era para esconder olhos arrancados. A coisa era usada pelos marinheiros que necessitavam constantemente de andar cima e baixo nos barcos, ficando assim com um olho ajustado
à escuridão do porão e o outro à claridade do convés, sem que tivessem que perder tempo a habituarem-se (bastante útil nas batalhas em alto mar).

As palas nos olhos generalizaram-se aos piratas (tal como os papagaios no ombro e as pernas de pau, por exemplo) e, consequentemente, tornaram-se num símbolo de malvadez. Por isso, não é por acaso que muitos vilões contemporâneos a usem. Vilões e anti-heróis. É por isso que surge agora mais uma das famosas listas do Royale With Cheese, neste caso o TOP 5 DAS PERSONAGENS COM PALAS NOS OLHOS:

5º Lugar
Capitã [sic] Francesca 'Franky' Cook (Angelina Jolie)

Ok, não são só os homens que usam palas nos olhos. Mas quando as mulheres o fazem, ficam inesperadamente sensuais. Talvez devido ao facto de aumentar o mistério à sua volta. Se bem que qualquer na Angelina Jolie se torna sensual, até um fato de apicultor, aposto. Com um bocadinho mais de protagonismo e esta capitã [sic] de Sky Captain E O Mundo De Amanhã, fria como o gelo, poderia ter sido uma das personagens míticas de Jolie.

4º Lugar
Emilio Largo (Adolfo Celi)

James Bond não seria James Bond se não tivesse um vilão com uma pala no olho. Aliás, herói que se preze tem que ter um inimigo com pala no olho. Emilio Largo é um vilão italiano com porte de imperador romano em Operação Relâmpago, mas no não-oficial Nunca Digas Nunca, transformou-se num austríaco com menos piada.

3º Lugar
Frigga (Christina Lindberg) ex-aequo Elle Driver (Daryl Hannah)

Este ex-aequo é óbvvio e inevitável: sem Frigga não haveria Elle Driver, até porque o Tarantino já referiu várias vezes em públcio que Thriller - A Cruel Picture foi uma das principais influências do seu díptico Kill Bill. Frigga dá uma nova vida às palas nos olhos, combinando-as com a cor dos seus estilosos modelistos que usa ao longo de todo o filme (o combinado vermelho é todo ele estilo). Elle Driver imita-a quando se mascara de enfermeira, com pala branca e cruz vermelha a condizer.

2º Lugar
Coronel Nick Fury (David Hasselhoff)

Daqui a uns está previsto um filme sobre o coronel da SHIELD, Nick Fury, mas antes de haver Samuel L. Jackson, já tinha havido David *deus* Hasselhoff, num telefilme desconhecido de 1998. Nick Fury é um militar da Marvel que combateu contra os nazis e que ainda está no activo nos dias de hoje. É uma espécie de versão badass de Capitão América. Os senhores de Hollywood levaram isto à negra e puseram um preto a fazer de branco(!). Ainda não vi a prestação do Samuel L. Jackson para avaliar (exceptuando a cena escondida de Homem De Ferro), mas duvido que vá ultrapassar o David Hasselhoff com barba de 5 dias, charuto nos dentes e pala no olho.

1º Lugar
Snake Plissken (Kurt Russell)

Esta lista só existe para Snake Plissken poder estar em primeiro lugar. Afinal de contas, ele é o Senhor-Pala-no-Olho oficial. Anti-herói, ícone e mito vivo, Snake Plissken teve ainda o condão de tirar Kurt Russell do flagelo que eram os filmes manhosos da Disney e transforma-lo em action hero. Inspiração para quase tudo o que se possa pôr um rótulo de trash no cinema, Snake Plissken é o maior! Falta apenas dizer que ele é o protagonista dos survivor-pós-apocalíptico-xunga Nova Iorque 1997 e Fuga De Los Angeles.


Menção Honrosa
Solid Snake ex-aequo Jack Smith

Mais do que uma menção honrosa, esta é mais uma curiosidade, que mostra a importância de Snake Plissken e da sua pala no olho para com os heróis de acção de hoje em dia. Solid Snake é o mau do jogo de computador Metal Gear Solid 2 e Jack Smith é o pai espião/bandido de Stan Smith, de American Dad. Pouco têm a ver um com o outro, além da pala no olho e de um carácter ruim.

Posted by: dermot @ 6:56 da tarde
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segunda-feira, agosto 04, 2008  

THE MIST - NEVOEIRO MISTERIOSO:

Título: The Mist
Realizador: Frank Darabont
Ano: 2007


É sabido que, apesar de ser o escritor vivo com mais livros transportados para o cinema, as adaptações dos romances de Stephen King não primam propriamente pela qualidade. Curiosamente, duas das excepções que confirmam a regra foram realizadas pela mesma pessoa: Frank Darabont foi o realizador de Os Condenados De Shawshank e de À Espera De Um Milagre. Por isso, se alguém tinha crédito para adaptar mais um conto do mestre do suspense, esse alguém era Darabont.

Nevoeiro Misterioso é a adaptação de um conto de Stephen King, numa história muito parecida com O Nevoeiro, de John Carpenter, onde uma estranha neblina desce sobre a cidade, trazendo inesperadas surpresas no seu interior. Só que enquanto Carpenter nos trazia piratas-fantasmas, King traz-nos polvos e lagostas gigantes. Bem mais credível. A sério.

Apesar de haverem bichos esquisitos de vários tamanhos e feitios e apesar destes terem, declaradamente, aspecto de série-B (viva as criaturas de borracha, abaixo o CGI), Nevoeiro Misterioso não segue a tradição dos seriais de monstros dos anos 50 ou o cinema de horror, apoiando-se antes na estrutura de Rio Bravo e do forte sitiado, aqui sob a variação do supermercado sitiado.

Temos então uma mão cheia de gente apanhada desprevenida num supermercado por um nevoeiro misterioso habitado por monstros sanguinários. E, como em todos os casos desta espécie, esse grupo é, oportunamente, o suficientemente heterogéneo para desenvolver uma série de relações entre eles: existe o personagem principal, que é o mais esclarecido do grupo e que assume, naturalmente, o papél de líder (Thomas Jane); existe o preto com a mania que é esperto, que funciona como contra-ponto ao protagonista (Andre Braugher); existe a tipa bem-parecida para causar alguma tensão sexual (Laurie Holden); existem os rednecks que só servem para atrapalhar; e, claro, existe a velha fanática religiosa para espalhar a paranóia (Marcia Gay Harden), tão necessária em todos os filmes-catástrofe pós-11 de Setembro.

Com um orçamento modesto e uma mão cheia de actores pouco conhecidos, mas competentes qb, Frank Darabont constrói então um pouco habitual filme de terror, onde o suspense é mais o prato principal, em que vai aumentando a tensão e asfixiando o espectador, à medida que vai manipulando as relações entre as personagens. Felizmente, este building up descamba normalmente em cenas de acção, com pancadaria, monstros empalados, tiroteios e muita coisa a arder, o ideal para nós, jovens desta sociedade moderna, incapazes de nos mantermos concentrados por muito tempo seguido.

Nevoeiro Misterioso funciona então muito bem, num misto de filme sério e filme de terror xunga, o que não deixa de ser inesperado. Infelizmente, Frank Derabont parece ter querido conquistar a imortalidade e apostou tudo num final que é, no mínimo, contestável. Assim, na tentativa de criar o seu próprio O Homem Que Veio Do Futuro, Darabont cria o twist mais pessimista de sempre, mas que não tem credibilidade nenhuma nem corresponde ao resto do filme que estivemos a ver por duas horas. Por isso, o final quase arruinou tudo, McRoyal Deluxe incluído.

Posted by: dermot @ 7:04 da tarde
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sábado, agosto 02, 2008  

NOVA IORQUE 1997:

Título: Escape From New York
Realizador: John Carpenter
Ano: 1981


John Carpenter (vénias, vénias) já podia ser um realizador respeitado no mundo do cinema alternativo do cinema de terror e de acção, mas foi só em 1981 que ganhou dimensão global, com o mítico Nova Iorque 1997. A partir daí nunca mais nada foi igual, nem na carreira de Carpenter, nem no cinema de acção dos anos 80, culminando numa década de xungaria onde tudo foi possível.

Nova Iorque 1997 é um action-flick futurista pós-apocalíptico, ambientado numa Nova Iorque no final do século XX mergulhada numa taxa de crime brutal. Para combater a pelintragem, o governo americano tomou medidas autoritárias e, basicamente, fez aquilo que nós gostaríamos de fazer com os espanhóis: construíram um muro à volta da ilha de Manhattan e, em vez de encherem de água, puseram lá todos os ladrões do país. Para sempre!

Tudo corre bem até que o avião presidencial se despenha no meio da ilha. E para atrapalhar mais as coisas, logo na véspera de uma cimeira muito importante. Por isso, a solução é contratar o ex-veterano-cansado-das-mentiras-do-governo-e-recentemente-virado-para-a-bandidagem Snake Plissken (Kurt Russell), que vai resgatar o presidente numa corrida contra o relógio a troco de um perdão judicial.

Apesar da ambição desmedida, Nova Iorque 1997 consegue contornar o baixo orçamento com medidas imaginativas e muitas maquetes bem feitas. Há computadores 3D forjados que têm melhor aspecto que muito CGI de hoje em dia, panorâmicas pós-apocalípticas de Nova Iorque bem mais credíveis do que muito filme-catástrofe actual e o primeiro carro artilhado da história do cinema, com uns candelabros no capot(!) e uma bola de espelhos no retrovisor(!!). Claro que depois também há muita ordinarice e aquele aspecto barato que se tornou na imagem de marca do Carpenter inicial.

Nova Iorque 1997 é um survivor urbano pós-apocalíptico ao qual se assemelha muito do cinema de acção que hoje veneramos (isto é uma espécie de Planeta Terror meets Os Selvagens Da Noite), ambientado num cenário a que os teóricos da área já chamam de acidade, assim mesmo com um A antes, para nos lembrar que aquela não é uma cidade orgânica, mas antes um agregado de fragmentos, como a metrópole dos dias de hoje ou a Los Angeles de Blade Runner - Perigo Iminente. Além disso, Nova Iorque 1997 canaliza ainda toda a raiva e depressão pós-vietname e pós-watergate que já trespassava Assalto À Esquadra 13.

Nova Iorque 1997 é como um filme do Ed Wood, mas em bom. Existe muita xungaria, como motores de carros que desaparecem miraculosamente, buracos no argumento maiores que o da Cicciolina e personagens que caem do céu sem mais nem menos, mas em compensação existe a banda-sonora minimalista de Carpenter a incutir um ritmo mecânico áquela corrida contra o tempo, armas com munição infinita, acção gratuita de todas as formas e feitios e um elenco assombroso, a saber: Lee Van Cleef a dar um ar de spaghetti western à contenda; um Harry Dean Stanton irreconhecivelmente novo; Donald Pleasence e Ernest Borgnine a darem respeito à fita, com um toque do passado; Ox Baker a trazer o toque trash directamente do wrestling; e Isaac Heyes (vénia, vénia, vénia) a fazer de vilão soul-brotha, com muita, muita pinta. E depois, claro, há Kurt Russel. Mas para esse, existe um parágrafo exclusivo já de seguida.

Foi Snake Plissken que tirou Kurt Russel da triste sina dos filmes chochos da Disney que andava a fazer e o transformou num dos mais emblemáticos actores do cinema de acção, na pele de um anti-herói com pinta badass, uma pala no olho e um toque à Clint Eastwood, por influência da presença de Lee Van Cleef. Absolutamente mítico e uma escola para qualquer anti-herói.

É impossível não gostar de Nova Iorque 1997, que hoje em dia, apesar de datado, envelheceu muito bem. Além disso, tem o final mais anti-heróico do cinema de acção dos anos 80. Vale um McBacon por tudo isto e mais um bocadinho ainda.




FUGA DE LOS ANGELES:

Título: Escape From L.A.
Realizador: John Carpenter
Ano: 1996


Quinze anos depois de ter realizado aquela que é já uma instituição viva do cinema trash, Nova Iorque 1997, John Carpenter reuniu-se com o seu actor fetiche, Kurt Russel, e decidiram responder ao repto dos fãs mais acérrimos do filme e fazer uma sequela. No fundo, esta foi só a justificação oficial. Porque o que os dois amigos queriam mesmo era aproveitar a fama e o sucesso para satisfazer mais alguns caprichos distorcidos.

Mais do que uma sequela, Fuga De Los Angeles é um update, principalmente aos anos 90, uma vez que Carpenter é um realizador que presta grande atenção às novas modas e tendências da cultura popular. Assim, avançou-se 15 anos na história, trocou-se Nova Iorque por Los Angeles (que por desígnio divino tornou-se numa ilha após um terramoto gigantesco), construiu-se um muro à volta e colocou-se lá tudo o que eram bandidos, retornados, muçulmanos, doidos e tudo o que seja levemente inadaptado. Depois atirou-se lá para dentro a filha do presidente, por qualquer motivo menor do argumento, que mais não é do que um pretexto para mandar Snake Plissken em seu resgate. Ou seja, Fuga De Los Angeles é um Nova Iorque 1997 v2.0, com mais armas, mais explosões e mais destruição gratuita.

John Carpenter leva aqui ao extremo a faceta série-B da série e não falo do aspecto barato dos cenários gigantes pintados à mão; falo antes do exagero que a demanda de Snake Plissken recebe em comparação com o seu antecessor, que envolve perseguições e matanças em asadeltas(!) ou em pranchas de surf(!!). Em compensação, Carpenter também acentua a sua sátira política aos Estados Unidos, desta vez mais negra e mais absurda, como aquele vilão cirurgião plástico de Beverly Hills, interpretado por sua majestade Bruce Campbell.

Mantém-se assim o cenário pós-apocalíptico, a estrutura dramática do argumento em modo survivor-contra-o-tempo e o anti-herói Snake Plissken, apesar de Kurt Russel ter apurado a sua personagem, cada vez mais badass e agora um pouco mais espirituosa, deixando para a posterioridade um par de one-liners, ideais para usar naquela homenagem em formato de jogo de computador chamado Duke Nukem 3D. Se em Nova Iorque 1997 a influência tinha sido Clint Eastwood, aqui foi mais Bruce Campbell.

O elenco de Fuga De Los Angeles continua magnífico, mas aqui ressente-se do argumento frágil, que não se decide em dar a Snake Plisskin um sidekick (apesar de Steve Buscemi andar por lá a rondar) ou uma parceira para mostrar pele (e a bela A.J. Langer certamente não se importaria de o fazer). Pelo meio há o cameo de um Peter Fonda surfista, Pam Grier a fazer de transexual com uma voz bem macho e Georges Corraface a encarnar o lado menos famoso de Che Guevara.

Quem gosta de Nova Iorque 1997, gosta obrigatoriamente de Fuga De Los Angeles, uma vez que ambos são praticamente o mesmo filme. A principal diferença é que num os penteados e as roupas são melhores. De resto, é tudo do mesmo feitio, incluindo o McBacon final.

Posted by: dermot @ 11:42 da manhã
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COTAÇÃO:
10 - Royale With Cheese
9 - Le Big Mac
8 - McRoyal Deluxe
7 - McBacon
6 - McChicken
5 - Double Cheeseburger
4 - Cheeseburger
3 - Caixinha de 500 paus (Happy Meal)
2 - Hamburga de Choco
1 - Pão com Manteiga

TAKE:
Take - cinema magazine | take.com.pt


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- Assalto À Esquadra 13 (1976)
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- Exterminador Implacável 2 - O Dia Do Julgamento Final
- Exterminador Implacável 3 - Ascensão Das Máquinas
- Exterminador Implacável 4 - A Salvação

- Factory Girl - Quando Edie Conheceu Warhol
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- Fantasmas De Marte
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- Faster, Pussycat! Kill! Kill!
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- 100 Volta
- 10.000 AC
- 12 Homens Em Fúria
- 12 Macacos
- 12:08 A Este De Bucareste
- 1984
- 2LDK
- 24 Hour Party People
- 28 Dias Depois
- 20,13 - Purgatório
- 2012
- 300
- 4 Copas
- 48
- 50/50
- 6=0 Homeostética
- 8 1/2
- 9 Canções
- 98 Octanas


ENTREVISTAS:
- Fernando Fragata
- Festróia - Mário Ventura
- Filipe Melo
- Good N Evil
- IMAGO - Sérgio Felizardo
- José Barahona
- Nuno Markl
- Paulo Furtado
- Rodrigo Areias
- Sara David Lopes
- Solveig Nordlund
- Fernando Alle


TOPES:
- Top 8 dos Melhores Filmes de 2011
- Top 5 dos Piores Filmes de 2011
- Top 10 dos Melhores Filmes de 2010
- Top 5 dos Piores Filmes de 2010
- Top 5 dos filmes de Leslie Nielsen
- Top 10 Dos Filmes Low Cost
- Top 5 das Melhores Cenas de Dança
- Top 8 dos Melhores Filmes de 2009
- Top 5 dos Piores Filmes de 2009
- Top 5 dos Filmes Que Tenho Vergonha De Dizer Que Gosto
- Top 5 das Melhores Músicas de Ennio Morricone
- Top 5 dos filmes com Patrick Swayze
- Top 5 dos Telediscos do Michael Jackson
- Top 5 dos Filmes com David Carradine
- Top 5 dos Filmes com Lutadores de Luta-Livre
- Top 10 Os Melhores Filmes de 2008
- Top 5 Os Piores Filmes de 2008
- Top 5 dos Piores Filmes de Natal
- Top 5 das Coisas que não Esperávamos Ver no Cinema
- Top 5 dos Melhores Filmes de Paul Newman
- Top 5 Personagens Com Palas Nos Olhos
- Top 10 Melhores Cartazes De Cinema
- Top 5 dos Filmes de Chuck Norris
- Top 5 dos Filmes de Patrick Swayze
- Top 10 Os Melhores/Piores Vestidos dos Oscares
- Top 5 As Mortes de Crianças Mais Gratuitas
- Top 10 Os Melhores de 2007
- Top 5 Os Piores de 2007
- Top 7 Adaptações ao Cinema de Livros de Stephen King
- Top 5 Filmes Pela Paz
- Top 5 Os Melhores Beijos
- Top 5 Grandes Arquitectos
- Top 10 Filmes Que Mudaram A Minha Vida
- Top 5 Mulheres de Cabeça Rapada
- Top 5 As Cenas Mais Excitantes
- Top 10 Os Melhores de 2006
- Top 5 Os Piores de 2006
- Top 3 Filmes de Robert Altman
- Top 5 Os Vilões do Cinema
- Top 5 Filmes Com Mick Jagger
- Top 5 Filmes Com Steve Buscemi
- Top 5 Dos Cães no Cinema
- Top 5 Dos Filmes do Indie06
- Top 5 Dos Filmes do Fantas06
- Top 5 dos Presidentes
- Top 10 Os Melhores de 2005
- Top 5 Os Piores de 2005
- Top 5 Filmes com Pat Morita
- Top 10 Os Melhores Filmes Independentes
- Top 5 Os Piores Filmes da Saga Bond
- Top 5 Filmes com Dolph Lundgren
- Top 5 Adaptações de BD Para Cinema
- Top 10 Cenas Mais Assustadoras de Sempre
- Top 5 Vencedores do Óscar
- Top 5 Bond Girls
- Top 5 Filmes Sobre Doenças
- Top 5 Filmes de Natal
- Top 5 Melhores Batalhas Corpo-A-Corpo
- Top 10 Melhores Canções do Cinema
- Top 10 Melhores Filmes de Sempre
- Top 5 Melhores Momentos Musicais
- Top 5 Grandes Duelos do Cinema
- Top 10 Maiores Personagens do Cinema
- Top 5 Piores Momentos da Ficção Cientí­fica
- Top 10 Melhores Momentos da Ficção Cientí­fica
- Top 5 Filmes Religiosos


BAÚ DO TRASH:
- Needle
- Que Se Mueran Los Feos
- Easy A
- Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme
- Saw 3D - O Capítulo Final
- And Soon The Darkness
- Os Imortais
- Purana Mandir
- Pagafantas
- The Bloodstained Butterfly
- Cisne Negro


ROYALE WITH CHEESE APRESENTA:
- A Tasca Da Cultura
- A Causa Das Coisas - parte I
- A Causa Das Coisas - parte II
- A Momentary Lapse Of Reason


FILMES A VER ANTES DE MORRER:
- #1 As Lágrimas Do Tigre Negro
- #2 Alucarda
- #3 Time Enough At Last
- #4 Armageddon
- #5 The Favour, The Watch And The Very Big Fish
- #6 Italian Spiderman
- #7 The Soldier And Death


UMA CURTA POR DIA NÃO SABE O BEM QUE LHE FAZIA:
- 1# Rabbit, de Run Wrake
- 2# Aligato, de Maka Sidibé
- 3# The Cat Concerto, de Joseph Barbera & William Hanna
- 4# A Curva, de David Rebordão
- 5# Batman: Dead End, de Sandy Callora
- 6# O Código Tarantino, de Selton Mello
- 7# Malus, de António Aleixo & Crosswalk, de Telmo Martins
- 8# Three Blind Mice, de George Dunning
- 9# Bedhead, de Robert Rodriguez
- 10# Key To Reserva, de Martin Scorcese
- 11# Bambi Meets Godzilla, de Marv Newland
- 12# The Horribly Slow Murderer with the Extremely Inefficient Weapon, de Richard Gale
- 13# Stolz Der Nation, de Eli Roth
- 14# Papá Wrestling, de Fernando Alle
- 15# Glas, de Bert Haanstra
- 16# Fotoromanza, de Michelangelo Antonioni
- 17# Quem É Ricardo?, de José Barahona
- 17# Terra Incognita, de Peter Volkart


AS MELHORES PIORES CENAS DE SEMPRE:
- A Pior Luta
- A Cena Mais Metida A Martelo
- O Ataque Animal Mais Brutal
- A Perseguição Mais Alucinante
- O Duelo Mais Improvável


CLUBE DE CINEMA DE SETÚBAL:
- Janeiro
- Fevereiro
- Março
- Abril
- Maio
- Setembro
- Novembro


FESTIVAIS:
- 20º Festróia
Dia 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9
- 21º Festróia
Dia 0 | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8
- 22º Festróia
Dia 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10
- 23º Festróia
Dia 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10
- 24º Festróia
Dia 0 | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8
- 26º Festróia
Dia 0 | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8
- 12º Caminhos Do Cinema Português
Dia 0 | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8
- Imago 2006
Dia 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8

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