Segunda-feira, Dezembro 08, 2008
KUNG POW - PUNHOS LOUCOS:Título:
Kung PowRealizador: Steve Oedekerk
Ano: 2002

Existem filmes que não podemos ver nem pintados de amarelo, mas que dizemos que gostamos muito quando queremos impressionar uma rapariga. Existem também filmes que vemos dia sim dia não, mas que dizemos aos migos que não gostamos por termos vergonha. E depois existe
Kung Pow - Punhos Loucos, o qual sem sequer conseguimos perceber se devemos ter vergonha de gostar ou não.
Kung Pow - Punhos Loucos é uma espécie de trabalho de bricolage, em que o realizador Steve Oedekerk (conhecido apenas por realizar
Ace Ventura Em África) agarra num filme manhoso de artes-marciais dos anos 70 (neste caso, uma coisa que supostamente se chama algo do género
Tiger And Crane Fist) e dobra-o por cima à cara podre, acrescentando-se a si próprio e mais uns elementos inesperados digitalmente. O resultado é uma paródia aos próprios filmes de Hong Kong de artes-marciais, com um género de humor que vai do ZAZ style, do
Ultra Secreto e do melhor que se fez no terreno do absurdo, até ao humor mais slapstick e tongue-in-cheek, sem contar com um tipo de humor que ainda nem sequer esá catalogado.
Completamente fora,
Kung Pow - Punhos Loucos é tão parvo que só conseguimos rir. Utilizando o truque dos Monty Phytons em
A Vida De Brian, Oedekerk apenas utiliza vozes ridículas nas personagens, tirando qualquer réstia de credibilidade ao filme. Além disso, preenche os momentos em que a boca mexe e que não havia nada para dizer com uma remessa de guinchos e gemidos completamente gratuitos. Depois, diverte-se a acrescentar digitalmente personagens manhosas, tabuletas do Hooters ou o Titanic a afundar-se.
O argumento não faz sentido nenhum e nem sequer existe. As imagens andam para a frente e para trás, mesmo em fast forward se for preciso e o filme goza consigo próprio, numa paródia aos flicks de artes-marciais, com vários zooms por minutos e a banda-sonora de um tiroteio sempre que alguém luta. A coisa faz tão pouco sentido, que os duelos fazem-se ao som do MC Hammer, enquanto um preto dança por trás com uma boombox ao ombro. Além disso, há ainda bonecos de borracha descarados e a cena mais conhecida do filme (que o maravilhoso mundo do youtube permite disponibilizar no final desta prosa), tem uma vaca em CGI que luta mano-a-mano com o protagonista. A cena é tão estúpida que só nos resta uma solução que é rir.
Fazendo lembrar o mítico
O Regresso De Hércules, em que era dobrado por cima o desastre
Ercole, Sansone, Maciste E Ursus Gli Invincibili (
e agora vou-te bater com este pau de borracha),
Kung Pow - Punhos Loucos tem também a particularidade de mostrar que o filme original é tão mau e ridículo quanto a paródia. E, obviamente, essas falhas de raccord não passam despercebidas ao gozo.
A primeira vez que se vê
Kung Pow - Punhos Loucos é de rir e chorar até a barriga doer e não nos conseguirmos levantar do chão. E não há que ter vergonha disso, eu por exemplo, recomendo-o como um Royale With Cheese a todos os meus conhecidos e desconhecidos. Contudo, à segunda visualização, vão-se contar pelos dedos de uma mão os momentos que nos vão fazer esboçar um sorriso. Se à terceira vez ainda achar piada ao filme então, lamento informar-vos, mas algo de errado se passa com vocês.
Posted by: dermot @
11:36 PM
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