Terça-feira, Dezembro 02, 2008
CRUELDADE INTOLERÁVEL:Título:
Intolerable CrueltyRealizador: Joel Coen
Ano: 2003

Que razão leva os irmãos Coen, conceituados e legitimados realizadores da arte do neo-noir e do cinema independente, a embarcarem de quando em vez em projectos de comédias ligeiras? A resposta é simples e é a mesma razão por qual os cães lambem os tomates: porque podem.
Os Coen gostam deste tipo de projectos. Comédias ligeiras com ar de feelgood movie, onde reúnem os amigos para passar um bom bocado, em filmes nem sempre excelentes, mas na maior parte das vezes aprazíveis. Em
Crueldade Intolerável juntaram o habitué George Clooney à bomba Catherine Zeta-Jones, a Geoffrey Rush e ao cameo de Billy Bob Thorton. O resultado é uma crónica de valores da alta burguesia, um upgrade de Buñuel e uma reminiscência do Dean Martin screwball.
George Clooney é, então, um advogado de sucesso implacável e o maior especialista em questões matrimoniais. É bem falante e tem uma fixação obsessiva pelos dentes, o que o fazem ser também um upgrade da sua personagem idiota que tinha uma fixação obsessiva pelo cabelo, em
Onde Estás, Irmão. Por entre vários casos de infedilidade, Clooney conhece o avião Catherine Zeta-Jones, uma profissional do matrimónio, em casar-se com multi-milionários e depois ficar com metade da fortuna deles ao divorciarem-se. Daí até ao romance, à intriga e o final feliz da praxe é um pulo.
Sem ser nada de especial, mas sem se deitar fora,
Crueldade Intolerável tem a marca dos Coen, com as suas personagens bizarras (o assassino asmático de Irwin Keyes ou o velho a dever anos à morte de Tom Aldredge), os diálogos a cem à hora cheios de espiritualidade e, claro, o gato escondido com a cauda de fora que é o argumento, por mais previsível que seja.
Crueldade Intolerável é bem tolerável (trocadilho inevitável), pelo menos até ficar preso ao gimmick romântico, do qual já não se consegue libertar na segunda metade do filme.
Sem deslumbrar,
Crueldade Intolerável serve para passar um agradável serão nas tardes de domingo ou nas noitadas da TVI, para ver com a namorada ou, simplesmente, acompanhado de uma bucha. E por falar em bucha, eis o McChicken que remata tudo isto.
Posted by: dermot @
11:15 AM
|