Quinta-feira, Dezembro 04, 2008
BEM-VINDO AO NORTE:Título:
Bienvenue Chez Les Ch'tisRealizador: Dany Boon
Ano: 2008
Bem-vindo Ao Norte dizimou todos os recordes de bilheteira de um filme francês em França. No entanto, apesar de inevitável, a internacionalização assomava-se uma tarefa arriscada, uma vez que se trata de um filme muito específico, uma crónica de valores, o que raramente funciona junto aos estrangeiros que não conhecem a identidade dos representados. É como se fizessemos um filme sobre alentejanos e o mandássemos para a Alemanha. Ou pusésssemos o
Filme Da Treta a circular pelos festivais. Mas quem não tem medo de apresentar o filme com um cartaz como este, em que o co-protagonista (e realizador) parece o Ernesto, então não deve temer nada.
Comédia simples e ligeira,
Bem-vindo Ao Norte conta a história de um chefe dos correios, Phillipe (Kad Merad), que sonha em conseguir a transferência para as solarengas terras do sul de França para passar uns anos felizes com a sua família. No entanto, um par de peripécias mais arriscadas levam-no a ser castigado com dois anos numa terreola no norte de França. Basicamente, para quem não sabe, o norte francês é uma espécie de inferno pior que o próprio inferno, para onde ninguém quer ir, por fazer frio todo o ano, por se falar um dialecto esquisito e por serem todos bebâdos e brigões. Uma espécie de aldeia do Astérix, mas com chuva.
O argumento é óbvio e nem sequer é novidade. Phillipe muda-se para o norte contrariado, a primeira impressão é terrível (ai o choque de culturas), mas depois de se misturar com os autócnes, acaba por travar amizade e de não se querer vir mais embora. Pelo meio, há sub-enredos românticos e mensagens moralmente correctas, orientadas para um final feliz e lamechas qb. No entanto, é a forma como é feito que vale a pena, como a forma como é dramatizada ao máximo a ida para o norte. A coisa está tão bem feita que chegamos a ter mais pena dele do que do miúdo judeu-atrasado-mental-alcóolico-com-um-cão-com-cancro-durante-o-Holocausto, do filme mais triste de sempre, naquele mítico episódio do
American Dad.
O início não é prometedor:
Bem-vindo Ao Norte começa por abusar de muitos trocadilhos geográficos, que têm muito mais piada para quem é da zona (e os percebe), além de ter algum humor físico a mais (Jerry Lewis continua a ser uma escola em França). No entanto, há algo extra; há um humor um pouco absurdo, que por momentos lembra o ZAZ style, há o tradicional humor francês que nos remete para clássicos como
Os Visitantes Da Idade Média e muitos gags realmente engraçados, que nos fazem rir à gargalhada.
Tudo isto não é suficiente para um bom filme e fica sempre dependente do que se faz no final. E
Bem-vindo Ao Norte tem o fim lamechas ideal, sem cair na tentação de forçar o tearjerker em prólogos desnecessários ou twists que não iriam funcionar. Além disso, termina com o
I Just Called To Say I Love You, provando que quanto mais kitsch for a canção, mais interessante é a cena (lembram-se do
Cambodja, da Kim Wilde, no
Em Paris?). Sem ser propriamente superior,
Bem-vindo Ao Norte sai daqui com um McRoyal Deluxe pela simples razão de que fazem falta mais comédias bem dispostas que nos façam verdadeiramente rir, nem que seja por um bocadinho.
Posted by: dermot @
12:05 AM
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