Sexta-feira, Novembro 21, 2008
O ACONTECIMENTO:Título:
The HappeningRealizador: M. Night Shyamalan
Ano: 2008

Desde que foi apaparicado por toda gente com
O Sexto Sentido, M. Night Shyamalan tem vindo a ser atacado pela crítica de filme para filme. Cansado do que os outros diziam, o realizador indiano vingou-se com
A Senhora Da Água, onde aproveitou para mandar várias mensagens: arrasava com os críticos e dizia ao mesmo tempo
se eu quiser faço os meus próprios filmes de merda. Por isso, nós, admiradores entusiastas deste novo mestre do suspense, compreendemos a frustração e saltámos
A Senhora Da Água, fazendo de conta que esse não aconteceu.
O Acontecimento é, então, o novo filme de M. Night Shyamalan e um regresso às origens, deixando para trás os contos de fadas e voltando a pegar de frente no suspense e no fantástico. Olhando para trás na sua filmografia,
Sinais será o que está mais próximo de
O Acontecimento, uma história em que, inexplicavelmente, as pessoas começam a ser atacadas por uma toxina misteriosa que "desliga" os seus instintos de preservação e sobrevivência, levando-as a suicidarem-se de forma calma e pacífica (tipo o
Suicide Club, mas ainda mais perturbador).
A premissa de
O Acontecimento é brutal e recupera o que de melhor se faz no cinema fantástico. Um filme-catástrofe, onde uma ameaça mortífera desconhecida coloca em perigo toda a população do planeta. Claro que aqui o foco é reduzido ao racional professor Elliot Moore (Mark Wahlberg) e a sua esposa Alma (Zooey Deschanel), que só encontram uma solução: fugir! Sem destino e sem planos, apenas fugir daquela praga. E então, o filme catástrofe goes survivor-movie, fundindo
Nome De Código: Cloverfield com coisas como
Diário Dos Mortos.
Tudo isto é apaixonante e muito série-b, o que nas mãos de Shyamalan poderia ganhar uma dimensão gigantesca. E ele volta a não ignorar a influência do mestre Hitchcock, recorrendo inclusive ao mcguffin. E para ver o potencial da coisa, basta atentar às melhores cenas do filme, que são aquelas dos suicídios em massa: dezenas de pessoas a enforcarem-se em conjunto nas boulevards, tipos a deitarem-se à frente de cortadores de relva ou trabalhadores das obras a saltarem à parva dos prédios. A partir daqui,
O Acontecimento é sempre a descer. Até bater no fundo com muito estrondo.
Não se percebe o que se passou com Shyamalan, até porque é anti-natura da sua própria identida fílmica. Começando pelo facto de ser extremamente descritivo.
O Acontecimento não dá uma única nesga de espaço para a sugestão do espectador: os personagens vão descrevendo o que fazem como se fosse um filme para cegos e as personagens secundárias caem do ar para motivarem as peripécias. Tudo é artifical e metido a martelo e a personagem lunática de Betty Buckley, que aparece no fim, é das coisas mais surrealmente falsas que já aconteceu no cinema. Pelo menos, no cinema chamado sério... Mas pior que isto é a direcção de actores, onde fazem todos de pessoas passivamente racionais, que encaram toda aquele caos com muita ponderação. Parece que já estavam todos à espera que aquilo fosse acontecer. E depois, claro, Mark Wahlberg a fazer de um tipo passivo confunde-se à brava com um mau actor. Oh wait...
Claro que no fim,
O Acontecimento não tem nada a ver com catástrofes, tal como
Sinais não tinha a ver com invasões de extraterrestres, mas quem é que quer saber? O filme é revoltantemente fraco e nem a presença fugaz do incontornável Alan Ruck motiva que escreva alguma coisa de bom. O melhor que vou escrever é mesmo isto, vejam: cheeseburger.
Posted by: dermot @
9:51 AM
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