Terça-feira, Novembro 11, 2008
NIXON:Título:
NixonRealizador: Oliver Stone
Ano: 1995

Oliver Stone é um tipo que curte política à brava. Por isso, o recém-estreado bio-pic do Bush mais novo, em
W., não surpreendeu ninguém, uma vez que antes já tinha havido
JFK,
Nixon e Fidel Castro (em
Comandante). Agora perguntam vocês: então e porque raio de pretetxo decidiste tu falar logo do
Nixon? E eu respondo: logo vêem na próxima
Take. E porque isto é meu e eu faço o que quiser. Além disso, os dois leitores deste tasco não se vão importar, até porque um deles é um amigo imaginário.
Nixon é um bio-pic de Richard Nixon, o trigésimo-sétimo presidente dos Estados Unidos e um dos mais controversos. Ao fim ao cabo, acabou por sér o único (pelo menos até há data) a pedir a demissão do cargo. Amado por poucos e odiado por muitos, Nixon teve dois mandatos bem polémicos, à boa maneira de George W. Bush, e esteve envolvido em muita coisa. Por isso, para o bem e para o mal, o seu contributo para os Estados Unidos e, consequentemente, para o Mundo foi determinante. Oliver Stone gosta destes filmes políticos, com argumentos maçudos, muita informação, ainda mais teorias da conspiração e aquela ideia subjacente que a América é a polícia do Mundo e ainda bem que o é. Nunca percebemos é se ele o diz a sério ou a brincar, porque tanto se compromete com ela como a subverte.
O retrato tirado neste épico de três horas é dramatizado e, consequentemente, sensacionalizado, mesmo que não fosse essa a intenção de Oliver Stone. O encontro entre Nixon e Mao Tse-Tung é o exemplo mais ilustrativo disso, em que uma banda-sonora insinuadora e uma montagem imaginativa transformam o ditador chinês num monstro gargalhante, para depois o sobrepôr sobre o próprio Nixon, numa apologia que nem disfarça um pouco.
Nixon começa, como seria de esperar, pelo momento mais marcante da sua presidência - o caso Watergate - para depois embarcar num enorme flashback, como a outra biografia de um dos homens mais poderosos da América,
O Mundo A Seus Pés (sempre a referência nestas coisas de analepses). A história dá então a volta, completa o círculo e vai mais além, mas é mais ambiciosa que o filme de Orson Welles, porque Stone arrisca vários flashbacks dentro do próprio flashback. A opção era perigosa, mas ele sai-se bem, porque apesar da quantidade maciça de informação,
Nixon é sempre fácil de acompanhar. Mesmo partindo do princípio que o espectador já sabe algumns factos (principalmente o difícil jogo do quem é quem), é um perfeito filme para leigos na matéria.
Falta falar de Anthony Hopkins que mergulha em Richard Nixon de forma assombrosa, adquirindo os maneirismos e as feições do ex-presidente. É ele um dos grandes responsáveis por trasnmitir a mensagem de Stone, na caracterização daquele homem ambíguo, de duas faces - uma privada e uma pública -, que sempre sofreu por não ser amado, obcecado pela fama e poder, e com um ódio mal digerido pelo seu ex-concorrente directo, John Kennedy, o bem-amado dos americanos. Retrato (possivelmente) redutor e manipulador, é certo, mas é a isto que se chama dramatização.
Oliver Stone podia ser um excelente realizador de propaganda num estado de direita e prova-o aqui. Com um trabalho de edição notável, Oliver Stone domina perfeitamente várias linguagens cinematográficas, cruzando na mesma cena o preto e branco com planos de cores saturadas de super 8, mais imagens de arquivo e muita fita riscada e envelhecida. Além disso, não tem medo de ser politicamente incorrecto, mostrando declaradamente um J. Edgar Hoover mariconço, ou atirando alegadas culpas sobre o assassinato dos Kennedys. Nem parece que este Stone é o mesmo que depois fez a xaropada patriótica de
World Trade Center.
Nixon serve de McRoyal Deluxe para quem gosta de filmes políticos, queira conhecer a situação política dos Estados Unidos no passado recente e/ou queira ver um filme filmado de forma superior e de forma como há poucos.
Posted by: dermot @
9:30 PM
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