Quinta-feira, Novembro 20, 2008
THE KING OF KONG:Título:
The King Of KongRealizador: Seth Gordon
Ano: 2007
The King Of Kong pertence aquele lote restrito de
grandes filmes que nunca ninguém viu. Esperemos que esta prosa altere isso... Este é um documentário simples, honesto, sem pretensões de maior, feito mais por amor à causa do que por propriamente ao cinema.
Lembram-se do Donkey Kong? Aquele jogo do tempo da carochinha (1981, obrigado wikipédia), onde aparecia o Super Mário pela primeira vez? Era um jogo de plataformas, em que tinhamos que subir várias escadas até resgatar a princesa raptada por um macaco gigante, que nos atirava barris e bolas de fogo. Já se lembram? Então e sabiam que existe um campeão do Mundo de Donkey Kong? Pois é. E se existe um campeão do Mundo, quer dizer que também existe um comité para homologar esse recorde. E se existe um comité, significa que também existe uma competição internacional para ver quem é o melhor. E se há isto tudo para o Donkey Kong, quer dizer que também existe para outros jogos clássicos, como o Pacman, o Missile Command ou o Frogger.
Pois é,
The King Of Kong é um documentário sobre este mundo, uma verdadeira freak-América, cheia de cromos, nerds e geeks, daqueles que vivem no sótão da casa dos pais há 30 anos, com os seus óculos fundo de garrafa, os bigodes ridículos e as colecções de livros de banda-desenhada e action-figures. É como aquelas convenções de ficção-científica com que os
Simpsons e o
Family Guy gozam à brava, mas com gente a sério.
Neste caso específico, interessa apenas (ou preferencialmente) o jogo Donkey Kong. E como em todas as competições, não falta uma rivalidade bem acesa, com as devidas polémicas, digna de qualquer campeonato português. Billy Mitchell é o Beckham dos videojogos retro, um tipo todo metrossexual e cheio de bazófia, com mil e um recordes ao longo dos anos, incluíndo um imbatível no Donkey Kong. E Steve Wiebe é o mais normal de toda aquela gente, um tipo que ao ser despedido decidiu que o quer queria ser era o campeão dos sem vida, destronando Billy Mitchell no Donkey Kong. E já o conseguiu uma vez, mas o seu recorde não foi reconhecido por alegada quitagem da máquina. Conseguirá derrotá-lo nos jogos olímpicos dos jogos de computador?
The King Of Kong não é um prodígio do cinema, antes pelo contrário. Não há um padrão constante ao longo de todo o filme (as entrevistas variam entre grandes planos, panorâmicas, planos ao ombro e planos esgroviados), nem sequer um tratamento parcial do assunto, fazendo lembrar os documentários-pop de Michael Moore, levando-nos a colocar de um dos lados da barricada e a querer com todas as forças que o outro lado saia derrotado e humilhado. No entanto, um excelente magnífico trabalho de edição e uma temática extremamente divertida fazem-nos ficar colados ao ecrã da televisão durante todo o filme.
Para rir, chorar (principalmente do ridículo daquela situação, em que demasiada gente, com idade para terem juízo, levam demasiado a sério uns jogos de computador) e, sobretudo, recordar alguma da nossa infância pré-spectrum.
The King Of Kong é o melhor Le Big Mac de 2007 que ninguém comeu.
Posted by: dermot @
4:39 PM
|