Domingo, Novembro 30, 2008
HELL RIDE:Título:
Hell RideRealizador: Larry Bishop
Ano: 2008

Durante as filmagens de
Kill Bill 2, Michael Madsen travou amizade com um dos figurantes, Larry Bishop, ferrenho entusiasta de motas. Bishop terá falado-lhe de uma ideia que tinha para um filme e, por qualquer razão obscura, Madsen achou que seria uma boa ideia. Assim, além de aceitar participar no filme, mexeu uns cordelinhos e puff, fez-se o
Hell Ride. Só eu é que não arranjo amigos destes... Este poderia ser mais um pedaço de lixo a ir directamente para o clube de vídeo que ninguém vê. Mas como traz o nome de Quentin Tarantino acoplado como co-produtor,
Hell Ride tornou-se num pedaço de lixo que algumas pessoas vão ver.
Hell Ride é um biker-movie que surge na peugada do projecot Grindhouse, na legitimação do cinema duvidoso, da xungaria à série-b, passando pelo exploitatinho. Só que com motas. Começando pelo inevitável
Easy Rider (e a maior valência de
Hell Ride é mesmo conseguir colocar novamente Dennis Hopper numa chopper), até às referências de
Hell's Belles ou
The Wild Angels. No entanto, o resultado final é tão bom quanto um
Satan's Sadists. No entanto, enquanto este é tão mau que se torna bom,
Hell Ride, bom... já lá vamos.
O argumento é do mais básico que há e de um filmes deste nada mais se esperava: há uma gangue de motards, os Victors, liderados pelo duro Pistolero (o realizador Larry Bishop é também o protagonista), da qual fazem parte Michael Madsen ou Dennis Hopper; e há a gangue rival, os Six Six Six, liderados pelo ex-jogador do Wimbledon, Vinnie Jones, e da qual fazem parte David Carradine. A separá-los há uma contenda com 20 e tal anos que nunca se chega a perceber o que é.
O problema de
Hell Ride começa logo pela atitude de Bishop, ao dar um polimento super-preocupado ao filme, estilizando-o ao máximo com as muletas que copiou dos seus ídolos, Robert Rodriguez (que anda por lá na banda-sonora) e Quentin Tarantino. Além disso, talvez para agradar a este último, altera-lhe a ordem narrativa e baralha a história na coisa mais confusa de que há memória, terminando tudo num rip-off alarve de
Pulp Fiction.
No entanto, o problema não é só esse. Bishop enche o filme de badasses, de mulheres bonitas com muita pele à mostra, cenas de sexo por todo o lado, armas a torto a direito e vendetas pessoais. E no fim, vemos para aí um par de tiros e apenas uma morte gráfica. Mas que raio de explotation movie é este?
Hell Ride parece que foi apenas o pretexto para Larry Bishop andar a comer uma mão cheia de tipas que, de outra forma, não teria hipótese. E por falar em Larry Bishop, que raio de interpretação é esta? Com uma voz irritante à brava, Bishop confunde estilo com mover-se em câmara lenta.
Hell Ride podia ser um tão bom mau filme, cheio de actores certos para aqueles papéis, mas no final é apenas um bocejo gigantesco. Além do mais, não percebemos metade das coisas à primeira. E mais incrível é que: não há nada para perceber, porque aquilo nem sequer se pode chamar de argumento! Nesta casa a desilusão tem um nome e ele é Double Cheeseburger.
Posted by: dermot @
4:57 PM
|