Quarta-feira, Outubro 01, 2008
O ANTI-PAI NATAL:Título:
Bad SantaRealizador: Terry Zwigoff
Ano: 2003

Diz-se que o Natal é quando um homem quiser. Pois bem, já tenho uma razão com legitimidade suficiente para recuperar
O Anti-Pai Natal.
Em
O Anti-Pai Natal, Billy Bob Thornton é o mais improvável Pai Natal de todos: bêbado, mulherengo (com uma estranha fixação por mulheres gordas), brejeiro e completamente desprovido de qualquer emoção. Aliás, Billy Bob Thornton só mantém este trabalho de Pai Natal durante os Dezembros porque tem um esquema com o anão Marcus (Tony Cox) para roubarem as superfícies comerciais onde trabalham. Billy Bob Thornton é uma espécie de
Dr. House, mas em versão malvada.
Por tudo isto, é natural que
O Anti-Pai Natal seja encarado como uma subversão do filme de Natal. No entanto, ter um recorde de
f-words num filme natalício não significa ser subversivo coisa nenhuma.
Matança De Natal sim, é um filme suberviso! Agora,
O Anti-Pai Natal não. Um buddy-movie ainda sou capaz de aceitar. Mas a sua estrutura é tão óbvia - o protagonista desesperançado que tem uma epifania e um final feliz bem polidinho -, que por vezes chegamos a duvidar se o filme que estamos a ver é mesmo o aquele com o pai natal calão.
O Anti-Pai Natal poderia então ser apenas mais um filme de Natal disfarçado. Mas felizmente não é e podemos dar o nosso tempo por bem empregue. Com um tipo de humor não muito imediato, próximo do que nos habituou Bernie Mac na sua sitcom, por exemplo,
O Anti-Pai Natal é um filme nada pretensioso que não se esforça por ter piada. A câmara fixa-se em Billy Bob Thornton e espera que ele acta simplesmente, disparando em todas as situações. Billy Bob Thornton é o melhor pai natal de sempre: embebeda-se, pragueja e mija-se pernas abaixo, sempre com crianças ao colo.
Claro que ajuda ter um miúdo gordo e irritante como sideckick: Brett Kelly tem uma personagem brutal. Ao viver sozinho com a sua avó que já tem um parafuso a menos, o miúdo transformou-se em algo que redifine todos os conceitos de ingenuidade. Como uma espécie de Nell, versão taralhoca.
Infelizmente, o argumento de
O Anti-Pai Natal parece uma manta de retalhos, em que às vezes parece que nem estamos a ver o mesmo filme. As cenas avançam e recuam às vezes sem sentido, as personagens têm desenvolvimentos que ninguém percebe deonde vêm e existem mesmo cenas que caem do céu, completamente desfazadas do restante. Utilizando uma metáfora,
O Anti-Pai Natal parece um condutor que quando vai a esticar a quarta, reduz para primeira. A comédia é tão mal tratada em Hollywood, mesmo a que nos faz verdadeiramente rir.
O Anti-Pai Natal é, no entanto, um dos melhores filmes de Natal de que há memória. Tudo, porque o pai natal também pode ter dias maus... Antes de ir, deixo aqui a dica: quem é que faz um estudo acerca da relação entre a qualidade de um filme de Natal com a qualidade dos temas da banda-sonora? Por exemplo, este tem o
Let it snow cantado pelo Dean Martin e vale um McBacon, pode servir de unidade de referência, estão a perceber?
Posted by: dermot @
1:07 PM
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