Terça-feira, Outubro 14, 2008
ALTA TENSÃO:Título:
Haute TensionRealizador: Alexandre Aja
Ano: 2003

Ultimamente, por um motivo ou por outro, tenho falado aqui da nouvelle vague de terror. No entanto, quase que é inadmíssivel fazê-lo quando nunca falei do filme que despoletou toda esta nova vaga de filmes de terror franceses. Estou a falar de
Alta Tensão, o filme sensação de Alexandre Aja, que lha valeu o bilhete directo para Hollywood, onde actualmente está a realizar uma coisa que me deixa em pulgas:
Piranha 3D(!).
Alta Tensão é um filme que já vimos mil e uma vezes, só que falado em francês: um par de amigas (Cécile De France e Maïwenn Le Besco) vão para a casa dos pais da segunda, no interior rural do sul francês para passarem o fim-de-semana, quando surge do nada um redneck sanguinário (Philippe Nahon) que desfaz em bocadinhos aquela gente toda.
Alexandre Aja começa por fazer uma coisa muito natural: situar o seu filme na França. Tal como
Coisa Ruim captava a portugalidade do Portugal rústica, das mezinhas e das superstições,
Alta Tensão tenta fazer o mesmo com o interior francês. Não sei se o consegue, porque não conheço o meio, mas connosco, estrangeiros, funciona. E só depois disto é que colecciona os clichês do género: a casa sitiada/assombrada, ao jeito de
A Casa Maldita e o serial killer que funde num só todos os monstros de quatro décadas de terror: desloca-se numa lata velha e grande como o monstro de
Jeepers Creepers, move-se a uma velocidade caricatamente lenta como os assassinos dos slashers tipo
Sexta-Feira 13 e é brutalmente mau como os sanguinários vilões dos exploitation movies.
Alta Tensão revitaliza os medos do cinema de terror norte-americano dos anos 70, mas liberta-o dos temores políticos. É apenas um assumido filme de terror, sem qualquer background ou pretensão. Violência pura e dura, quase gratuita e pornográfica, onde só falta a segunda parte da equação blood, boobs and gore para ser perfeito. Não é um grande filme, mas Aja consegue casar na perfeição a quantidade certa de suspense com a de grafismo violento. Por isso, sem ser genial,
Alta Tensão parecia merecer os nossos aplausos.
Infelizmente, tudo muda no final. Primeiro, é inserido na história um carro desportivo amarelo (olá
Kill Bill) e nós pensamos que vamos ter girl power à la
À Prova De Morte:
he messes with a dyke chick - big mistake. Afinal não, mantém-se tudo na mesma. Na mesma não, porque no final há um twist super-desonesto, daqueles capaz de arrasar qualquer filme. E
Alta Tensão é tão frágil que não se aguenta e, qual castelo de cartas, desaba ali por baixo de forma vertiginosa, que ficamos tão deprimidos que já nem somos capazes de apreciar um autêntico banho de sangue que acontece na penúltima cena.
Pior do que ser pretensioso, é fingir que é honesto para, no fim, se armar em espertalhão. Double Cheeseburger com ele!
Posted by: dermot @
10:29 PM
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