Terça-feira, Outubro 07, 2008
10.000 AC:Título:
10,000 BCRealizador: Roland Emmerich
Ano: 2008

Confesso que não percebo as pessoas que têm arrasado
10.000 AC com as justificações de a) ter homens primitivos a falar inglês-americano correcto, b) ser historicamente incorrecto, uma vez que na pré-história não haviam tigres dentes-de-sabre e/ou c) ter demasiados monstros. Mas será que toda a gente se esqueceu do conceito de entretenimento? Quando eramos pequenos ficávamos acordados até às tantas às escondidas, só para ver na última sessão os monstros de
A Ilha Do Dr. Moreau ou do
King Kong. Até parece que temos vergonha de revelar que gostamos de ver monstros de plástico com parkinson a lutar. Toda a gente sabe que quem quer ver filmes históricos, vê
A Guerra Do Fogo. Que por acaso até era aquela injecção que apanhávamos sempre nas aulas de História e que só tolerávamos para ver os homens-macaco a mocarem uns com os outros.
O que torna ainda mais ridículo nestas críticas a
10.000 AC é que o filme tem tanto para dizer mal, que nem se percebe porque é que se agarram ao óbvio. Aliás, o difícil mesmo é achar algo de bom no filme: os actores são maus, a protagonista usa vestidos de ir a coquetailes e os bons escapam sempre ilesos das peripécias. Contudo, também tenho que confessar: eu gostei. Mas eu sou suspeito, uma vez que acho piada ao entretenimento desmiolado do Roland Emmerich, o Ed Wood dos grandes orçamentos, como lhe chama a minha amiga
Sara. Eu até gostei do
Godzilla, vejam lá bem.
O argumento minúsculo de
10.000 AC resume-se ao clichet clássico dos épicos do género: homem pré-histórico ama mulher pré-histórica (que crescida está Camilla Belle); tribo bárbara rapta mulher pré-histórica; homem pré-histórico vai resgatar mulher pré-histórica; final feliz. Obviamente que depois há pelo meio (ou tenta haver) um sub-enredo que envolve profecias milenares - obviamente que o homem pré-histórico é um
the choosen one, nada que espante, visto que até Jesus Cristo o era -, extraterrestres a construírem pirâmides, esquimós misturados com etíopes e a sugestão de que os reis egípcios descendem directamente dos Atlantes...
10.000 AC é uma mistura de
Apocalipto com
300, versão tresloucada, mas sem a diversão destes. Infelizmente, falta-lhe ali qualquer coisa que não sei bem o quê. E não são as perseguições desenfreadas, os combates loucos e os monstros gigantes inesperados, porque isso tem às toneladas. Emmerich tem como principal intuito o entretenimento e, por isso, não esperem deenvolvimentos dramáticos das personagens, que se limitam à unidimensionalidade.
10.000 AC é como
Armageddon: não se pode fazer fogo no espaço, mas se é necessário um astronauta fazer uma faísca para se conseguir uma explosão que acaricie o nosso cérebro, então vamos a ela.
Com cenários abismais e monstros gigantescos, todos feitos em CGI,
10.000 AC utiliza a masturbação digital para o empolgamento visual e sonoro dos espectadores, que podem desligar os cérebros à vontade para hora e meia de diversão pura e dura. Esqueçam o cinema intelectual e abram os vossos horizontes para a xungaria série-b, que é para isso que existe a silly season e os McChickens.
Posted by: dermot @
10:55 PM
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