Segunda-feira, Setembro 22, 2008
A SENHORA DA ÁGUA:Título:
Lady In The WaterRealizador: M. Night Shyamalan
Ano: 2006

Já aqui revelei anteriormente que M. Night Shyamalan é um dos meus novos realizadores favoritos, um tipo que filma excepcionalmente bem. Por isso, visto que há aí filme novo, competia-me primeiro pôr em dia a filmografia do senhor.
A Senhora Da Água foi massacrado pela crítica. Nada que apoquentasse, tendo em conta que todos os filmes de Shyamalan, desde
O Sexto Sentido, têm sido criticados. Basicamente, todos pela mesma razão: ou porque não são suficientemente assustadores, ou porque o twist final é fraquinho. Razões mais do que insuficientes, principalmente quando Shyamalan nunca realizou um filme de terror.
Shyamalan pode ser o novo mestre do suspense, o descendente directo do mestre Alfred Hitchcock, mas
A Senhora Da Água nada tem a ver com esse universo. É antes uma fábula de crianças para gente adulta, um história da carochinha para nos lembrar a todos nós, crescidos, que devemos continuar a acreditar em elfos, fadas, unicórnios e outras fantasias, sob o risco de nos tornarmos uns cinzentões obtusos neste mundo cão que tem cada vez mais horror.
A Senhora Da Água é o desenvolvimento de uma história que Shyamalan contava aos seus filhos para eles dormirem, acerca de uma entidade aquática (a bela Bryce Dallas Howard) que se mistura num condomínio privado para, com a ajuda do porteiro Paul Giamatti, levar a bom porto uma demanda milenar e o inevitável final feliz. A comunidade é assim um herói colectivo metade cliché, metade circo de aberrações, como o divertido Reggy (Freddy Rodríguez), que apenas treina o lado direito do seu corpo.
Mas pior que os clichés, são as personagens completamente esteriotipadas, como o crítico de cinema interpretado por Bob Balaban. Shyamalan queria dar uma alfinetada aos seus detractores com esta personagem, mas a coisa é tão ridícula que acaba por dar a volta e tornar-se risível. E o personagem que vai salvar o mundo podia muito bem não ser o próprio realizador, no seu habitual cameo, porque assim ganha umas proporções bem pretensiosas e egocêntricas. Mas isto é uma história para miúdos, dizem-me vocês. Isso até podia ser verdade, se Shyamalan não filmasse num tom tão sério, levando o filme tão a sério.
A fábula que Shyamalan cria nem é original, nem uma repescagem das habituais histórias fantásticas. É antes um copy paste de características mais ou menos interessantes, que não colam uns com os outros: há uma ninfa que tem que ser resgatada por uma águia gigante, um cão de relva que a quer matar, uns macacos ferozes que impõem respeito naquela gente toda, um simbolista, uma guilda e um curandeiro que ninguém percebe muito bem para que servem. Mas o pior mesmo é o impacto imediato que a história tem nas personagens, que em vez de se irem habituando gradualmente à ideia de estarem perante seres fantásticos, agem como se tudo aquilo fosse perfeitamente habitual.
A Senhora Da Água vale então para ver a ruiva Bryce Dallas Howard e a forma exemplar de filmar de M. Night Shyamalan, com os seus enquadramentos certeiros ou os travellings aéreos perfeitos. Em contrapartida, Paul Giamatti tem o gaguejar mais ridículo alguma vez visto fora de uma comédia screwball dos anos 90.
A Senhora Da Água vai ser visto para sempre como a mancha na filmografia de Shyamalan e está para o cineasta como
Jack está para Coppola, por exemplo. Um Cheeseburger que toda a gente prefere ignorar.
Posted by: dermot @
6:49 PM
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