Terça-feira, Setembro 16, 2008
O RITUAL DOS SÁDICOS aka O DESPERTAR DA BESTA: Título:
O Ritual Dos SádicosRealizador: José Mojica Marins
Ano: 1970

Apesar de ser um dos maiores ícones do cinema de terror, se tirarmos a triologia do Zé do Caixão os filmes de José Mojica Marins são, basicamente, pedaços de lixo (salvo raras excepções). E no mau sentido, porque, na maioria dos casos, são fantasias dementes série-z ou filmes soft/hard-core porn distorcidos. Por isso, neste universo de cinema mau, surge
O Ritual Dos Sádicos (também conhecido amiúde por
O Despertar Da Besta), que, mesmo não sendo bom, destaca-se dos demais pelo seu experimentalismo.
A sinopse explica que este é um filme onde alguns destacados psiquiatras brasileiros, mais José Mojica Marins a fazer de si próprio, se juntam para debater os efeitos nefastos das drogas. Até que um deles sugere uma experiência invulgar: submeter quatro voluntários com um historial de abusos de narcóticos a umas doses de LSD e expôr-lhes a imagem do Zé do Caixão.
Apesar de parecer que o filme tem um argumento,
O Ritual Dos Sádicos é apenas uma sucessão de episódios disconexos cada vez mais perturbadores e distorcidos, onde são recorrente as drogas, as violações, os espancamentos e as drogas e as violações e os espancamentos ao mesmo tempo. O resultado é tão demente, que o filme foi rejeitado pela censura e votado ao ostracismo durante várias décadas.
José Mojica Marins é uma espécie de Russ Meyer invertido: tem uma obsessão pelas mulheres, mas em vez do girl power tem a misoginia. Para ele, as mulheres só servem para cobrir, procriar e levar porrada. Por esta ordem. E às vezes só levar porrada. Para além disso, partilha ainda o mesmo estilo de filmar retro de Russ Meyer, com alto sentido sexual e libidinoso, mostrando muito pouca pele. José Mojica Marins prefere mostrar antes gore, muito gore. E em câmara-lenta. Como nos bons velhos tempos do giallo italiano.
O Ritual Dos Sádicos acaba por ter um resultado, no mínimo, curioso. Apesar de ser querer ser um filme anti-drogas, acaba por ser exactamente o oposto, tal como nos filmes norte-americanos de propaganda anti-hippies dos anos 60, que queriam convencer os jovens a não experimentar as drogas e o seox livre ao mostrar-lhes horas e horas de tipas nuas a divertirem-se à grande. Claramente paradoxal.
Mas o grande interesse de
O Ritual Dos Sádicos surge no fim, quando as tais cobaias experimentam o LSD. E então, Zé do Caixão goes psychadelic, num trip-movie alucinante, onde José Mojica Marins cria atmosferas doentias e macabras, com o seu alter-ego sempre em evidência e com uma passagem do preto e branco para as cores saturadas que fazem
O Feiticeiro De Oz corar de inveja.
O Ritual Dos Sádicos tem muito pouco interesse como filme, salvo alguns apontamentos simbólicos mais interessantes, uns planos mais experimentais e a banda-sonora com muito ié-ié brasileiro, na onda dos Mutantes (façam um favor a vocês e descubram a música inicial da Denise De Kalafe, como esta que vem já a seguir, cortesia do youtube). Serve para ver, mas não para recordar durante muito tempo. E o Happy Meal já tem em consideração de que estamos a falar do enorme Zé do Caixão.
Posted by: dermot @
10:15 AM
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