Quinta-feira, Setembro 11, 2008
O REINO PROIBIDO:Título:
The Forbidden KingdomRealizador: Rob Minkoff
Ano: 2008

Durante a nossa infância, só tínhamos um sonho cinmeatográfico: que se fizesse um filme com o Scwarzenegger e o Stallone juntos. Havia sempre alguém que dizia que já estava a ser feito e, como na altura não havia internet para confirmarmos, ficávamos sempre à espera que tal maravilha chegasse às prateleiras do clube de vídeo. Infelizmente, nunca chegou. Hoje em dia, os heróis de acção são outros. E, bons ou maus, o que é certo é que
O Reino Proibido marcou o encontro de dois titãs das artes marciais: Jackie Chan Jet Li. Tivesse eu 12 anos e tínha-me espumado todo. Como já não tenho, espumei-me só um bocadinho.
Por muita banhada que Jackie Chan e Jet Li tenham feito em Hollywood, é impossível negar que são os dois maiores mestres das artes marciais do cinema contemporâneo. E os filmes da fase oriental, tanto de um como do outro, são fenomenais. Por isso, vê-los juntos no mesmo filme vale sempre a pena. Nem que tenha cinco horas de duração e nenhum argumento. Felizmente, este até tem um argumento e logo baseado no clássico de Wu Cheng'en,
A Jornada Para O Oeste, uma espécie de
O Senhor Dos Anéis versão oriental, que influencia quase tudo o que é fantasia oriental, inclusive o
Dragon Ball.
O que não estávamos à espera é que esta reutilização do universo de Wu Cheng'en fosse feita pelo realizador de
O Rei Leão, que tivesse um miúdo americano como herói e tivesse a clássica estrutura dos anos 80 em que um adolescente com problemas sociais é treinado por um mestre do kung fu até se tornar numa máquina lutadora em apenas quinze dias.
O Reino Proibido começa assim; Jason (Michael Angarano) é um miúdo viciado em cinema de artes-marciais e vítima de bullying. Certa noite, os rufias obrigam-no a assaltar um velhote de Chinatown e, de repente, Jason é transportado para uma realidade alternativa, onde vai embarcar numa demanda milenar para salvar o Reino Proibido, ao lado de Jackie Chan, Jet Li e, claro, um elemento feminino para dar o toque romântico à coisa (Yifei Liu) e angariar algumas miúdas às salas de cinema.
O Reino Proibido é um filme esquisito porque não é tão bom quanto queríamos que fosse, mas também não é tão mau quanto promete. Por exemplo, formalmente vê-se que o realizador fez o trabalho de casa, com as referências certas, não só ao livro de Wu Cheng'en, mas também a todo o cinema de Hong Kong e dos estúdios dos irmãos Shaw, mas como Rob Minkoff não é Quentin Tarantino, nada daquilo é filmado como deve realmente ser. Contudo, apesar da cinematografia tipicamente norte-americana, Minkoff não cai na tentação de editar o filme como se estivesse a tentar deixar toda a gente com dor de cabeça (ouviste Tony Scott, esta indirecta era para ti), filmando as longas cenas de pancadaria de forma a que a gente realmente as perceba.
É que em
O Reino Proibido a pancadaria é que realmente interessa. E nisto é irrepreensível. As coreografias são óptimas, com o seu quê de originais e refrescantes, sem nunca se repetirem, sem abusar do wi-fu nem tão pouco da magia gi. Além disso, tem a tão ansiada luta entre Jackie Chan e Jet Li, apesar de terminar com o politicamente correcto empate. E se Jackie Chan repete o seu drunken master, o qual lhe valeu os melhores filmes da sua filmografia, Jet Li cria um divertido Rei Macaco, longe da ideia que tínhamos do
Macaco de Ferro. É certo que não é um
O Tigre E O Dragão, mas também ninguém estava à espera de tanta sofisticação.
Infelizmente,
O Reino Proibido é demasiado juvenil e demasiado norte-americano. Muita música triunfal e dramática a sublinhar os momentos-chave, as muletas dramáticas do costume e muita parvoíce sentimental. Contudo, tudo é feito certinho e posto no sítio certo, ilustrado com cenários avassaladores, centenas de extras e figurantes e, claro, muitas coreografia wi-fu.
O Reino Proibido é entretenimento de alta qualidade para miúdos e graúdos (esqueçam lá
As Crónicas De Nárnia), uma espécie de
Willow Na Terra Da Fantasia versão kung fu. E o McBacon não ofende ninguém.
Posted by: dermot @
4:20 PM
|