Sábado, Setembro 27, 2008
O ORFANATO:Título:
El OrfanatoRealizador: Juan Antonio Bayona
Ano: 2007

Devíamos pôr os olhos na produção cinematográfica espanhola, ainda por cima quando estamos aqui tão perto. Espanha tem uma indústria de cinema inteligente, rentável e sustentável, que os tem posto na vanguarda do melhor cinema europeu. Sem comprometer o seu valor artístico, têm sabido explorar na perfeição a componente comercial, em clara sintonia com Hollywood, com quem têm trocado autores e investimento. Tudo isto resulta numa nova vaga de realizadores brutais, que andam a filmar como poucos.
O Orfanato chegou-nos este ano ao Fantasporto rotulado como o favorito. Apesar de ser realizado pelo desconhecido Juan Antonio Bayona, trazia a bela Belén Rueda no papel principal (que todos nos lembramos de
Mar Adentro) e, claro, o carimbo do em voga Guillermo Del Toro como produtor. Contudo,
[REC] acabou por surpreender todos ao arrebatar os prémios principais, em claro prejuízo para
O Orfanato, que acabou por passar despercebido. Apesar de também ser filmalhaço,
[REC] é um filme muito mais imediato e que funciona mais como primeira experiência do que como filme em si.
Belén Rueda é Laura que, com o seu marido (Fernando Cayo), compram o antigo orfanato vitoriano onde ela cresceu para transformarem numa espécie de residência para miúdos defecientes. Contudo, como em todas as histórias fantásticas, o orfanato assistiu há muitos anos atrás a uma tragédia com os seus miúdos, uma ferida que se mantém aberta com todos os seus fantasmas. E esses vão raptar-lhe o filho, o adoptado e seropositivo Simón (Roger Príncep).
O Orfanato não é um simples filme de fantasmas, nem tão pouco o habitual lugar-comum da casa assombrada. É antes uma espécie de
Alice meets
Poltergeist, que por sua vez goes
O Sexto Sentido. Do primeiro importa o sofrimento parental de quem perde um filho; do segundo repesaca a faceta paranormal da casa assombrada. E do último vai buscar o twist final vs contra-twist, apesar de não ser tão assumido. Tudo isto filmado como de forma superior, servindo-se na arquitectura, dos grandes espaços em oposição aos espaços mais claustrofóbicos e da banda-sonora. Como um M. Night Shyalaman, por exemplo, ou Alejandro Amenábar, em
Os Outros.
O cinema de fantasmas de Guillermo Del Toro também não é um corpo estranho, nomeadamente
O Labirinto Do Fauno, na atenção que dispensa às crianças, peça fundamental deste puzzle fantasmático. No entanto, ao contrário das histórias de monstros de Del Toro,
O Orfanato é muito menos fantástico do que pode parecer ao início. O Orfanato é filmaço e resulta a todos os níveis. E o primeiro nível é o Royale With Cheese.
Posted by: dermot @
3:28 PM
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