Sexta-feira, Setembro 05, 2008
HIENA:Título:
HienaRealizador: Grzegorz Lewandowski
Ano: 2006

Se havia coisa que faltava em Lisboa era um festival de cinema de terror. E melhor que um festival de cinema de terror, só mesmo um bom festival de cinema de terror. O
MotelX é, por isso, um projecto assinalável, que preza a qualidade em detrimento da quantidade (até porque não tem condições para isso) e que, no futuro, poderá muito bem ser o Fantasporto do sul. E além disso, cumpre a principal função de um festival de cinema: para além das retrospectivas e das homenagens aos mestres, dá a conhecer filmografias e obras desconhecidas que, de outra forma, não teríamos possibilidade de ver.
O filme polaco
Hiena é um desses casos. Apesar de vir de uma filmografia que, ultimamente, tem tido algum destaque (alguém mencionou o novo cinema polaco?),
Hiena é um objecto praticamente desconhecido, que nem no imdb tem muita informação disponível. O que não deixa de ser estranho, tendo em conta a sua qualidade.
Apesar de ser apresentado por um festival de terror,
Hiena nada deve ao slasher, ao gore, ou ao horror mais gráfico, como seria de esperar. É antes um filme de atmosferas (sombrias e bem carregadas, claro), que causa mais medo ao espectador pelos ambientes em si do que pelas próprias personagens, por mais horrendas que elas sejam. É um filme herdeiro de uma certa tradição russa, onde não é inocente o nome de Tarkovsky e aquela sua perícia de esculpir o tempo.
Hiena é a história de um antigo lugarejo industrial no meio da Polónia, um daqueles locais que se consomem a si próprios e que dão a ideia que já deviam ter sido abandonados há muito tempo. E, como se sabe, todas as localidades com esse estigma tendem a ocupar os buracos vazios com algo. No Barreiro, por exemplo, a população vai preenchendo-os com música e muita criatividade. Aqui, vão criando histórias, fábulas e fantasias, que servem para dar uma certa aura de mistério às mortes que se vêem sucedendo na zona.
Shorty (Wojciech Grzywa) é um miúdo e como todos os da sua idade, cria a sua própria história para justificar os factos: uma antiga família filha da desgraça, morta pelas chamas, que voltou do além para, à noite, se transformar numa hiena e matar quem apanha pelos bosques.
Hiena é labiríntico e cruza o fabulástico com o real, numa espécie de primo afastado de
O Labirinto Do Fauno. Só que em vez de monstros, aqui temos um amigo imaginário com a cara toda queimada.
Hiena vai criando atmosferas sufocantes e claustrofóbicas, desnorteando o espectador ao recorrer constantemente à repetição do argumento. Com pequenos apontamentos subtis e uns flashbacks a preto e branco verdadeiramente brutais,
Hiena destaca-se sobretudo pela fotografia maravilhosa. No fim, o círculo fecha-se e o assassino é revelado, deixando-nos, no entanto, confusos durante mais uma boa meia hora até conseguirmos colocar as peças todas no lugar certo. O tempo suficiente para ir comer um McBacon ou uma sandocha ao Subway, que é logo ali ao lado do S. Jorge.
Posted by: dermot @
6:47 PM
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