Domingo, Setembro 07, 2008
ELES:Título:
IlsRealizador: David Moreau & Xavier Palud
Ano: 2006

Depois de anos a fio entretidos com pseudo-intelectualismos, os franceses voltaram a fazer cinema de terror, género em que, por acaso, até têm grande tradição (alguém falou no Méliés). Aliás,
La Manoir Du Diable é, segundo consta, o primeiro filme de terror de sempre.
Alta Tensão abriu as portas áquilo que já se apelida da nouvelle vague do terror, onde novos cineastas franceses andam a actualizar os clássicos norte-americanos politizados dos anos 70.
Eles é um dos mais desconhecidos tomos desta recente história, apesar de ter tido relativo sucesso entre-portas. Filme de baixo orçamento - a imagem cheia de grão não deixa enganar - e realizado na Roménia,
Eles acabou por receber atenção devido ao facto de ser
baseado em casos reais. Mais propriamente, num casal que acabou por ser assassinado por miudinhos enquanto passavam um fim de semana de férias. É incrível como esta mensagem é usada de forma tão leve. É certo que
Eles é sobre um casal a ser atacado por uma gangue de gaiatos, mas de resto nada tem a ver com o suposto caso real. Enfim, publicidade gratuita e fácil... Adiante.
Clementine (Olivia Bonamy) e Lucas (Michaël Cohen) são então um casal francês a viver na Roménia, numa vivenda antiga e gigante no meio do nada. Depois de quinze minutos de telefilme das tardes da TVI, em que nada se passa, os dois ouvem um barulho estranho durante a noite. De repente, estão sitiados na própria casa, a serem atacados e assaltados por vários vultos, que nunca passam disso mesmo: vultos.
Os realizadores tentam evitar o grafismo e apostam no máximo na sugestão. Durante o filme quase todo, os atacantes nunca se vêem. O que ao fim de um bocado nos leva a pensar: mas eles andam a fugir do quê? É que a única ameaça que nos apercebemos são uns gritos ocasionais, de quando em vez. Andam a fugir de gritos? Uhh.. assustador. Assim, temos hora e meia de fugida, por sótãos, caves, quartos e, no fim, um bosque a perder de vista, saido sabe-se lá deonde.
Como se isto não bastasse, as vítimas só sabem... fugir. Será que ninguém se lembrou de pegar em alguma coisa para se defender? Sei lá, talvez um pau. Mas depois vemos o mariquinhas que é a parte masculina da história e percebemos porque é que isso nunca acontece. Então o homem leva com uma porta no cu e fica logo derrotado?
Foge que eu não consigo subir uma rede com metro e meio de altura. O quê? E isto para não falar dos maus que, quando aparecem , morrem logo só por soprarem para cima deles. Se eles são assim tão fraquinhos, porque raio é que andam a fugir deles?
Eles tinha um potencial do catano: miúdinhos de 10 anos psicopatas e homicidas é muito mais assustador do que um simples twist final. Também se percebe que se prefira filmar um filme sugestionável do que um gráfico, dá mais credibilidade e sofisticação à coisa. Mas para se fazer isso é preciso saber. Quando não se sabe, aposta-se no óbvio: sangue. Nisso, pelo menos, toda a gente sabe.
Eles talvez não mereça um Cheeseburger, mas visto no meio de um festival de terror, no meio de tanta cosia demente, sai claramente prejudicado.
Posted by: dermot @
11:05 AM
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