Domingo, Setembro 07, 2008
DIÁRIO DOS MORTOS:Título:
Diary Of The DeadRealizador: George A. Romero
Ano: 2007

Pode-se dizer que o pai dos zombies está, definitivamente, de volta. Depois de vários anos sem filmar, George Romero voltou à sua saga dos mortos com
Terra Dos Mortos. Tomou-lhe o gosto e, dois anos depois, voltou à carga, desta vez com
Diário Dos Mortos, num regresso ao filme independente ao fim de 20 anos.
Romero deve ter andado a ver
Missão De Código: Cloverfield ou
[REC] e aproveitou essa nova tendência do mockumentário de terror para fazer o seu. Com zombies, obviamente. Nasceu assim
Diário Dos Mortos, que regressa ao dia em que tudo começou, em
A Noite Dos Mortos-Vivos, para acompanhar um grupo de jovens estudantes de cinema até às suas casas.
A estrutura já foi utilizada anteriormente por Romero - o do survivor juvenil. Contudo, o realizador continua a sua cruzada na crítica social contemporânea e nas vicissitudes morais que, no fundo, são sempre o leitmotiv dos seus trabalhos. Desta vez são os media, a globalização, a massificação da informação e a liberdade do vídeo que são abordadas, com algumas cenas subversivas bem fortes: a do professor que mata a própria aluna e entrega a arma ao cameraman, desabafando
é tão fácil matar com isto, ou a propaganda que o governo faz ao editar os seus próprios noticiários, de forma a manipular a opinião pública, o que leva o actor colectivo do filme a filmar a sua própria aventura.
Diário Dos Mortos é, por isto, um
15 Minutos goes
[REC].
Só é pena Romero voltar a abusar das personagens esteriotipadas, como o tal professor inglês alcoolico, os polícias salteadores, ou os pretos que se unem numa força suprema por
terem o poder dominante pela primeira vez. Esta unidimensionalidade tira força ao realismo e ao impacto do filme feito na primeira pessoa, de câmara ao ombro, que é reforçado pela quantidade disparatada de one-liners que são debitadas sempre que um zombie é decapitado/alvejado/atropelado/electrocutado/trespassado.
Hilariante acaba por ser a explicação que Romero dá para o facto de, nos filmes de terror, a
mocinha ser sempre perseguida num bosque por um vilão que corre em câmara-lenta, terminando irremediavelmente desnudada. Isso e o episódio com um amish mudo, melhor que qualquer comédia que por aí ande. Com tanta série-B, Romero escusava de se tentar levar tanto a sério, com uma narradora drama queen ou a banda-sonora gratuita.
É certo que Romero já não tem a frecura de outrora, mas continua a ser politicamente incorrecto de forma deliciosa, capaz de tirar do sério o espectador mais embrutecido e anestesiado pelo lixo constante de Hollywood. Não é tão bom como os mortos originais, mas está ao nível de
Terra Dos Mortos. E eu gostei de
Terra Dos Mortos. Pronto, está um bocadinho abaixo, um bocadinho no McBacon.
Posted by: dermot @
11:02 AM
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