Terça-feira, Agosto 19, 2008
WALL-E:Título:
WALL-ERealizador: Andrew Stanton
Ano: 2008

É sabido que a Pixar é a nova Disney e, por isso, cada nova estreia é antecida (e precedida) de grande entusiasmo. É o resultado de uma dezena de desenhos-animados brutais, que têm aumentando o nível de filme para filme e roçado a perfeição em ocasiões como
Os Incríveis. E agora, eis
WALL-E, fenómeno das bilheteiras, da imprensa, dos blogues e, especialmente, do IMDB. Desde que começou 2008 só houve maior hype com
O Cavaleiro Das Trevas. E porque morreu Heath Ledger.
WALL-E é a estória tocante de um pequeno robot com o mesmo nome e inspirado no icónico Johnny 5, de
Curto-Circuito. WALL-E é um robot de limpeza, programado para recolher detritos e transforma-lo em cubos compactados, numa Terra desabitada e coberta de lixo. WALL-E manteve-se activado enquanto tudo o resto pereceu, continuando as suas funções e desenvolvendo uma espécie de humanismo, à medida que vai coleccionando pequenos objectos insignificantes, que junta num contentor-santuário a que chama casa e que compartilha com o sidekick menos irritante de sempre da história da animação, uma barata.
WALL-E move-se então por um cenário pós-apocalíptico e deserto, que tira partido das grandes panorâmicas, como se Sergio Leone andasse a filmar
Eu Sou A Lenda. E tudo isto sem uma única fala ou diálogo, apenas sons computurizados, à medida que o robot se vai tornando num ser humano, descobrindo o mundo como uma criança e experimentando aquilo a que chamamos sentimentos e que nos dão expressão humana.
WALL-E é como
Inteligência Artifical ou mesmo o mito do
Pinóquio: um boneco que quer ser como os homens.
A primeira parte de
WALL-E é simplesmente perfeita, desde à qualidade técnica do filme, passando pelos pequenos pormenores, até à banda-sonora, tudo é sublime e feito com uma precisão milimétrica. Depois é inserido no argumento um robot-feminino, EVE, e pronto, já se está a ver o que vem daí: uma aventura romântica tocante e sensível, com a crítica social como pano de fundo, alertando-nos para uma vida consumista, sedentária e impessoal.
WALL-E é um filme arriscado; um desenho-animado sem diálogos durante a primeira hora de filme e muita filosofia existencialista, com as respectivas mensagens morais e críticas subversivas. WALL-E é como o Senhor Hulot, em
Playtime - Vida Moderna, uma figura de tempos idos, com muita personalidade, que quando inserido no
admirável mundo novo, hermético e asséptico, vai ser visto como um intruso e contaminar aquele ambiente controlado, trazendo o caos. E do caos nasce o equilíbrio. E o equilíbrio é amor. E os silogismos dão para quase tudo, desde que tenhamos imaginação.
Há ainda referência a
2001: Odisseia No Espaço, com um computador-mãe vocalizado por uma
mãe bem famosa, Sigourney Weaver, e essa remininscência não é inocente. São muitas as semelhanças entre os dois filmes, pela abordagem que fazem à condição humana, ao livre-arbítrio e, especialmente, aquilo que o cinema nos tenta dizer desde o início: nunca na puta da vossa vida tentem fazer um robot com inteligência própria!
WALL-E é, sem sombra de dúvidas, um Royale With Cheese, complementado com uma theme songo do Peter Gabriel bem adequada, uns genéricos finais geniais e uma curta de início bem engraçada, onde a PIXAR goes Disney vintage. Mas atenção, porque este é um daqueles Royale With Cheese, estão a ver a entoação diferente?
Posted by: dermot @
12:10 AM
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