Quarta-feira, Agosto 13, 2008
VIGILÂNCIA:Título:
SurveillanceRealizador: Jennifer Chambers Lynch
Ano: 2008

Ter um pai famoso e com dinheiro é uma coisa espectacular! Foi isso que pensou a filha do David Lynch, quando acaba de sair da adolescência e, provavelmente, a atravessar uma crise de identidade em saber o que fazer no futuro, lembrou-se de experimentar fazer um filme, para ver se gostava. Cordelinhos mexidos, uns contactos aqui e outros ali e voilá: eis
Boxing Helena.
Boxing Helena, apesar da premissa interessante e de um par de momentos giros, assemelhou-se a um desastre de viação. Apesar de realizado em 1993, cheirava ainda a anos 80 por todo o lado e... como é que eu hei-de dizer isto... era mau! Tão mau que até tinha uma cena softcore série-B ao som de Enigma(!). Quem se safou de boa foi a Kim Basinger, que há última da hora deu o dito por não dito e desistiu do filme. Perdeu milhares de dólares em indemnizações, mas ao menos não ficou ligada a isto.
Mas Jennifer Chambers Lynch tinha apenas 23 anos na altura. Era uma miúda imberbe, inexperiente e, por isso, demos-lhe o benefício da dúvida.
Ah e tal, talvez a rapariga se faça, pensava eu na altura. Por isso, 15 anos depois, eis o regresso à realização com
Vigilância. E nós fomos ver, convencidos que podia ser bom. Notícia: não é. E é ainda pior que Boxing Helena.
Vigilância começa como qualquer slasher que se preze começa: com um casal a dormir descansadamente, quando um par de mascarados (e as máscaras são mesmo o melhor do filme) irrompe casa adentro e os desfaz à pancada. Isto passa-se num lugarejo no interior dos Estados Unidos, onde todos os polícias têm problemas em lidar com o poder e as mulheres servem apenas para cozinhar, limpar a casa e cuidar das crianças. Há então mais um crime dessa dupla de assassinos natos (sim, há resquícios dos serial killers de
Assassinos Natos) e sobram três testemunhas. E para os interrogar, são enviados dois agentes do FBI da cidade para a província, Bill Pullman e Julia Ormond.
A premissa já foi vista e revista vezes sem conta. Mas aqui a novidade é... esperem, não há novidade nenhuma. Jennifer Lynch tenta juntar o máximo de personagens na mesma trama para aumentar o mistério e o suspense da intriga, mas infelizmente nunca consegue criar tensão na relação entre testemunhas, suspeitos e polícias. Obviamente, também não ajuda o facto de todas as personagens serem esteriótipos sem espessura dramática que os façam deixar de ser simples bonecos. E claro, com tudo isto, é difícil para Bill Pullman disfarçar o frete que anda ali a fazer, enquanto tenta imitar o Robert De Niro.
Vigilância (que originalmente era para ser sobre...bruxas(!)) está cheio de tiques de mau cinema e muitas muletas de uma série B manhosa, que serve para encher chouriços na última metadede filme, após aperceber-nos como tudo vai terminar. E o twist final é tão óbvio que nos chega a surpreender por não acreditarmos que ele poderia mesmo acontecer, de tão previsível e improvável que é. Há muito tempo que não ficava tão frustrado com um filme. Toma lá o Happy Meal, pá!

Posted by: dermot @
11:47 PM
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