Domingo, Agosto 10, 2008
Originalmente publicado na TAKEO CAVALEIRO DAS TREVAS:Título:
The Dark KnightRealizador: Cristopher Nolan
Ano: 2008

Eis o filme de 2008.
Num ano em que tivemos o regresso do Indiana Jones e a super-campanha viral de
Missão De Código: Cloverfield,
O Caveleiro Das Trevas conseguiu dizimar completamente qualquer concorrência no que diz respeito a expectativas e ansiedade. Para tal, contribuíram vários factores, a saber: uma grande e bem imaginada campanha de marketing, o sucesso do filme anterior que havia revitalizado a personagem e, obviamente, a morte de Heath Ledger. É que toda a gente gosta de um filme póstumo...
A histeria tem sido demasiada, é certo, mas desta vez não é de todo descabida. Depois de
Batman – O Início, onde Cristopher Nolan tratou de redefinir a saga do homem-morcego, o caminho estava completamente livre para um filme sem qualquer preocupação contextual: as personagens estavam apresentadas, os factos justificados e o background situado. Por isso, enquanto
Batman – O Início era a forma,
O Cavaleiro Das Trevas é todo ele conteúdo.
Em
O Cavaleiro Das Trevas, Batman (Christian Bale) e o Tenente James Gordon (Gary Oldman) vão-se unir ao Procurador Harvey Dent (Aaron Eckhart) e declarar guerra à máfia de Gotham City, que por sua vez encontra um aliado de peso: o maléovolo Joker (Heath Ledger), um insano psicopata com requintes de malvadez. Tudo isto resulta numa autêntica guerra sem quartel, onde finalmente percebemos por que é que Cristopher Nolan referiu
Heat - Cidade Sob Pressão como principal influência deste filme.
Podemos então, finalmente, esquecer de vez os primeiros filmes da saga (porque os outros dois já toda a gente esqueceu). Nolan faz tábua rasa dos dois capítulos realizados por Tim Burton e troca aquele cinema gótico e muito plástico por um cinema bem mais negro e deprimido, mais próximo do expressionismo alemão. E o melhor exemplo disto é o Joker de Heath Ledger, que a ver com o de Jack Nicholson só tem mesmo o nome. Enquanto Jack Nicholson era um Joker cartunesco, Heath Ledger é mais realista. E, de facto, a sua prestação é brutal, tão assombrosa que faz mesmo esquecer Jack Nicholson. E fazer esquecer Jack Nicholson não é para qualquer um. Aliás, nem é algo que aconteça muitas vezes...
O filme conta, mais uma vez, com um elenco de luxo: Christian Bale cada vez mais dentro da personagem, ou seja, cada vez mais atormentado; Gary Oldman mais contido do que o habitual; Morgan Freeman a fazer o papél que sabe fazer melhor, o de Morgan Freeman; Michael Caine a espalhar charme e classe como de costume; e Maggie Gyllenhaal, cheia de química, a substituir a não-me-toques-que-eu-me-desmancho Katie Holmes. Claro que todos eles acabam por ser ofuscados pela criação de Heath Ledger. Aliás, este seu Joker acaba por ser mesmo a principal motivação do filme.
O Joker já não é apenas o facínora brincalhão que era em
Batman; agora é um autêntico psicopata doentio e cruél, que nos causa arrepios sempre que aparece em cena. E os risos que agora largamos perante as suas brincadeiras são antes sorrisos nervosos. Além disso, este Joker faz-se acompanhar por uma quadrilha de lunáticos com máscaras de palhaços que, quando estão a fazer das suas, fazem-nos lembrar os bons velhos tempos de
Ruptura Explosiva, de Richard Donner e dos policiais dos anos 90, férteis em entretenimento de acção. Aliás, se
O Cavaleiro Das Trevas tivesse Robin, seria quase um buddy-movie.
O Cavaleiro Das Trevas já não é um filme de super-heróis, mas antes um filme de acção. E um grande filme de acção, que chega a ser levado ao extremo do filme-catástrofe. Apesar da sua longa duração,
O Cavaleiro Das Trevas nunca cai em monotonia, sempre a jorrar ideias novas. Talvez esta cadência de informação, do morre-não-morre de quase todas as personagens e de um vasto leque de personagens secundárias tornem o filme algo maçudo lá mais para perto do final. Contudo, o rótulo de filme do ano fica-lhe bem.
Ou trocando por miúdos, um Le Big Mac.
Posted by: dermot @
9:01 PM
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