Domingo, Agosto 24, 2008
MR E MRS. SMITH:Título:
Mr. & Mrs. SmithRealizador: Doug Liman
Ano: 2005

Existem filmes que, por capricho do destino, acabam por ganhar renovado interesse.
Mr. E Mrs. Smith é um desses filmes: aquilo que se adivinhava como mais um simples filme pipoca de acção, acabou por ganhar outra dimensão quando foram contratados para protagonistas o casal Brad Pitt e Angelina Jolie. De repente, não eram só duas das pessoas mais sexys do Mundo que iam contracenar juntas, como era o próprio super-casal das revistas cor-de-rosa, recém formado para delícia de todos aqueles que se fascinam com o star system de Hollywood.
Brad Pitt e Angelina Jolie estão então casados na vida real e em
Mr. E Mrs. Smith: ambos são espiões de agências rivais, que vivem sob a máscara de um respeitoso casal a viver a sua vida pacata nos subúrbios. Contudo, nenhum sabe da vida dupla do outro. Até que, por casualidade do argumento, vão receber a mesma missão: eliminarem-se um ao outro. O disfarce de ambos vai cair simultaneamente e, enquanto se tentam matar mutuamente, o senhor e a senhora Smith vão acabar por resolver os seus problemas matrimoniais.
A sinopse não deixa enaganar: eis a fusão a frio entre
A Verdade Da Mentira e
A Guerra Das Rosas. Do primeiro importa o filme de acção, com os gadgets engenhosos à James Bond, a vida dupla, os jogos de espiões à
Missão Impossível e muita pirotecnia, digna de qualquer blockbuster de acção dos dias de hoje; do segundo repesca o drama matrimonial, os problemas do casamento, os conflitos entre cônjugues e as batalhas domésticas. Contudo, enquanto que
A Guerra Das Rosas era um dama com pitadas de comédia negra,
Mr. E Mrs. Smith é um filme descomprometido, onde o principal objectivo é o entretenimento.
Entreter: eis a palavra-chave de
Mr. E Mrs. Smith, um filme sem grande ambição para além de divertir e manter o cérebro a descansar, bem desligadinho. E, neste campo, consegue passar com distinção: as cenas de acção são bem esgalhadas, com perseguições a alta velocidade, uma boa fartura de tiroteios, um bodycount elevado e muitas explosões. Por isso, não se compreende porquê é que Doug Liman se preocupou tanto em ter um argumento. É que de repente começa a haver informação escondida, personagens secundárias que nunca chegam a aparecer e outras coisas que não interessam ao menino Jesus, quando o que queríamos realmente ver eram aqueles momentos em que o casal Smith persegue-se num jogo do gato e rato sob os olhares incrédulos dos vizinhos, ou quando transborda cá para fora aquela tensão sexual que eles partilham no quarto e que todos nós imaginamos depravadamente no íntimo.
Com um bocadinho mais de diversão,
Mr. E Mrs. Smith seria mesmo do cacete. Isso e se não fosse aquela mania actual de fazer os blockbuster acessíveis para a toda a família, cortando todas as cenas que tenham sangue ou pele. Mas existe alguma coisa que chame mais público ao cinema do que a pele da Angelina Jolie?
Mr. E Mrs. Smith é, portanto, um McBacon que vale pelo entretenimento e pelo fetiche de ver Jolie a brincar com armas, do que propriamente pelo filme em si.
Posted by: dermot @
10:09 PM
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