Quinta-feira, Agosto 07, 2008
FICHEIROS SECRETOS: QUERO ACREDITAR:Título:
The X-Files: I Want To BelieveRealizador: Chris Carter
Ano: 2008

Desde o início que fui um admirador de
Ficheiros Secretos, não um daqueles fãs acérrimos que consome avidamente qualquer episódio, mas alguém que via regularmente sempre que podia. Depois, a série começou a ter cada vez mais sucesso e a ganhar proporções de culto, o que levou Chris Carter a perder o controle e a transformar aquilo cada vez mais numa novela da conspiração meets
Twin Peaks. Por isso, a partir de meio deixei de prestar atenção, assim como muito boa gente.
Quando o franchising estava em alta, os estúdios optaram ainda pelo grande ecrã, com um formato que raramente resulta: um filme que está dependente da série e que servia para rematar a temporada em exibição. Obviamente,
Ficheiros Secretos: O Filme foi um fiasco, apesar de ter sido um pouco incompreendido. Apesar de tudo, não é tão mau qunto o pintam, faz o
Teoria Da Conspiração parecer um menino e só falha mesmo no último acto.
Agora, cinco anos depois de terminada a série, Chris Carter achou por bem ressuscitar os
Ficheiros Secretos para um derradadeiro (espero eu) filme. No fundo, está a arranjar mais terra para se enterrar. Qual é a pertinência de um novo filme da séie, quando já ninguém se lembra dela? A única justificação que encontro é a recente mania de adaptar todas as séries do passado ao cinema. E tal como na maioria desses casos, também este
Ficheiros Secretos: Quero Acreditar segue a outra tendência do momento - o regresso às origens.
Ficheiros Secretos: Quero Acreditar é então um back to basics, um filme que, basicamente, é um episódio independente de hora e meia, que recupera a atmosfera das primeiras temporadas da série, com as suas histórias paranormais e remeniscências dos seriais de monstros da década de 50. Isto é o que nos venderam, porque no final,
Ficheiros Secretos: Quero Acreditar acaba por estar mais dependente da série do que
Ficheiros Secretos: O Filme.
Mulder (David Duchovny) e Scully (Gillian Anderson) estão então fora do FBI, depois dos Ficheiros Secretos terem sido arquivados. No entanto, uma agente com uns olhos azuis espectaculares e pouco jeito para a representação (Amanda Peet) vai requesitar a ajuda de ambos para tentar encontrar uma outra agente desaparecida, onde a única pista é um medium/padre/pedófilo (Billy Connolly, o elo mais forte do filme). No final, o inimigo é um cirurgião-russo que mata pessoas para tirar partes do corpo e transplantar num amigo.
Esta história do Frankenstein moderno podia ser espectacular, relembrando os bons velhos tempos de
As Mãos De Orlac ou
Os Olhos Sem Rosto, mas afinal Chris Carter só nos dá um lamiré dela a dez minutos do fim. Tudo o resto são recalcamentos da série, da batalha entre a fé e a crença na ciência de Scully, os fantasmas passados de Mulder e da sua irmã raptada, etcetera etcetera. Resumindo,
Ficheiros Secretos: Quero Acreditar é uma daquelas discussões de miúdos em que Scully diz
eu acredito mais do que tu e o Mulder responde
não, não, eu é que acredito mais. And so on, and so on.
Ficheiros Secretos: Quero Acreditar é, para resumir tudo numa palavra, aborrecido. E acho que Chris Carter devia ter entregue a realização a outra pessoa, porque parece-me que o lugar dele é sentado à mesa a escrever. E que raio foi aquela cena da fotografia do Bush com a theme song por cima? Pode parecer mentira, mas este Double Cheeseburger não me deixa mentir: prefiro o filme anterior.
Posted by: dermot @
11:35 AM
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