Domingo, Agosto 17, 2008
DOOMSDAY - JUÍZO FINAL:Título:
DoomsdayRealizador: Neil Marshall
Ano: 2008

Cenários pós-apocalípticos, civilizações futuristas e anarquia pós-moderna sempre foram os principais temas do melhor cinema trash dos anos 80. São eles os tijolos e a argamassa daquelas duas instituições que é a triologia
Mad Max e as sequelas
Nova Iorque 1997 e Fuga
De Los Angeles, verdadeiras obras-primas que educaram a nossa infância cinematográfica e fizeram escola em todo o cinema série-b posterior. E desde que Tarantino tornou o xunga na nova moda, que o tema voltou à baila, primeiro com o magistral
Planeta Terror e agora com o não menos genial
Doomsday - Juízo Final.
Doomsday - Juízo Final é uma homenagem sentida ao melhor destes filmes, fundindo-os num só e fazendo o devido upgrade ao século XXI. O argumento é um rip-off descarado de Nova Iorque 1997: há um vírus mortífero que se propaga por toda a Escócia a um ritmo louco, que leva o governo britânico a construir um muro gigantesco à volta do país. Ninguém sai, mas também ninguém entra. E em poucos anos, a Escócia é riscada do mapa. Até que, por um motivo qualquer, alguém tem que lá voltar para recuperar uns dados alegadamente fundamentais para o futuro da humanidade. E como Snake Plissken não está disponível, chama o equivalente escocês: a major Eden Sinclair (Rhona Mitra, revelação action-hero feminina, a quem podiam ter dados algumas oneliners para a posterioridade), uma tipa rija como o aço, com um olho biónico, pala no olho e dedo leve no gatilho.
Não há nada que saber em
Doomsday - Juízo Final: um survivor urbano pós-apocalíptico e entretenimento garantido durante quase duas horas, com acção non-stop, tiroteios sempre que possível, perseguições, explosões, gore e, claro, muita violência sensacionalista. Mais uma vez, só fica a faltar mesmo alguna nudez gratuita, limitada a um par de mamilos que por lá aparecem. Ao argumento de
Nova Iorque 1997, Neil Marshall acrescentou o cenário pós-punk de
Mad Max II: O Guerreiro Da Estrada e até a cena nerd medieval, que em tempos idos era exclusividade de
Exército Das Trevas, mas agora sofreu um revival com a triologia
O Senhor Dos Anéis.
Repetindo: temos John Carpenter e o seu Snake Plissken; temos
Mad Max, especialmente os dois últimos tomos; temos
O Senhor Dos Anéis e fantasia medieval; e temos vírus, epidemias, zombies e
28 Dias Depois. Tudo isto misturado na mesma panela num refogado de xungaria de segunda categoria, onde a linearidade do argumento não tem que fazer propriamente muito sentido. É antes mais importante que todos os carros expludam sempre que capotem, que os corpos se desfaçam em pedaços sempre que sejam alvejados, ou que não hajam tempos mortos para respirar. Aliás, este é mesmo trunfo de
Doomsday - Juízo Final, o facto de não dar tempo ao espectador para recuperar o fôlego e pensar na estupidez que está a ver.
Há ainda espectáculos de rock'n'roll, luta de gladiadores, cenários pintados à mão, carros artilhados e o nosso-senhor-da-destruição, Malcolm McDowell. Infelizmente, o update ao século XXI não englobou mais gadgets na artilharia dos heróis, melhorando apenas o gore e o aparato da pirotecnia. De início, o filme até parece que vai ter alguma inteligência, com um herói colectivo a despoletar alguma tensão e um suposto sub-enredo político, com trama conspiratória, que deveria ser o que trazia a tal crítica política que este tipo de filmes tem sempre de forma subversiva. Muito subversiva. ;as rapidamente Neil Marshall atira o argumento às urtigas, porque certamente isso daria muito trabalho. Assim, o herói colectivo é reduzido ao essencial, não há qualquer tensão entre personagens nem tão pouco o habitual subplot romântico e a mensagem final acaba por nunca ser muito clara.
Infelizmente, o último quarto de hora de
Doomsday - Juízo Final é um anúncio à Bentley de longa-duração, que serviu apenas para patrocinar o filme. E, ainda por cima, mal feito. Contudo, como já não acrescenta nada à história podemos desligar logo o DVD e não nos chatearmos com tamanha estupidez.
Doomsday - Juízo Final é uma xungaria à bruta, que não receberá nenhum Oscar, mas valerá à vontade um Le Big Mac.
Posted by: dermot @
4:24 PM
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