Terça-feira, Julho 01, 2008
TERRA DE CEGOS:Título:
Land Of The BlindRealizador: Robert Edwards
Ano: 2006

Nunca tinha ouvido sequer falar de
Terra De Cegos, confesso, até que a amiga
Sara me falou dele, elogiando-o como se tivesse descoberto petróleo no quintal.
Oh diacho, desconfiei eu de tanto entusiasmo, mas perante os relatos bem animadores da cara
Sara, decidi ir pôr-lhe os olhos em cima.
Para já digo-vos isto: porque raio é que isto passou tão despercebido? Tem um elenco com nomes fortes - Ralph Fiennes e Donald Sutherland -, boas interpretações, é limpinho, tem sangue derramado qb e até pode ser tido como uma crítica subtil ao regime norte-americano pelos Bush-haters. É certo que os laivos de surrealidade do argumento podem afugentar a maioria do público americano, mas na Europa a coisa tinha pernas para andar.
Adiante.
Terra De Cegos é um filme político bastante original. Apesar de ser um parente afastado dos filmes distópicos,
Terra De Cegos destaca-se dos outros por criar o seu próprio regime autoritario, cuja coisa mais próxima que encontramos é o
V De Vingança (reparem no cartaz). Num país indefinido, Robert Edwards mistura a arquitectura gótica soviética com os uniformes militares norte-americanos e os fatos reais da corte francesa com as burcas muçulmandas, para fomentar o seu próprio império, filho de Luís XIV, do IRA, de Lenine, de Tito e de Pinochet, todos eles condensados na patética figura de Maximiliano II (Tom Hollander), um ditador que queria mesmo era ser realizador de filmes de acção manhosos.
Ralph Fiennes é Joe, um soldado do império que vai ser o protagonista do filme e, paralelamente, o narrador, funcionando ao mesmo tempo como âncora e charneira do argumento. É ele que vai desenvolver uma relação de amizade com o dramaturgo terrorista, Thome (Donald Sutherland), ajudando-o a derrubar o regime imposto e dando asas à revolução. Contudo, a coisa acaba por piorar em vez de melhorar, lembrando como a realidade pode ser mais estranha que a ficção. Lembram-se do que aconteceu numa certa ilha das Caraíbas?
Andamos então envolvidos nesta trama política, completamente imparcial e que tenta passar a ideia de que, qualquer que seja o sistema político em vigor, este está sempre dependente das pessoas que o representam, valorizando ideias como a integridade e o bom-senso, à boa medida de
Aelita, quando de repente,
Terra De Cegos leva com um mindblowing twist, com as realidades a cruzarem-se com a mesma velocidade que as lavagens cerebrais vão sendo feitas a Ralph Fiennes, deixando tudo em aberto no fim, ao mesmo tempo que ficamos um pouco com a sensação de que tudo aquilo foi pointless e à medida em que vão sendo cada vez mais frequentes imagens gratuitas de elefantes(!). Esqueçam o
V De Vingança e vão buscar o
THX 1138.
A coisa tem então muito mais piada enquanto é um thriller político, com a construção absurda daquele império e uma ironia refinada a pontuar cada argumento explanado. Não deixa no entanto de ser um McRoyal Deluxe bem filmado, com duas grandes interpretações desses senhores que são Fiennes e Sutherland e um argumento com duas mãos cheias de grandes ideias.
Posted by: dermot @
6:22 PM
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