Quinta-feira, Julho 03, 2008
O SABOR DO AMOR:Título:
My Blueberry NightsRealizador: Wong Kar Wai
Ano: 2007

É assim que se vê que um gajo é bom; quando alguém vem do outro lado do Mundo para fazer o seu primeiro filme em Hollywood e diz
quero uma cantora que nunca fez cinema como protagonista, relegando para papéis secundários gente como Rachel Weisz (suspiro) ou Natalie Portman (duplo suspiro). E o pior de tudo é que a coisa resulta e nós nem ficamos com a possibilidade de o chamarmos de pretensioso.
Quanto à Norah Jones, tendo em conta os seus últimos ábuns e este seu desempenho em
O Sabor Do Amor, só apetece pedir-lhe que dedique-se a uma carreira no ecrã, deixando a música para o resto da sua família.
O Sabor Do Amor é o habitual filme de Wong Kar Wai, mas em versão ligeira. Qquem conhece títulos como
Disponível Para Amar ou
2046 não irá ficar, certamente, espantado com
O Sabor Do Amor, mais uma obra sobre o amor filmado pela forma única de Wong Kar Wai, o derradeiro romântico, com uma poesia, uma sensibilidade e um toque muito próprio e pessoal, arrastado com bonomia e muito sentimento.
Em
O Sabor Do Amor começa por haver uma personagem muito importante: Jeremey (Jude Law) é o dono de um pequeno café familiar em Nova Iorque, com ar de pastelaria europeia e cujo papel simbólico é muito forte. Puxando o arquétipo do barman, Jeremy é aquele tipo qu passa os dias no café observando as pessoas e conhecendo-os até aos seus mais ínfimos detalhes, como uma personagem divina que observa das alturas as acções dos seus iguais, registando as suas histórias. E no cinema só existem dois tipos de personagens mais omnipresentes que o barman: Deus ou as estrelas rock.
É com Jeremy que se vai cruzar Elizabeth (Norah Jones), a verdadeira protagonista do filme. Com um desgosto amoroso, Elizabeth vai ver-se influenciada por Jeremy e vai partir pela América, naquilo que podia ser mais um road-movie, trabalhando ela própria como empregada de mesa em vários locais. No fim, por entre vários sub-enredos, o círculo vai fechar-se, com Elizabeth a regressar a Nova Iorque e a promover o derradeiro encontro com Jeremy.
O Sabor Do Amor é uma singela pérola de amor, acerca daquelas pequenas coisas que dão sabor à vida e que o cinema independente norte-americano dos últimos anos gosta tanto de pegar e sublinhar (olá
Eu, Tu E Todos Os Que Conhecemos). Crónica romântica agri-doce pelas terras sulistas americanas, O Sabor Do Amor só começa a ganhar verdadeiro interesse com a introdução dos sub-enredos, após uma primeira meia-hora aborrecida e em que o estilo de filmagem de Wong Kar Wai começa a irritar, com tanta câmara-lenta e planos enquadrados com vários objectos à frente.
Rachel Weisz e David Strathairn dão um ar de
Paris, Texas ao filme (aquele retrato muito norte-americano, de um país sem história que deixa os seus filhos alienados, que só quem não é norte-americano consegue tirar), mas é a parte de Natalie Portman a mais interessante de todas. Além disso, é também a mais colorida (mise en scene fantástica, já agora), talvez por se passar em Las Vegas. E por falar nisso, Wong Kar Wai retrata a cidade como nucna ninguém a retratou. Vejam a imagem em baixo e digam lá se não parece que estão a ver algo de bollywood?
Sem ser particularmente arrebatador nem tão chato quanto o início dava a entender,
O Sabor Do Amor é mais um filme para os amantes de Wong kar Wai. Ficará recordado como o primeiro filme em inglês do realizador chinês ou como a estreia de Norah Jones na sétima arte, provavelmente, e não tanto pelas suas qualidades artísticas. E mesmo que não venha a gostar do filme, pelo menos o McChicken vale por todo o eye candy do filme.
Posted by: dermot @
12:42 PM
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