Sexta-feira, Julho 11, 2008
O PANDA DO KUNG FU:Título:
Kung Fu PandaRealizador: Mark Osborne & John Stevenson
Ano: 2008

Na guerra muito particular entre a Dreamworks e a Pixar,
O Panda Do Kung Fu é até há data aquele em que os primeiros mais se conseguem aproximar dos segundos, quer em termos técnicos, quer em termos "fílmicos". Isto apesar de haver uma personagem - a Tigresa - que parece pertencer a outro filme, com uma técnica de animação que parece diferente de tudo o resto (ou então esqueceram-se simplesmente de a renderizar).
Tal como a maioria das animações juvenis, na boa tradição Disney,
O Panda Do Kung Fu humaniza alguns animais exóticos numa história com final feliz e uma mensagem moral já mais que batida (porque se os jovens de hoje em dia se não virem filmes com final feliz, suicidam-se antes dos 20 anos). A novidade é que o faz em pleno ambiente dos flicks de artes-marciais, num argumento cuja estrutura faz lembrar
Guerra Das Estrelas - mas com animais em vez de Jedis.
Na China feudal, com todo o misticismo inerente ao kung-fu, encontramos então Po (voz de Jack Black, num pouco habitual underacting), um panda gordo e desajeitado completamente obcecado por artes-marciais, mas cujo destino parece ser como cozinheiro num restaurante de massas. Po vive num vale no sopé de um templo, onde habitam os Cinco Sensacionais - cinco aspirantes a super-guerreiros ninja, inspirados claramente nos
Cinco Venenos do mítico Cheh Chang, cujo destino é protegerem aquela gente dum vilão temível, Tai Lung (Ian McShane). Claro que depois o acaso e o destino misturam-se e Po, o trapalhão Panda, vai ser afinal o
the choosen one, vai derrotar o mau, salvar todos e casar-se com a gaja boa. Esta última parte não acontece, mas aposto se houvesse uma gaja boa no filme ele sacava-a.
O Panda Do Kung Fu é como aquele filme do Mark Whalberg, baseado nos Judas Priest, em que ele é o fã número um de uma banda de música e que depois acaba por se tornar no próprio vocalista desse conjunto.
Uma Estrela Rock, parece. Só que com kung fu em vez de rock.
O Panda Do Kung Fu resgata o carácter épico da saga
Guerra Das Estrelas, numa espécie de kung-fu-opera, com música triunfal a condizer (excelente banda-sonora de Hans-Zimmer, onde só se lamenta que a theme song (o lendário
Kung Fu Fighting, de Carl Douglas) só apareça nos créditos finais), ambientada em cenários espectaculares, de proporções gigantescas, coloridas e fascinantes. Um dos trunfos de
O Panda Do Kung Fu é resgatar as nossas memórias dos filmes xungas de artes-marciais que povoavam o clube de vídeo do nosso bairro (e para isso até estão lá as vozes de James Hong ou Jackie Chan, por exemplo), mas dando-lhe as roupagens dos kung fu flicks actuais, do wi-fu de
O Tigre E O Dragão à violência estilizada de
Kill Bill.
Mas
O Panda Do Kung Fu é um desenho-animado e, por isso, é de comédia de que aqui falamos. O filme começa muito bem e de início é muito bom: gags divertidos, piadas inteligentes e um humor para crescidos e graúdos. Mas não consegue manter a fasquia e a qualidade do humor vai decaindo. Nunca sem tocar no fundo, atenção. No fim, tudo é demasiado
desenho-animado para o nosso gosto, é certo. Mas ei!, aquilo afinal é mesmo um desenho-animado!
Animação divertidíssima para os amantes das artes-marciais, tem pelo menos o condão de ser o melhor trabalho da Dreamworks até à data. Entretenimento garantido, à base de McRoyal Deluxes e noodles. E para quem já o viu, digam-me: fui só eu que fiquei com vontade de ver aquele filme do início, do sonho de Po?
Posted by: dermot @
12:30 AM
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