Quinta-feira, Julho 03, 2008
THE MACHINE GIRL:Título:
Kataude Mashin GâruRealizador: Noboru Iguchi
Ano: 2008

É para isto que serve o cinema: para que gente doente e afectada psicologicamente possa dar asas à sua imaginação distorcida, sem magoarem ninguém nem acabarem internados num manicómio. É o caso deste
The Machina Girl, um pedaço de entretenimento puro, trashy como não se via desde os anos 70.
Este é um daqueles filmes cuja premissa é tão forte que não precisa de mais nada. E aqui ela é: uma colegial com uma metralhadora a vingar-se da yakuza. Olá
Exército Das Trevas, olá
Planeta Terror. Venham ver ao que fizeram às vossas ideias, mas sem as oneliners porreiras.
Aprofundando um pouco mais a coisa,
The Machine Girl é a história de Asami (interpretada pela estrela porno japonesa Ami Hyuga), uma colegial que passa o filme todo com a farda da escola e que tem um passado familiar de homícidios e suicídios. Quando uma cruél família yakuza mata o seu irmão, Asami vai jurar vingança. Felizmente (e inesperadamente) esta é uma exímia lutadora de artes marciais, graças aos treinos diários de... basquetebol(!). E por isso... it's payback time!
Mas a família yakuza é super-cruél, ou não descendessem directamente de Hattori Hanzo(!). E por isso vão captura-la, tortura-la e arrancar-lhe um braço. Asami fica assim maneta e com um alto debaixo da camisola, como se tivesse um braço ao peito (lembrei-me logo de
The Thing With Two Heads, filme xunga em que transplantam a cabeça de um preto para o corpo de um branco e este engorda misteriosamente, como se tivesse outra pessoa dentro do mesmo fato). Mas consegue fugir e vai arranjar dois aliados de peso: um casal de mecânicos exímios nas artes-marciais(!), que lhe vão construir uma metralhadora para substituir o braço(!). E agroa... it's double payback time!!
Incrível como consegui fazer uma sinopse de dois parágrafos. É que o argumento é tão mau, tão vago, tão cheesy e tão surreal, que nem sequer existe. Todo ele é apenas um enorme pretexto para ir inserindo cenas de luta em cima umas das outras, onde so interessa o sangue derramado e a quantidade de membros decepados. E sempre com o máximo de gore possível, com verdadeiros repuxos (repuxos? mangueiras!) de sangue a aparecerem sempre que um pedaço de corpo é arrancado, como em
Ichi, O Assassino.
Aprendemos verdadeiras pérolas de sapiência com
The Machine Girl. Ficamos a saber, por exemplo, que não existem polícias no Japão e, por isso, os corpos mutilados dos ninjas ficam empilhados nas esquinas das ruas a apodrecer, enquanto os seus familiares se juntam em pranto colectivo. E ficamos também a saber que a yakuza recruta os pais dos seus ninjas a soldo, para os treinar e os transformar em verdadeiras máquinas de matar vingativas - a Super Gang do Desgosto(!) (a sério, existe mesmo, não fui eu que inventei).
Com as cenas de luta mais mal coreografadas de sempre do cinema oriental (ter actores porno a fazer de ninjas não é fácil),
The Machine Girl destaca-se pela sua matança do porco imaginativa, à qual insere dois gadgets brutais: um soutien-berbequim(!) e uma guilhotina-voadora(!).
A coisa é realmente surreal e custa a acreditar que alguém consiga fazer algo mais doentio que isto. Infelizmente, é tão vago que só serve para ver em fast forward, ou simplesmente, basta ver os highlights na trailler que o maravilhoso mundo do youtube disponibiliza no fim desta prosa. É que só a premissa vale o Double Cheeseburger. Todo o resto do filme merece apenas uma batata mal frita.
Posted by: dermot @
6:47 PM
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