Terça-feira, Julho 22, 2008
JUNO:Título:
JunoRealizador: Jason Reitman
Ano: 2007

Na última entrega dos Óscares,
Juno surgiu como o outsider da cerimónia, um pequeno OVNI independente, escrito por uma ex-stripper, com aquele estilo indie que já formou escola, em que as personagens principais são todos inadaptados sempre no último grito da moda underground, com os all-stars, as calças de ganga skinny e os hoodies.
Juno é metade feel-good movie e metade comédia ligeira (light?), mas no fundo é muito mais do que isso. É uma crítica social e de costumes que tira uma radiografia à América interior, apontando o dedo ao pior que esta tem. Não é por acaso que tratarm logo de o tornar no sucessor de
Uma Família À Beira De Um Ataque De Nervos. Claro que, devido à história, era inevitável que não se levantassem vozes a apelidarem-no de propaganda pró-vida e anti-aborto. Desta vez até podem ter uma certa razão, mas não é isso que importa verdadeiramente para o filme.
Juno não era só a deusa romana da fertilidade e do casamento; aqui é também uma miúda de 16 anos, interpretada pela magnífica Ellen Page, uma adolescente independente, com um gosto irrepreensível por música e bastante expedita, que engravida acidentalmente. Juno podia muito bem pertencer ao círculo de amigos próximos de
Mundo Fantasma.
No filme, ao contrário do que seria de esperar de início, Juno opta por levar a gravidez até ao fim, dando depois o bebé para adopção a um casal de yuppies (Jason Bateman e Jennifer Garner), com quem vai acabar por desenvolver uma relação especial. Todo este processo é gerido de forma ligeira, fazendo parecer que a gravidez não é assim uma coisa tão complicada quanto isso. Claro que ninguém deve levar este tipo de filmes a sério, mas é normal que o americano desprevenido acabe influenciado por isto e, não é assim de estranhar, que o número de mães adolescentes nos Estados Unidos tenha aumentado nos últimos anos.
O grande trunfo de
Juno não é tanto o argumento, mas antes os pormenores, a quem presta demasiada atenção como em todos os filmes indies, dispensado redobrado cuidado na escolha da banda-sonora (genial, genial, e os Moldy Peaches merecem várias vénias com saída à rectaguarda), em referências a bandas e filmes esquisitos (Sonic Youth, Patti Smith, ou Herschell Gordon Lewis são mencionados mais do que uma vez), no guarda-roupa e na disposição dos adereços de cena. Até o genérico de abertura é delicioso, como no outro filme da mesma família,
Napoleon Dynamite. Toda esta atenção pode desabar em pretensiosimo barato e, por vezes, principalmente quando tenta o humor,
Juno torna-se mesmo espertalhão. E, como se sabe, mais vale cair em graça do que ser engraçado.
Filme de Verão,
Juno é como a pastilha-elástica: de plástico, mas que se cola ao cérebro. Além disso, termina com um momento musical extremamente delicioso (e mais uma vez com os Moldy Peaches ao barulho; o Adam Green já vinha cá outra vez). Não é, quiçá, para ganhar um Óscar, mas vale um McRoyal Deluxe sem margem para dúvidas.
Posted by: dermot @
9:32 PM
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