Quinta-feira, Julho 31, 2008
ALICE IN ACIDLAND:Título:
Alice In AcidlandRealizador: John Donne
Ano: 1968

Os anos 50 e 60 foram umas décadas complicadas para a Defesa Civil norte-americana. E não falo da Guerra Fria, mas antes dos filmes de propaganda que eles produziram, dos quais se devem envergonhar ainda hoje, caso tenham um pingo de orgulho. Todos eles são hilariantes, surreais, ou inacreditáveis (escolher o adjectivo que vos parecer mais indicado) e têm servido, sobretudo, de fonte de inspiração para alguns dos melhores momentos dos
Simpsons ou do
South Park. Quem é que no seu perfeito juízo faz um filme a alertar para a ameaça nuclear, em que as indicações para um hipotético holocausto são para
abaixarem-se e protegerem-se?
Duck And Cover pode ser o mais famoso e o mais patético, mas quem vence o prémio do mais surreal é
Alice In Acidland, um filme-propaganda de 1968 a alertar para os malefícios da erva, do álcool, do LSD e, especialmente, do sexo livre. Em suma, é um filme anti-anos 60. E é tão inacreditável que entra directamente para o panteão das coisas-esquisitas, impossíveis de classificar pela escala de avaliação deste tasco.
Alice In Acidland é então a história de Alice (Colleen Murphy), uma jovem de bem, educada e boa aluna, que é aliciada por uma colega de universidade mais velha para uma festa. Lá, Alice vai experimentar pela primeira vez o álcool, a ganza e o amor livre, tornando-se automaticamente numa hippie(!). A partir daí há pele à mostra com fartura (incrível) em cenas de sexo lésbico e heterossexual que nunca mais acabam, filmadas de forma muito pin-up style e ambientadas com um jazz fusão ou psychadelic rock ranhoso (música de drogados, claro).
Depois de quarenta minutos nisto, Alice vai a outra festa, onde se mete no LSD, depois de mais algumas cenas de sexo selvagem. É aí que o narrador (sim, porque aqui não há diálogos, os actores são todos tão maus que foram impedidos de abrir a boca para o que quer que seja) nos dá conta de uma outra amiga, que se enforcou depois de ter consumido LSD oferecido por uma lésbica. Lésbicas, essas drogadas... Alice começa então a tripar e depois dos 50 minutos de cenas de sexo,
Alice In Acidland termina num trip-movie, que, como em
O Feiticeiro De Oz, salta do preto e branco para cores, com muita gente a dançar nua em imagens sobrepostas.
Alice In Acidland é tão surreal que custa a acreditar que foi mesmo patrocinado pelo governo norte-americano. É que no fundo todo ele é um pretexto para mostrar de forma gratuita raparigas com as mamas à mostra. Apesar do tom paternalista do narrador, que como em todos os filmes de propaganda reduz tudo e todos a esteriótipos ridículos,
Alice In Acidland ensina-nos ainda umas coisas porreiras: que todo o tráfico de droga em Los Angeles é culpa das lésbicas, que os hippies eram drogados que só queriam saber de orgias e que os vegetais mentais ficam confinados a coletes de força.
O filme procura sensibilizar-nos para os horrores do LSD. Para isso, o narrador avisa-nos que o LSD
atira-nos para um novo mundo, onde descobrimos novas sensações e sentimentos. Eu quanto a vocês não sei, mas a mim isso parece-me bastante interessante...
Nem sei o que pensar disto.
Alice In Acidland é um thumbs up pela sua estupidez.
Posted by: dermot @
11:56 AM
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