Sábado, Junho 28, 2008
VERSUS - A RESSURREIÇÃO:Título:
VersusRealizador: Ryuhei Kitamura
Ano: 2000
Um preto de cabeleira loira, um branco de carapinha, ou um zombie de olhos em bico, não é natural, já dizia o famoso
anúncio do Restaurador Olex. De facto, não são muito habituais zombie flicks lá para os lados do Oriente, mas tal como as bruxas, pero que los hay, los hay. Não sei se terá sido o primeiro, mas
Versus - A Ressurreição é, sem dúvida, o melhor filme de zombies japonês.
Tal como todos os filmes orientais, o argumento de
Versus - A Ressurreição não é muito claro e linear. Pelo menos, até aos esclarecimentos finais. A coisa envolve uma luta eterna entre o bem e o mal, ambientada na Floresta da Ressurreição, onde dois seres sem nome se degladiam mortalmente pelo poder derradeiro. A coisa envolve ainda um sub-enredo ainda menos claro, que serve sobretudo para ir inserindo cada vez mais inimigos no filme. Porque quem morrer na Floresta da Ressurreição retorna a vida sob a forma de... zombies!
Temos então uma orgia de tiros non-stop e gore à brava por minutos a fio entre entidades super-lutadoras, humanos com habilidades superiores nas artes-marciais, espadachins que fazem os shaolins de Kurosawa parecerem meninos e pistoleiros com mais perícia que o
Lucky Luke, a lutarem até à morte, se bem que esta expressão não é muito feliz uma vez que sempre que eles morrem, regressam como zombies. Pelo meio, há um semi-vilão com pinta (Kenji Matsuda), que é uma fusão entre o Jim Carrey e o Johnny Depp no
Era Uma Vez No México, e dois polícias que caem no filme de forma completamente gratuita e cujo único intuito é o comic relief. Infelizmente, todos sabemos que o conceito deengraçado dos japoneses é fazerem o máximo de caretas por minuto enquanto gritam. Muito.
Filmado com doses industriais de estilo, com uma edição vertiginosa à la Tony Scott (tão vertiginosa que às vezes nem se percebem bem as cenas) e uma banda-sonora house manhosa, que não sei bem se me faz lembrar o
Combate Mortal se
O Ninja Das Caldas,
Versus - A Ressurreição tem claras influências no visual e nas coreografias de
Matrix, nos banhos de sangue de Takeshi Miike e da tradição oriental (Kurosawa incluído) e até nos mariachis de Robert Rodriguez. Como vêem, as influências são boas e por isso nunca poderia correr mal.
Acção non-stop durante largos períodos de tempo, em que apenas sossega por minutos para ir destapando pedaços do argumento,
Versus - A Ressurreição tem momentos em que parece claramente que o realizador mandou o guião às urtigas e se limitou a divertir-se ao máximo, com planos à
Evil Dead, one-liners à Carpenter e palhaçada gore à Peter Jackson. Aliado a isto, há ainda uma espécie de twist final que funciona e que deixa o filme em aberto para uma sequela que nunca chegou a existir (o máximo que há é um spin-off em
Arigami).
Para terminar, convém referir o argumento sobre-natural de
Versus - A Ressurreição, que lhe dá um ar exótico e que o tornam num zombie flick diferente de todos os outros. É por isso que hoje é tido como um filme de culto pelos amantes do cinema distorcido.
Com a quantidade certa de cerveja e uma admiração extrema pelo cinema-trash,
Versus - A Ressurreição valerá o seu peso em McRoyal Deluxes.
Posted by: dermot @
12:16 PM
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