Quarta-feira, Junho 25, 2008
SWEENEY TODD: O TERRÍVEL BARBEIRO DE FLEET STREET:Título:
Sweeney Todd: The Demon Barber Of Fleet StreetRealizador: Tim Burton
Ano: 2007

NA sua extensa carreira, Tim Burton já conseguiu criar o seu próprio universo cinematográfico, que consiste numa espécie de cinema gótico burlesco, que descende directamente do expressionismo alemão. Por isso, a adaptação do musical de Stephen Sondheim,
Sweeny Todd: O Terrível Barbeiro De Fleet Street afigurava-se como uma opção óbvia e acertada para o realizador.
Like shooting fishes in a barrel...
Para quem não sabe, Sweeney Todd é um barbeiro na Londres victoriana, a quem o terrível e poderoso (para não dizer corrupto, cruél e outra mão cheia de adjectivos menos lisonjeiros) Juíz Turpin (Alan Rickman) rouba a linda esposa. Depois de ser abandonado em alto mar, Todd regressa a Londres para se vingar dos facínoras. Eles meteram-se com um homem com duas navalhas:
big mistake!
Apesar de utilizar os arquétipos e a estrutura da tragédia grega,
Sweeny Todd: O Terrível Barbeiro De Fleet Street é um musical que subverte essa condição com um humor negro satírico e uma crueldade sádica e inesperada. Tim Burton está assim nas suas sete quintas, construíndo mais uma fábula bem distorcida, apesar desta ser bem mais negra que
Eduardo Mãos-De-Tesoura. Londres constrói assim uma Londres escuríssima, que faz qualquer noir parecer a fonte luminosa, e cheia de degredo e perversão, que faz a Londres de
A Verdadeira História De Jack, O Estripador parecer um paradisíaco local de férias.
Há então resquícios do expressionismo alemão não só na arquitectura do filme, mas principalmente no protagonista, um boneco sorumbático e mergulhado em sombras, quer física, quer psicologicamente (basta ver a sequência na praia, onde Sweeney Todd é uma personagem envolvida na sombra mesmo quando exposto ao sol). Sweeney Todd é ainda um boneco perfeito para Johnny Depp, o actor-fetiche de Tim Burton, que prolonga aqui os maneirismos de Jack Sparrow e repesca o gótico Eduardo, que troca as tesouras por dois novos apêndices: navalhas de barbear bem afiadas, que vão ser as responsáveis por litros e litros de sangue derramados, que salpicam a cinematgorafia negra do filme com um vermelho bem vivo.
Mas
Sweeny Todd: O Terrível Barbeiro De Fleet Street, apesar de toda a crueldade sanguinária, é um musical. Um musical na onda de Evita, em que a maioria dos diálogos são cantados.
Aha, agora encurralei-te e vou-te furar todo com esta navalha, o que me tens a dizer sobre isto? Ah e tal, vou cantar esta linda canção... As cantilenas são boas, mas se não é adepto de musical então a coisa vai-se tornar insuportável. Especialmente sempre que aparece o chocho do Jamie Campbell Bower, sempre a chorar e a queixar-se. Personagem mais irritante, parece o James Blunt. Curioso é verificar que o único musical de Tim Burton é o único filme que não conta com a participação do génio de Danny Elfman, com o qual se desentendeu na última colaboração.
Filme distorcido e completamente louco, que parece uma coisa e é outra,
Sweeny Todd: O Terrível Barbeiro De Fleet Street desmistifica ainda a ideia de que Sacha Baron Cohen é apenas um criador de bonecos: afinal, o jornalista mais conhecido do Cazaquistão não é só apenas um criador de bonecos bizarros, mas um bom actor, que apesar da curta aparição, tem a personagem mais surreal de todas.
Para amantes de musicais apenas, este é mais um Le Big Mac com a assinatura Burton.
Posted by: dermot @
3:39 PM
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