Sábado, Junho 28, 2008
O SARGENTO DA FORÇA UM:Tìtulo:
The Big Red OneRealizador: Samuel Fuller
Ano: 1980

Neste blogue fala-se pouco de filmes de guerra e, como tal, do Samuel Fuller. Mais uma grave lacuna que me vou apressar a colmatar, com o recurso ao mítico
O Sargento Da Força Um, inspirado nas experiências pessoais do próprio realizador, um veterano da Segunda Guerra Mundial, que procurou com este projecto de longa data transmitir pela primeira vez as verdadeiras agruras da guerra.
O que começa por impressionar neste
O Sargento Da Força Um é a sua força, de como Samuel Fuller consegue ser intenso sem ser insensível. É como se captasse o realismo agreste e cruél de um Sam Peckinpah e o cozinhasse com a sensibilidade poética de Terence Mallick, dispensando os longos planos da natureza e dos animaizinhos. Em
O Sargento Da Força Um os soldados são apresentados pela primeira vez como homens e não como heróis omnipotentes (e quando falo disto lembro-me sempre do John Wayne a matar tudo em
Os Bóinas Verdes).
O Sargento Da Força Um não é então um filme de guerra, mas mais um filme sobre guerra, que procura transmitir a desumanização que esta provoca nos combatentes através de um apanhado de missões da temerária Força Um, uma pelotão de bravos e valentes soldados que têm em comum serem todos maus actores - com a excepção de Mark Hamill, que, mesmo não sendo grande espingarda ao menos é o mais conhecido e, pela única ver na sua carreira, ceguimos vê-lo sem pensar no Luke Skywalker - e que são liderados pelo sargentão Lee Marvin (vénia, vénia, vénia).
Se não houvesse
Apocalipse Now,
O Sargento Da Força Um era bem mais vezes relembrado, sebem que não tenha o mesmo carácter épico do filme do Coppola. Muito mais terra-a-terra,
O Sargento Da Força Um é percursor da segunda metade de
Nascido Para Matar, pela forma como retrata a guerra em vários teatros, desde o Norte de África até à Alemanha, passando pela Bélgica, Checoslováquia, França e, claro, o fatídico desembarque na Normandia.
Apesar de algumas cenas demasiado ingénuas que envelheceram muito mal e de alguns diálogos ridículos,
O Sargento Da Força Um é um filme intenso e que consegue ser demasiado cruél sem ser violento. Samuel Fuller consegue provocar o espectador não pelos banhos de sangue, mas por situações de guerra verdadeiramente tramadas, que envolvem crianças, traidores, emboscadas, ou problemas de consciência, levantados pela eterna questão
na guerra mata-se ou assassina-se?Se é um daqueles tarados dos filmes de guerra, então vai precisar de uma resma de papél para apontar todos os erros factuais de
O Sargento Da Força Um. Filmado com baixo orçamento, o filme na reconstituição histórica das armas, das fardas e dos armamentos militares. Ou seja, mariquices, porque aqui o que interessa é mesmo o mergulho profundo que faz no confronto em si, desde o salitre colocado nas rações de combate para diminuir o apetite sexual dos soldados, os preservativos colocados nas armas para não entrar água durante as missões no mar, ou a troca de orelhas por cigarros com os soldados africanos.
Samuel Fuller foi (e é) o maior (melhor?) realizador de filmes de guerra de sempre. E merece ser recordado por este filme. Até porque
O Resgate Do Soldado Ryan está aqui todo. Não tem a adrenalina dos combates do cinema de guerra actual, mas isso não invalida nada, nem mesmo o McRoyal Deluxe.
Posted by: dermot @
9:54 PM
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