Segunda-feira, Junho 30, 2008
ELVIS:Título:
ElvisRealizador: James Steven Sadwith
Ano: 2005

Existem duas figuras da cultura popular norte-americana que me continuam a fazer espécie como é que Hollywood nunca pegou nelas em condições - Charles Manson e Elvis Presley. Do primeiro existem uns telefilmes manhosos e referências mais ou menos fugazes em documentários sobre o Polanski e/ou a Sharon Tate; e do segundo existe um sem número de documentários, filmes menores e, agora, um telefilme:
Elvis.
Como bom telefilme que é,
Elvis sofre dos problemas naturais deste formato: duração extensa para aguentar duas noites do prime time nacional e um argumento estruturado de forma a ter de x em x tempo uma situação dramaático, com o respectivo cliffhanger sempre que é necessário meter um intervalo. Por isso, não há forma de existir um bom telefilme. As excepções são os menos maus. Que é o caso deste.
Elvis faz quase sempre uma abordagem superficial da vida do Rei. Tirando a última meia-hora, em que é um filme a sério e em que percebemos alguns aspectos fundamentais da vida de Elvis Presley - a sua "dependência" do Coronel Parker, o facto de ser um "puto ingénuo", ou o ter passado ao lado de uma grande carreira durante a maior parte do tempo -,
Elvis é uma espécie de
Elvis Presley for dummies, com uma sucessão cronológica dos mais importantes episódios da sua vida, em que eles não têm necessariamente de se encaixarem uns com os outros.
Não é que seja um mau filme, até porque se vê que o realizador sabe o que fazia (estão lá referências subtis a quase toda a vida do Rei, terminando o filme no momento exacto em que terminou a sua carreira), mas pedia-se um pouco mais de coragem ou atrevimento. Por exemplo, aquela coisa de retratar o Rei sempre como um miúdo impecável, que não mentia, era leal e que apenas se meteu nas drogas no final da carreira devido aos contratempos da vida, chateia imenso. Uma das coisas que torna os ídolos em ícones é o facto de eles não serem super-héróis e também errarem. E aqui, Elvis Presley raramente falha.
Outra coisa que chateia à brava em
Elvis é a pouca música existente. E fazer um filme sobre o Elvis e não haver quase música é como ir ao Vaticano e não ver o Papa. Até o Coronel Parker sabia isso. Os momentos musicais de
Elvis resumem-se então a três ou quatro recriações das mais míticas interpretações do Rei, com um ad-lib horrível de Jonathan Rhys Meyers.
E por falar em Jonathan Rhys Meyers... Confesso que não sou propriamente um admirador do actor irlandês, mas aqui aplaudo-o. Não é cem por cento brilhante, mas tem momentos simplesmente perfeitos, com o sotaque certo e o mimetismo perfeito do próprio Rei. Não será o melhor Elvis do cinema (alguém mencionou Michael St Gerard?), mas andará muito perto.
Enquanto não existe um bio-pic em condições de Elvis Presley,
Elvis lá vai cumprindo o seu papel. E só por ser o Elvis, vale um McChicken.
Posted by: dermot @
9:19 PM
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