Sábado, Junho 07, 2008
24. FESTRÓIA:
Dia 1Este primeiro dia a sério de Festróia coincidiu com o primeiro dia do Europeu de Futebol e, igualmente, com o primeiro jogo da selecção de todos nós (e que, por acaso, até vencemos). Seria então de esperar que o festival ficasse para segundo plano, certo? Errado! Ou vocês acham que eu abandonaria os dois fiéis leitores (um deles imaginário) que andam a acompanhar esta cobertura?
Mostra do Cinema Polaco - JESTEM - EU EXISTO:Título:
JestemRealizador: Dorota Kedzierzawska
Ano: 2005

O meu corpo tem um limite de tolerância diário a histórias de vidas miseráveis, o que me impediu de ver até ao fim mais esta colecção de desgraças do cinema polaco. Devia ter adivinhado quando vi o nome do Michael Nyman no genérico...
Secção Oficial - A ARMADILHA:Título:
KlopkaRealizador: Srdan Golubovic
Ano: 2007

Durante o meu secundário, numa qualquer aula de História, um daqueles professores que nos marcam para uma vida, puxando a propósito o
Proposta Indecente, pôs-nos a reflectir sobre a problemática existencial que é darmos a nossa vida/honra (riscar o que estiver a mais) para salvar a de alguém que amamos. A coisa fascinou-me e desde aí que comecei a estabelecer uma certa empatia com os filmes que abordam a complexidade desse dilema.
A Armadilha é uma variação deste tema: um homem, Mladen (Nebojsa Glogovac), vai ver-se entalado na decisão entre matar um homem e perder a sua dignidade para salvar o seu filho, ou manter-se íntegro e honesto e assitir ao definhar do primogénito. Trocando por miúdos: o filho pequeno de Mladenov precisa urgentemente de uma operação para a qual os pais não têm dinheiro. Mas há um tipo que se oferece a cobrir as despesas, se Mladenov liquidar um tipo.
A premissa é interessante e o realizador ainda lhe dá um inesperado toque hitchcockiano, que lhe confere um certo toque de classe. O resultado final é um dramalhão de faca e alguidar, para chorar rios de lágrimas, ranho e baba, denso e sufocante, que nos vai enchendo o peito, lentamente, com o desespero daquele homem até não consgeuirmos respirar mais.
O grande trundo de
A Armadilha é que Srdan Golubovic consegue montar todo o filme sem ser demasiado descritivo, conseguindo comunicar com o espectador através de olhares, gestos e atitudes. Falta-lhe um pingo de fúria na catarse final, é certo, mas o último acto desta autêntica tragédia grega é quase perfeito, em ritmo, enquadramento e acção.
A Armadilha é um dos primeiros candidatos ao Óscar do próximo ano. Até lá, fica-se com o primeiro McRoyal Deluxe do certame.
Primeiras Obras - ESTRANHOS:Título:
StrangersRealizador: Guy Nattiv & Erez Tadmor
Ano: 2007
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O conceito de
Estranhos é fácil de perceber, mas mesmo assim o realizador Guy Nattiv fez questão de o relembrar na apresentação do filme:
dois actores, uma câmara e dois realizadores, para um filme feito em duas semanas. Se ele não dissesse ninguém adivinharia (fim do modo ironia)...
Com uma qualidade de imagem fraquíssima, apenas comparável ao
INLAND EMPIRE ou às curtas portugues até ao advento do digital,
Estranhos é um work on progress que antes de o ser já era: havia uma premissa e um conceito e depois um prazo para o entregar. Entre esses dois pontos surgiu o filme.
Estranhos começa então por ser um rip-off do
Antes De Amanhecer: em vésperas do último Mundial de Futebol da Alemanha, um isrealita (Patrick Albenque) que vem ver abola conhece uma palestiniana (Lubna Azabal) com o mesmo objectivo. Uma troca de malas leva-os a conhecerem-se, uma coisa leva a outra e quando dão por eles estão debaixo dos lençóis.
Nada de novo, já conhecemos a estória e a coisa resulta bem. Contudo, na inevitável comparação com
Antes De Amanhcer,
Estranhos sai a perder. Primeiro, porque enquanto no filme de Linklater as coisas fluiam de forma natural, aqui a palestiniana é desesperada e já vem com ela fisgada. E depois porque o argumento não é sólido o suficiente, o que leva os realizadores a sentirem necessidade de darem à figura feminina o papel de narrador.
Com mais ou menos interesse, o filme lá vai em velocidade de cruzeiro, mas a meio uma das personagens desaparece. Reviravolta aqui e reviravolta ali,
Estranhos começa a cair perigosamente nos terrenos da alegoria política (Israel, Palestinia, anyone?) e a segunda metade é um panfleto político cheio de mambo jambo e acusações de um lado e de outro. Dispensável. E um Double Cheeseburger.
Posted by: dermot @
9:49 PM
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