Quinta-feira, Maio 08, 2008
SALA DE PÂNICO:Título:
Panic RoomRealizador: David Fincher
Ano: 2002

David Fincher é um realizador especial. Apesar de ter vindo directamente do mundo dos telediscos, algo que nunca agoira nada de bom, Fincher provou logo com
Alien - A Desforra que não era um cineasta qualquer e nas três tentativas seguintes conseguiu três obras-primas perfeitas. Três hole in one em três tentativas: qual é a probabilidade de isto acontecer?
Depois veio este
Sala De Pânico que é, quiçá, o pior filme de Fincher. Quer dizer, não é que seja mau. É antes o menos bom. É a chatice de nos ter habituado tão mal; agora, faça o que fizer, David Fincher terá sempre a fasquia elevadíssima e as expectativas estarão sempre no máximo.
Jodie Foster substituiu à última da hora Nicole Kidman para encarnar Meg Altman, uma recém-divorciada de um marido famoso (e rico), que se muda com a filha para um casarão enorme no centro de Manhattan. Para além de três pisos, um elevador e vários quartos, a casa tem ainda uma característica especial: uma sala de pânico, uma divisão blindada impenetrável, que vai servir que nem ginjas para as duas se esconderem durante um assalto à casa por parte de três bandidos.
David Fincher é um realizador extremamente urbano, não pela forma como filma a própria cidade, mas antes pelo modo como consegue captar o modo de vida citadino das suas personagens: o stress, a impessoabilidade e a tensão. As personagens dos filmes de Fincher são quase sempre
meninos da cidade, que se fosse para o campo iriam ficar admirados pelo leite não vir dentro de pacotes e das batatas nascerem dentro da terra.
Em
Sala De Pânico, a acção é confinada durante quase duas horas a uma casa no geral e a uma sala em particular. É o cenário mais hitchcockiano em que Fincher já se moveu e utiliza-o de forma irrepreensível, conjugando as forças verticais e horizontais com grande tensão, recorrendo várias vezes a travelling brutais (De Palma rói-te de inveja), alguns com recursos a efeitos digitais.
Sala De Pânico respira Hitchcock por todo o lado: na própria premissa da história (duas pessoas presas numa sala sem poderem sair e três outras do lado de fora sem puderem entrar), no suspense em crescendo que vai-se acumulando até explodir no final, na forma como é explorada a arquitectura da casa (lembrando
Janela Indiscreta) e até nos créditos iniciais.
Tal como em alguns filmes de Hitchcock, também
Sala De Pânico não é feito para se pensar muito. Porque senão começamos a sentir o quão ridículo é o argumento (mais ou menos o que acontece com
Intriga Internacional). Contudo, isto são precalços que se resolvem ao desligar o cérebro. Mais difícil é contornar os clichets que Fincher vai buscar para caracterizar as personagens principais: haveria algo mais conveniente do ponto de vista dramático do que uma mãe claustrofóbica e uma filha diabética presas num bunker deonde não podiam sair?
Sala De Pânico é um excelente thriller psicológico e jogo de suspense em crescendo, na tradição do que Fincher já fez de melhor. Contudo, a premissa do filme não deixava de ser limitada e, por isso, a coisa tinha prazo de validade: ou o filme ficava minúsculo, ou passava a última meia-hora a repisar as mesmas pegadas, ou tentava outra coisa no final. E foi esta última opção que Fincher escolher, transformando
Sala De Pânico num filme de acção no último terço. Os personagens trocam então de lugar e Jodie Foster veste a pele que iria aperfeiçoar
A Estranha Em Mim. E aqui
Sala De Pânico começa a soçobrar por todo o lado.
Assim,
Sala De Pânico vai sabendo às vezes a McBacon, outras vezes a McChicken...
Posted by: dermot @
9:48 AM
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