Domingo, Maio 04, 2008
[REC]:Título:
[Rec]Realizador: Jaume Balagueró & Paco Plaza
Ano: 2007

Quando em 1999 estreou
O Projecto Blair Witch, uma nova página foi virada na história do cinema. E não estou a falar das campanhas publicitárias virais, mas antes de um género de filmes muito específicos, ficções realizadas como se fossem histórias reais, filmadas na primeira pessoa e vividas ao mesmo tempo pelo espectador e pelo protagonista. Em suma, são uma variação realista dos mockumentários.
Estranhamente, a coisa não abriu um precedente como seria de esperar. E foi preciso esperar 9 anos para que voltasse a surgir um filme que fosse filmado pelo próprio protagonista. Ou pelo menos um que interessasse... E como é sabido, neste mundo da sétima arte estas coisas surgem sempre aos pares:
Impacto Profundo e
Armageddon,
Wyatt Earp e
Tombstone, ou
Vulcão e
O Cume De Dante. Por isso, eis
Nome De Código: Cloverfield e
[Rec].
Esta imodesta prosa debruça-se sobre o segundo, o filme espanhol que tem espantado meio mundo, venceu tudo e todos no Fantas deste ano e até já está a ser refeito pelos idiotas de Hollywood em mais uma americanice sem jeito. Além disso, tem sido descrito pelos fãs do terror como um "
Cloverfield mas em melhor", o que é o melhor elogio que se lhe pode fazer.
[Rec] é então um irmão bastardo de
O Projecto Blair Witch, só que aqui em vez de um grupo de jovens, temos uma jornalista, Angela (Manuela *suspiro* Velasco), e o seu operador de camera, Pablo. Os dois estão a acompanhar uma equipa de bombeiros em acção durante a noite e vão segui-los até a uma chamada de emergência, a alertar para uns gritos suspeitos num dos andares. E de repente, jornalista, bombeiros, polícia e moradores vêem-se trancados no prédio pelo governo numa quarentena misteriosa, enquanto uma velha de pijama, uma portuguesa anorética e um sem número de ameaças escondidas vão matar tudo e todos. E tudo isto enquanto o operador de câmera filma tudo, sempre calado e sempre sem ajudar ninguém. Porque "
alguém tem que filmar aquilo para que sirva de prova, como alguém refere.
Temos então um prédio sitiado, onde um grupo de pessoas vai entrar em conflito entre eles à medida que a tensão aumenta, até terminar tudo num banho de sangue, sempre filmado na primeira pessoa, com uma câmera ao ombro, por um dos personagens. Exacto: há muito
O Projecto Blair Witch, mas também há
O Cubo, remeniscências do Stephen King e... spoilers à parte, um cheirinho a Romero (
Zombie, A Maldição Dos Mortos-Vivos não é uma escolha descabida).
Pode parecer uma ideia descabida, mas o que é certo é que a coisa funciona. Quer queiramos quer não, a câmera ao ombro dá um realismo extra à coisa e acabamos sempre por entrar dentro do espírito do filme por mais preparados que estejamos. E neste ambiente, as jump scenes funcionam sempre bem. Por isso,
[Rec] dá direito a uns bons saltos na cadeira.
[Rec] é um dos bons filmes de terror da actualidade: asusta, interessa, não faz rir (pelo menos muito) e tem miudinhas sanguinárias. Além disso, faz de nós, portugueses, responsáveis pelo início do fim do Mundo. Como alguém disse num fórum algures, podemos ser os últimos em muita coisa, mas pelo menos somos os primeiros a foder os outros. Tem havido também muita gente a queixar-se do fim previsível e clichet; o problema ali é a falta de imaginação. Porque aquele final era inevitável...
Confesso que li algumas críticas ao filme que me deixaram um pouco de pé atrás, mas depois de o ver com os próprios olhos e de o poder avaliar por mim próprio, só consigo não deixar de ficar aliviado por o Fantasporto continuar a manter-se como um selo de qualidade. E entretanto aposto que o remake norte-americano não vai valer nem metade do McRoyal Deluxe.
Posted by: dermot @
2:10 PM
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