Quarta-feira, Maio 28, 2008
MUTILADOS:Título:
SeveranceRealizador: Cristopher Smith
Ano: 2006

Enquanto certos realizadores gastam rios de dinheiro em tentar que os seus filmes se assemelhem aos clássicos de série-b (sim, estou a referir-me a coisas como
Grindhouse ou mesmo
Black Snake Moan - A Redenção), existem outros - como Cristopher Smith - que quase nem precisam de se esforçar. Em
Mutilados, ainda nem sequer passaram os genéricos e já o filme é a maior xungaria que passou numa sala de cinema desde, sei lá, o último capítulo a sério da saga
Sexta-Feira 13.
Senão vejamos:
Mutilados inicia-se com duas modelos de leste e um cota a fugirem por um bosque fora, perseguidos por um psicopata armado com uma catana, ao som de uma música clássica - todos sabemos que qualquer cena, por mais forte que seja, quando colocada ao som de uma qualquer música clássica vai ganhar uma intensidade dramática brutal (
Platoon, Os Bravos Do Pelotão anyone?). Em menos de 5 minutos, as duas jovens acabam despidas a mostrar os seus atributos da forma mais gratuita possível e o infeliz senhor fica de cabeça para baixo enquanto é esventrado por um aprendiz de talhante. How cool is that?
Mutilados é a história de um grupo de trabalhadores de uma empresa de armamento que, de forma a fortalecerem o espírito de equipa, vão passar uma semana de férias com tudo pago no meio da Hungria. Obviamente, a viagem vai correr mal e os sete vão-se ver sitiados numa casa abandonada no meio de um bosque, atacados por um grupo de psicopatas que os vão torturar um a um. Temos então a habitual forma do slasher. Mas
Mutilados é antes uma comédia de terror, o que me apraz sempre saudar.
Infelizmente, para uma comédia de terror,
Mutilados é pouco equilibrado. Porque se na parte do humor é sempre menos subtil que
Shaun Of The Dead, na parte do terror há uma manifesta falta de sangue, principalmente quando comparado com o seu primo,
Morte Cerebral. Temos então uma comédia inteligente e com bons momentos, mas eu quando vou ver um slasher quero ver matança do porco. E, de preferência, de uma forma que nunc atenha visto.
O herói colectivo desta aventura é então a maior colecção de esteriótipos do género: há o chefe autoritário e pouco esperto, o empregado do contra, o tipo submisso que anda a reboque do patrão, o preto, a gaja boa que todos querem saltar para cima, a tipa de óculos amiga dos animais e o drogado, que (normalmente) serve como comic relief. Depois,
Mutilados está ainda mapeado geograficamente junto a
Hostel e, como tal, rima com terrorismo, paranóia xenófoba e obsessão armada. É que não é só por ser um fã acérrimo de Kubrick que o realizador faz referência vezes sem conta a
Dr. Estranho Amor.
Mutilados vai então pisar todos os clichets do género e vai subvertê-los de forma divertida e inteligente, nunca se levando a sério e deixando as pretensões para outros, fazendo com que as personagens tenham apenas a espessura dramática de uma sequela distante do
American Pie - A Primeira Vez. Alguns dos gimmicks utilizados podem já ter sido usados anteriormente, mas são tão óbvios que hoje em dia são já clássicos. Infelizmente, a parte sangrenta do filme não tem o mesmo nível, ora vejamos: os inimigos psicopatas são uns simples soldados, sem máscara sem nada, que dão uns tiros para o ar e pouco mais; as mortes são, tirando uma ou duas excepções, meros assassinatos com armas de fogo; e as cenas assustadoras quedam-se por um triste número de... zero!
Mutilados tem sido colocado ao lado de filmes como
Shaun Of The Dead e
Black Sheep, pela forma graciosa com que parodia os filmes de terror. Mas não ilude mais do que um Cheeseburger. Vale bem mais a pena um slasher série-b que é bom por ser tão mau, do que um slasher assumido em ser mau para ser bom. Perceberam?
Posted by: dermot @
3:00 PM
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