Domingo, Maio 25, 2008
INDIANA JONES E O REINO DA CAVEIRA DE CRISTAL:Título:
Indiana Jones And The Kingsom Of Crystal SkullRealizador: Steven Spielberg
Ano: 2008

Se há filmes que marcaram a nossa juventude, os três
Indiana Jones são, sem dúvida, alguns deles. Talvez a sua genialidade só seja comparada à da outra triologia,
Regresso Ao Futuro. Todos nós continuamos a vibrar com as aventuras de Harrison Ford pelo mundo fora sempre que os filmes são repetidos nos nossos canais durante as tardes de fim-de-semana quase regularmente e a sua personagem, Indiana Jones, criou o seu próprio espaço não só no cinema, mas na própria cultura popular - tal como a sua theme song -, tornando-se no mais famosos arqueólogo de sempre, que nem Lara Croft, em
Tomb Raider, nem Robert Langdon, em
Código Da Vinci, conseguiram destronar.
Confesso que fui para a sala de cinema com sentimentos opostos: por um lado estava radiante, por finalmente poder ir ver mais um episódio de uma série fascinante que deu azo a três filmes fantásticos. Por outro lado, não conseguia deixar de estar assustado, uma vez que as sequelas só muito raramente é que são uma coisa boa. Mas Spielber havia-nos prometido cinco filmes do Indiana Jones e eu pelo menos não o iria perdoar se não a cumprisse.
Indiana Jones é um herói bem diferente dos seus contemporâneos action heroes dos anos 80: não é um saco de músculos que despacha os maus à pancada, mas antes um tipo como nós que se desenrasca como pode, quer seja com os punhos quer seja com o seu chicote. É que a sua principal arma é a inteligência, que lhe permite embarcar em épicas aventuras históricas, por entre os mais profundos mistérios da História do Homem.
Em
Indiana Jones E O Reino Da Caveira De Cristal, a opcção recaiu sobre as misteriosas
caveiras de cristal, caveiras de quartzo executadas com uma precisão irrepreensível, atribuídas aos aztecas, mas cujas teorias mais fantásticas as atribuem aos alienígenas ou ao povo perdido da Atlântida, lenda que continua a fascinar George Lucas desde que o tema foi abordado na série
As Aventuras Do Jovem Indiana Jones.
A história é o que pouco interessa aqui. E felizmente posso dizer que esta assume a única evolução lógica que poderia seguir. Por exemplo, neste episódio os inimigos nazis são substituídos pelos soviéticos, em plena Guerra Fria (com as respectivas referências à ameaça atómica e ao comunismo) e o sidekick de Jones é, pela primeira vez, um adolescente (o seu próprio filho, um agradável Shia LaBeouf que, ao que tudo indica, irá pegar no testemunho no próximo filme), cuja primeira aparição remete para
O Selvagem, de Marlon Brando).
O problema é que o argumento é pobrezinho. Se a primeira meia-hora tem adrenalina, genica e frescura suficiente para nos deixar entretidos e felizes, com as suas auto-referências e as piadas ao facto de Harrison Ford estar velho, o resto parece um simples obra de tarefeiro, que se limita a juntar peripécias num exercício de bricolage que faz lembrar
O Tesouro: Livro Dos Segredos. O que não deixa de ser irónico constatar que
Indiana Jones E O Reino Da Caveira De Cristal está a imitar aqueles que o imitaram antes. Mas é bem feita: quem é que os manda contratarem o mesmo argumentista que nos escreveu
Speed 2: Perigo A Bordo ou
Hora De Ponta 2?
Infelizmente, há mais coisas a apontar a ese
Indiana Jones E O Reino Da Caveira De Cristal e o principal é: o uso abusivo do CGI, em situações irreais e patéticas, que fazem lembrar
Piratas Das Caraíbas (mais uma vez, o original a imitar os seus imitadores) - mas que raio é aquela cena à Tarzan e que raio são aquelas doninhas que teimam em aparecer gratuitamente como num filme da Disney? Não bastava já o final super-feliz do Spielberg? Mas será que agora todos os filmes dele têm que acabar com casamentos, crianças redimidas, céus azuis e sóis a nascerem?
No fundo, se pensarmos bem, é um sinal dos tempos e a evolução da série: os jovens de hoje em dia estão acostumados a explosões de cinco em cinco minutos para entreter o cérebro e a aventuras digitais e, por isso, certamente irão adorar este
Indiana Jones. O problema é que nós, que nos habituámos a ver duplos e efeitos mecânicos, vamos achar tudo aquilo uma banhada. Mas se há vinte anos, Spielberg e Lucas tivessem tido acesso ao CGI, se calhar tinham usado e abusado dele e nós tínhamos gostado. Mas eu prefiro recordar as pulps serie e
O Tesouro De Sierra Madre do que as tretas digitais do século XXI.
Indiana Jones E O Reino Da Caveira De Cristal é então um pouco eye candy, mas não deixa de ter também uma manifesta falta de imaginação: e nem falo do rip-off do final a
Os Salteadores Da Arca Perdida (que faz, ela própria, o seu próprio cameo). Falo da forma como é repesacada a martelo a personagem de Karen Allen, ou a pouca dinâmica da némesis feminina, a soviética espadachim Irina Spalko, numa Cate Blanchett que faz o que pode.
Mas apesar de tudo, Indiana Jones é Indiana Jones e todos o vamos querer ver e todos nos vamos divertir. Ou pelo menos vamos fazer força para nos divertir. E é por isso que, com toda a nossa força de vontade, chegamos ao fim e encomendamos um McBacon, mesmo sabendo que o filme é um McChicken. Mas agora fiquei com medo de ir rever a triologia anterior: de certeza que depois vou achar este ainda pior.
Posted by: dermot @
10:55 AM
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