Segunda-feira, Maio 19, 2008
DEATH OF A PRESIDENT:Título:
Death Of A PresidentRealizador: Gabriel Range
Ano: 2006

Death Of A President fascinou tudo e todos quando foi apresentado ao público. Afinal de contas, o presidente assassinado a que se referia o título não era, nem mais nem menos, do que o actual presidente norte-americano, o odiado George W. Bush.
Death Of A President surgia ao público como um mockumentário sobre um suposto assassinato de Bush, ao bom jeito de um Kennedy. E toda a gente ficou em pulgas, à espera do que viria dali. Porque ao fim ao cabo, o que o realizador Gabriel Range nos propunha mostrar não era mais do que o segredo secreto da maioria da população mundial.
Contudo, o filme não teve grandes críticas aquando da sua estreia. Além do mais, além de ter passado no Indie, foi mais um dos inúmeros exemplos que não chegam nunca a estrear nas nossas salas de cinema. E por tudo isto e mais alguma coisa, o hype gerado à sua volta esmoreceu e o filme acabou por cair no esquecimento de toda a gente. De toda? Não, porque um intrépito cinéfilo não deixa passar nada despercebido. Falo de mim, claro. Salvo a respectiva imodéstia.
Death Of A President é então um documentário fictício sobre o assassinato do presidente Bush americano. Tudo fictício, obviamente, recorrendo a entrevistas falsas, reconsituições, imagens de arquivo e a manipulação digital das mesmas. Assim, Gabriel Range cria um caso bem complexo e misterioso (mais uma vez, à boa maneira de
JFK; parece que os americanos gostam de matar os seus presidente de forma bem misteriosa) e explica o que sucederia caso tal cenário acontecesse, com muita paranóia, anti-muçulmanismo e a habitual trafulhice do alto estado norte-americano.
A estrutura de
Death Of A President é a de uma reportagem televisiva, por isso não esperem reconsituições dramáticas, ou o Bush a fazer coisas que nunca esperariam vê-lo a fazer (exceptuando levar dois balázios, claro). Toda a realização é muito certinha, séria e aplicada, num exercíciod e bricolage brutal, onde o baú é rebuscado até ao fundo em busca das imagens mais pertinentes dos intervenientes, manipulando discursos e situações, como a eulogia de Dick Chaney a Ronald Reagan no funeral deste que, graças à manipulação digital, se transforma na eulogia a George W. Bush.
Sem grandes golpes de asa ou rasgos de imaginação,
Death Of A President pode-se tornar aborrecido para quem estava à espera de maiores dramatizações. Contudo, não deixa de ser umt rabalho de estúdio notável, que tem como condão não embarcar pela manipulação política, o sensacionalismo gratuito, ou a manipulação ideológica. Tudo é construído com grande imparcialidade e acredito piamente que, caso alguém assassinasse Bush, a coisa acontecria mesmo assim.
Resumindo e baralhando,
Death Of A President é um notável McRoyal Deluxe e serve para tirar uma assustadora conclusão: se alguém matasse George W. Bush, seria pior a emenda que o soneto, uma vez que depois seria Dick Chaney que subiria à cadeira do poder. Pensem sempre nisto, futuros activistas anarcas com ideias extremistas.
Posted by: dermot @
6:42 PM
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