Quarta-feira, Abril 30, 2008
THRILLER - A CRUEL PICTURE:Título:
Thriller - En Grym FilmRealizador: Bo Arne Vibenius
Ano: 1974

Quando Quentin Tarantino realizou a saga
Kill Bill, durante meses recuperaram-se todos os filmes que haviam influenciado aquela história de violação e vingança. Falou-se muito de
A Noiva Estava De Luto, falou-se ainda mais de
Lady Snowblood, mas infelizmente não se falou tanto quanto se devia de
Thriller - A Cruel Picture. Até porque não existe tal coisa de falar demais acerca de
Thriller - A Cruel Picture.
Este é um daqueles filmes que é a cara de Tarantino: esquisito, desconhecido e, especialmente, doentio. E sublinhem esta última parte.
Thriller - A Cruel Picture é um obscuro filme sueco de culto de série-b, que redifine o género exploitation em pouco mais de hora e meia. Na sua Suécia natal, país tão habituado a filmes softcore e erotico-friendlys,
Thriller - A Cruel Picture foi banidíssimo e escorraçado para o desterro por uma multidão em fúria.
Para quem nunca ouviu falar, basta quase dizer que
Thriller - A Cruel Picture foi um dos filmes que inspirou fortemente a saga
Kill Bill, nomeadamente a personagem zarolha de Daryl Hannah. Aqui, a protagonista é a bela modelo Christina Lindberg, que com um bocadinho menos de sorte poderia muito bem pertencer a um filme da Teresa Villaverde - Madeleine (o nome da sua personagem) é o protótipo da coitadinha, personagem habitual dos filmes de Villaverde, a quem acontecem todas as tragédias. A saber: violada quando era pequena por um velho demente, o trauma deixou-a muda para toda a vida. Anos mais tarde, é raptada por um tipo bem parecido, Tony (Heinz Hopf), que a vicia em heroína e a transforma em escrava sexual e prostituta. E quando recusa um cliente, este arranca-lhe um olho com um bisturi, fanzendo a cena de
Um Cão Andaluz parecer uma coisa de meninos. Esta é a gota de água que faz transbordar o copo e a partir daqui, Madeleine vai canalizar todo o seu dinheiro em aulas de tiro, combate corpo a corpo e condução para se vingar de tudo e todos.
Para perceber de que tipo de filme estamos a tratar, basta explicar um pouco a sua origem:
Thriller - A Cruel Picture foi realizado anonimamente por Bo Arne Vibenius, que precisava desesperadamente de pagar umas dívidas. Decidiu então realizar o
filme de merda mais comercial de sempre. Assim, agicou a história mais cruél e sádica de sempre, levou o gore ao limite e de forma a capitalizar ao máximo o filme, abriu as portas do mercado cinematográfico norte-americano ao inserir-lhe cenas pornográficas. Sim,
Thriller - A Curel Picture é um filme porno. Mas um bom filme porno. Ou pelo menos o único filme porno com um argumento de acção.
Poderíamos ter o habitual cenário do
tão mau que se torna bom, mas
Thriller - A Cruel Picture consegue ter verdadeiras boas ideias, que apesar de não serem conseguidas fazem dele um filme especial. Na parte do mau estão as partes porno, sem qualquer pretensão artística - meras sequências pornográficas, que englobam o ramalhete todo: masturbação, sexo lésbico, ejaculação, masoquismo... -; estão as partes de acção, todas elas em super-câmara-lenta, que fazem as cenas de pancadaria parecerem uma versão ridícula de
Laranja Mecânica; e a minimalista (deve-se ler irritante) banda-sonora, que fazem as do Carpenter parecerem composições clássicas capazes de rivalizar com Beethoven.
Mas estão lá boas ideias: a bela Christina Lindberg tem muito estilo com a sua gabardine preta e uma caçadeira de canos serrados, num look
Matrix meets
Exterminador Implacável, apesar de não ter muito jeito para andar a correr e às cambalhotas. Christina Lindberg tem também um excelente guarda-roupa no que diz respeito às palas para os olhos, que Daryl Hannah copiou alarvemente em
Kill Bill; e tem o final mais sádico de sempre, que só por ele valia um remake em condições.
Thriller - A Cruel Picture é um mau filme, mas não deixa de ser interessante por vários motivos. Assim, o Double Cheeseburger não o deixa ser bom nem mau. Antes pelo contrário.
Posted by: dermot @
6:40 PM
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