Domingo, Abril 20, 2008
O HOMEM QUE SABIA DEMASIADO:Título:
The Man Who Knew Too MuchRealizador: Alfred Hitchcock
Ano: 1934

Um dos meus sonhos menos secretos é que um dia possa sentar-me no sofá, sem nenhuma preocupação e passar uma semana inteira a ver, por ordem cronológica, toda a extensa obra do mestre Hitchcock. Enquanto isso não é possível, vou aproveitando o tempo livre para ir vendo uns títulos salteados, sem nenhuma ordem em especial. O escolhido de hoje foi a versão inicial de
O Homem Que Sabia Demasiado.
Filmado em 1934,
O Homem Que Sabia Demasiado insere-se no início da fase britânica de Hitchcock que, como é sabido, ao mudar-se para os Estados Unidos referiu várias vezes a intenção de refazer os seus filmes britânicos, que considerava terem sido feitos "por um amador". Mas o que é certo é que apenas este título teve direito a remake -
O Homem Que Sabia Demais.
O Homem Que Sabia Demasiado é um thriller político, com resquícios de
Intriga Internacional, mas estruturado algo livremente segundo a forma do whodunnit britânico. E tal como em
Intriga Internacional, também este acaba por ser um filme para se ver com o cérebro desligado, uma vez que se pensarmos demasiado nele existem coisas que começam a soar demasiado ridículos, de tão ingénuas que são.
Esta é a história de um casal da alta roda britânica (Leslie Banks e Edna Best), que após ficarem, sem querer, ao encargo de informação determinante acerca dos planos para assassinar um líder de estado estrangeiro, vão ser chantageados por um criminoso (magistral Peter Lorre) que lhes rapta a filha (Nova Pilbeam) a troco do seu silêncio.
Tecnicamente,
O Homem Que Sabia Demasiado não deixa de ter as suas lacunas, especialmente devido a um baixo orçamento: planos queimados, enquadramentos quase falhados e uma edição que nem sempre resulta em efeitos de suspense. Contudo, formalmente,
O Homem Que Sabia Demasiado tem algumas das cenas mais inesquecíveis da filmografia do mestre Hitchcock: a maior batalha de cadeiras de sempre, um inesquecível ataque a um dentista e, especialmente, uma cena final em plena ópera, que foi a inspiração central de Scorcese em
Key To Reserva. A terminar,
O Homem Que Sabia Demasiado é ainda um filme demasiado cruél para o seu tempo (e isto é um elogio), que regressa ao faroeste para terminar num tiroteio de proporções gigantescas que ninguém esperaria.
Além disso, não nos podemos esquecer que Peter Lorre é sempre uma benção em qualquer filme que entre.
O Homem Que Sabia Demasiado foi, inclusive, o seu primeiro filme em inglês, língua que acabou por decorar foneticamente, uma vez que ainda não a dominava há data. E mesmo assim, dá-nos uma actiação orrepreensível, com os seus olhos psicóticos e o seu ar natural de quem está prestes a torturar-nos.
O Homem Que Sabia Demasiado poderá não ser tão bom quanto o seu remake, mas vale à vontade o McBacon.
Posted by: dermot @
10:51 AM
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