Quinta-feira, Abril 24, 2008
JANELA INDISCRETA:Título:
Rear WindowRealizador: Jeff Bleckner
Ano: 1998

Em 1995, uma notícia chocou o Mundo: o Super-Homem havia sido derrotado. Um acidente equestre derrubarara Cristopher Reeve e danificara-lhe permanentemente a coluna. Em poucos segundos, o homem que haveria de ficar para sempre ligado à personagem do homem de aço tornara-se paraplégico.
Felizmente, Reeve era um tipo determinado e corajoso e nunca se resignou, mantendo-se activamente empenhado em ajudar os deficientes motores e acreditando ser possível atingir importantes avanços tecnológicos que lhe permitissem voltar a andar. A par disso também conseguiu manter uma participação mais ou menos regular na sétima arte, em vários cargos.
Até que em 1998 alguém teve uma ideia genial. Qual a melhor forma de pôr Cristopher Reeve novamente a estrelar num filme ao mesmo tempo que se mantém empenhado na luta pela igualdade dos defecientes motores, do que fazer um remake de
Janela Indiscreta, o clássico de Hitchcock onde um tipo numa cadeira de rodas observa um crime da janela da sua casa e torná-lo
deficientefriendly?
Infelizmente, o único formato conseguido foi o televisivo e para o realizar foi chamado um tarefeiro dos telefilmes chamado Jeff Bleckner. Para compensar a coisa, complementou-se o casting com dois nomes bem conhecidos dos espectadores: Robert Forster, que havia sido recentemente reabilitado em
Jackie Brown; e Daryl Hannah, antiga actriz promotora e actual raínha do série-b.
Adaptou-se então a estória aos tempos recentes: Jason Kemp (Christopher Reeve) é um arquitecto bem sucedido que fica paraplégico após um acidente de viação. Contudo, não se deixa abater e com um upgrade hi-tech na sua casa, consegue adaptar o seu novo estilo de vida à sua profissão, emparelhando-se com a bela Claudia Henderson (Daryl Hannah), importante para dar um toque romântico ao filme e compensar qualquer tensão homossexual fortuita com o enfermeiro rastafari, Antonio (Ruben Santiago-Hudson). Mas, paralelo a tudo isto, Jason vai começar a observar a vida dos seus vizinhos, apanhando um homicídio que vai tentar denunciar para que no fim a mensagem moral do filme seja
não se esqueçam que apesar de todas as contrariedades os defecientes motores são capazes de fazer as mesmas coisas que os demais.
Uma vez vi um filme com amputados shaolins. Um deles não tinha pernas e, antes de surgir a parte em que o mau lhe queimava as pernas com ácido, todas as cenas em que ele aparecia estava sentado. Aqui, é mais ou menos a mesma coisa: como quando o filme começa a personagem de Reeve ainda não está paraplégica, introduz-se uma personagem feminina irresponsável que vai embater de frente com o carro dele. Temos então a personagem secundária mais efémera de sempre: 2 minutos e 2 falas. E todas elas dispensáveis. Veredicto? Muito má escrita de argumento.
Mas
Janela Indiscreta até não é um mau remake do original. É certo que é uma adaptação (muito) pobrezinha na parte argumentantiva - por exemplo, enquanto que Hitchcock cria um verdadeiro microcosmos nas janelas vizinhas à do protagonista, aqui só existem dois vizinhos para além do escultor homicida: dois gays que estão sempre a dar festas e um casal que está sempre a ter sexo -, mas nota-se que a principal preocupação deste filme foi tornar o público mais consciente para o problema dos deficientes motores. E neste ponto o upgrade foi bem conseguido.
È certo que há pouco suspense e pouco génio cinematográfico, mas
Janela Indiscreta não é um mau filme para as insónias na TVI. O problema é que se já viu o original, então o Cheeseburger vai-lhe saber a menos.
Posted by: dermot @
2:25 PM
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