Quarta-feira, Abril 23, 2008
EU SOU A LENDA:Título:
I Am LegendRealizador: Francis Lawrence
Ano: 2007

Richard Matheson é um dos mais ilustres escritores da ficção-científica fantástica de todo o sempre. A sua obra tem dado, ao longo dos anos, azo a alguns grandes filmes do género, de
O Sentenciado a
Um Assassino Pelas Costas, mas é o romance
Eu Sou A Lenda que mais tem fascinado os cineastas: primeiro foi
Mortos Que Matam, em 1964, com Vincent Price (vénias) no papel principal; depois, foi
O Ultimo Homem Na Terra, em 1971, com Charlton Heston (vénia) como protagonista; e agora, em 2005, eis o oportuno
Eu Sou A Lenda, com todo o embrulho blockbuster e Will Smith a estrelar.
Em
Eu Sou A Lenda, somos transportados para uma Nova Iorque do futuro, onde um virús geneticamente alterado trasnformou toda a população mundial em zombies, deixando no mundo um único sobrevivente: Robert Neville (Will Smith). Este é o cenário mais pós-apocalíptico de todos. Porque se noutras distopias, como em
Mad Max 2 - O Guerreiro Da Estrada por exemplo, as coisas não são famosas, mas é segundo as regras da sobrevivência do mais apto, aqui a coisa é bem mais responsável, pois aquele é o último Homem vivo e todo o futuro da humanidade depende dele. E só há dois caminhos a seguir: ou acha uma cura para aquele vírus ou então que apague a luz quando se for deitar.
Esta é uma premissa fantástica. Aliás, esta é uma daquelas premissas que vale o próprio filme, mesmo sem ter qualquer argumento. E muitas vezes esse é o problema: os estúdios vendem-nos filmes com uma boa ideia, mas que não têm conteúdo nenhum. Pensam eles que para nós é suficinte para nos entreter durante hora e meia. Uma notícia: não, não é. E estar a ver encher chouriços não é o meu ideal de entretenimento. Contudo, em
Eu Sou A Lenda não há esse perigo; porque já conhecemos o livro e já sabemos como tudo acaba. Para quem não conhece, apenas dois avisos: vale bem a pena saber como acaba e há uma espécie de twist final. Nada muito surpreendente à la Shyalaman. É mais James Cameron e
Exterminador Implacável.
Se em
28 Dias Depois já tínhamos ficado sem fôlego ao ver alguns planos fugidios das ruas de Londres sem ninguém, então em
Eu Sou A Lenda, em que a Quinta Avenida foi evacuada de propósito para as filmagens, os grandes planos são chocantes: ver aquele cenário que estamos habituados a ver apinhados de gente completamente deserto, com ervas daninhas a crescer por todo o lado e animais selvagens a cruzarem o campo de visão não só é o melhor cenários pós-apocalíptico de sempre, como é um dos melhores momentos da ficção-científica deste século.
Depois, durante uma hora, acompanhamos com grande interesse e suspense, Will Smith a sobreviver sozinho em Nova Iorque (sozinho não, porque tem a companhia da sua cadela), numa espécie de
O Náufrago versão urbana. A coisa é bem gira, mas flashbacks dramáticos que metem uma família chorosa pelo meio e várias referências à boa onda do Bob Marley, fazem-nos pressagiar que mais cedo ou mais tarde vai surgir qualquer lamechiche para estragar tudo.
Afinal, o que surge são os tais zombies. E m-e-u-d-e-u-s! Que coisa medonha. De repente, num filme que estava a ser bem agradável, ficamos com vontade de apagar a televisão e destruir o DVD. Não só o nosso, mas todas as cópias existentes no Mundo, para evitar que mais gente seja flagelada. Em vez de mortos-vivos, monstros mutantes, ou indivíduos em qualquer estado de decomposição, o que temos é um exército de homenzinhos em CGI, todos iguais(?) e mais atléticos que o Obikwelu. Eu confesso que esfreguei os meus olhos vezes sem conta porque não acreditava no que estava a ver. Mau demais! E de repente, deixamos de ter
Eu Sou A Lenda e passamos a
Doom 7 - Acabem com o Will Smith.
A vontade de ver o resto do filme passou-se-me rapidamente. Aquilo que poderia ser um
28 Dias Depois meets
Vampiros, perdeu de repente todo o interesse. Felizmente, a coisa acaba logo a seguir, antes que aquilo possa bater no fundo. E cheguei ao fim a pensar como é bom ser americano e ser burro e poder fazer em 2008 um filme, utilizando o Bob Marley como se fosse uma coisa fresca e original. Viva os McBacons descartáveis.
Posted by: dermot @
5:55 PM
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