Terça-feira, Abril 01, 2008
THE DARJEELING LIMITED:Título:
The Darjeeling LimitedRealizador: Wes Anderson
Ano: 2007

Em apenas uma década, Wes Anderson já estabeleceu o seu próprio espaço dentro da sétima arte, com uma espécie de cinema independente com um parafuso a menos. Se tivesse um apelido menos usual, certamente que o seu nome já se tinha convertido em adjectivo, usado sempre que alguém quisesse classificar filmes desmiolados. E todos sabemos o quão importante somos quando o nosso apelido se transforma em adjectivo. Fellini, Masoch, Maquiavel...
The Darjeeling Limited (confesso que senti falta do habitual subtítulo ridículo em português) segue a linha de trabalho de Anderson e não desilude. Aqui, é pura e simplesmente um road-movie de três irmãos, Francis (Owen Wilson), Peter (Adrien Brody) e Jack Whitman (Jason Schwartzman), que partem numa viagem física e espiritual numa espécie de inter-rail pela Índia, com tudo o que isto comporta pelo meio.
Tematicamente, estão lá todos os elementos da filmografia de Anderson: a família (super)disfuncional (estes Whitman podiam ser uns primos próximos dos
Tenembaums), as personagens alucinadas e cartunescas e a redenção interior destes. Mas é formal e estilisticamente que Anderson se supera: uma mise-en-scene kitsch e bacoca, os enquadramentos planeados ao pormenor, a geometria e a simetria dos enquadramentos.
Em
The Darjeeling Limited tudo é planeado ao mais ínfimo pormenor: o posicionamento das personagens, o tempo em que entram no plano, os acessórios dispostos, as cores das roupas... Todos estes elementos têm o seu lugar previamente marcado no filme e funcionam como um relógio suiço, filmados como ninguém por Anderson, com uma câmara que gira sobre si própria em movimentos marciais e nunca acompanhado o fluir natural das personagens - uma imagem de marca do realizador e que lhe fica tão bem.
Wes Anderson é uma espécie de Tarantino meets Godard: do primeiro, encontramos a sua capacidade de repescar elementos do cinema de segunda categoria e transformá-los seus (genial a reciclagem dos zooms dos filmes de artes-marciais dos anos 70, da música dos filmes indianos de Satyajit Ray, ou a própria reinvenção do road-movie); e do segundo, identificamos uma habilidade semelhante em inovar e homenagear, com opções que, teoricamente, seriam más ideiais.
The Darjeeling Limited pode não ser o filme mais rico (narrativamente falando) do realizador, mas é o mais estimulante visualmente, pelo seu carácter exótico. E esta propriedade é, felizmente, esmifrada até à última, com pormenores fantásticos que acompanham a estória até ao final, acabando por ocupar, simbolicamente, um lugar determinante no desenvolvimento dramático do filme.
Humor absurdo e, por vezes, non-sense, um cameo especial de Bill Murray (espécie de símbolo máximo deste cinema subversivo), os Rolling Stones numa exemplar banda-sonora (um hábito nos trabalhos de Wes Anderson) e uma curta-metragem em formato história complementar a abrir o filme que, apesar de fazer tanto sentido quanto um frigorífico no Pólo Norte, vale por ter a Natalie Portman como veio ao Mundo. Só por isto já valia o Le Big Mac.
Posted by: dermot @
11:01 PM
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