Terça-feira, Março 11, 2008
NO VALE DE ELAH:Título:
In The Valley Of ElahRealizador: Paul Haggis
Ano: 2007

Depois de passar a década de 90 a fazer filmes-pipoca e umas banhadas mais ou menos interessantes, Tommy Lee Jones parece ter apostado em tornar-se no novo actor que-sempre-esteve-aqui-mas-que-só-agora-é-que-o-pessoal-começou-a-reparar-nele-como-deve-ser, aparecendo ultimamente em tudo o que é filme jeitoso. Daqui a uns tempos, Tommy Lee Jones tornar-se-á muito provavelmente no melhor actor de sempre a fazer de Tommy Lee Jones (mais ao menos o que aconteceu recentemente a Bill Murray, por exemplo), com aquela sua cara esculpida a cinzel e martelo e queimada pelo sol do Texas.
No Vale De Elah é apenas mais um dos filmes nessa sua caminhada, assinado por Paul Haggis, o novo menino bonito de Hollywood. Depois de anos a escrever episódios do
Walker, O Ranger Do Texas e outras séries manhosas, Haggis transformou-se num dos últimos representantes dessa nobre raça em vias de extinção que são os argumentistas, graças a um humanismo acima da média, cristalizado em
Million Dollar Baby - Sonhos Vencidos e no sobrevalorizado
Colisão.
Filme anti-guerra,
No Vale De Elah é um filme-mistério que acompanha a jornada de Hank Deerfield (Tommy Lee Jones) em busca do filho, um soldado que desapareceu do quartel pouco depois de ter voltado do Iraque. Hank é um homem austero, cuja palavra desculpa não consta no seu dicionário, cristão de bons costumes que dá as graças religiosamente antes de cada refeição e homem aprumado com a barba impecavelmente feita todas as manhãs. No fundo é um patriota e um produto perfeito do sonho americano. E o seu filho é um estilhaço desse sonho, desfeito por uma guerra inútil que não era a dele, num país distante, longe dos seus. Parecem dois mundos à parte, mas têm mais a ver do que parecem à primeira vista.
No Vale De Elah é um filme algo minimalista, de um humanismo cru e um realismo desposado, que faz com que Paul Haggis liberte a trama dos acessórios mais ínfimos. Tommy Lee Jones imita-o à lupa, com aquele seu underacting perfeito, de quem representa com os olhos enquanto tem as entranhas em reboliço. Contudo, toda a gente sabe que, tal como as raparigas magras e giras, faz sempre falta alguma chicha para dar alguma formusura. E com tanta dissecação,
No Vale De Elah assemelha-se a um filme anoréctico. E tal como com uma tipa anoréctica, ainda nos arriscamos a aleijar num osso mais saliente.
No fundo no fundo, o filme é um gato escondido com o gato de fora, uma vez que procura ser um grito de ajuda dos veteranos da guerra, alertando-nos para os efeitos nefastos de um confronto bélico daqueles, mas fá-lo de forma tão baixinha que acaba por passar despercebido.
No Vale De Elah é um filme que peca por demasiada contenção, faltando-lhe um pouco mais de condimento para que não seja uma simples notícia de rodapé de jornal expandida a duas horas. Precisava de comer mais uns McChickens e engordar uns quilitos.
Posted by: dermot @
11:57 PM
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