Domingo, Março 23, 2008
HELLBOY:Título:
HellboyRealizador: Guillermo Del Toro
Ano: 2004

Se o cinema fantástico recebesse mais atenção por parte da crítica "séria", o estatuto de Guillermo Del Toro já seria, certamente, bem mais elevado. Del Toro é, juntamente com Sam Raimi, o melhor realizador deste género, que sabe conjugar na perfeição entretenimento, discrição e fantasia: consegue entreter sem se deslumbrar com a masturbação digital e, não se limitando às regras da cartiha da realização, consegue fazer um cinema de grande nível técnico e estético, sem entrar em pretensões artísticas que façam o espectador desviar as atenções do que está a ver.
Foi com
Blade 2 que Del Toro entrou em Hollywood. E depois da reabilitação que conseguiu fazer do caçador de vampiros (que à partida afigurava-se como uma tarefa muito difícil, tendo em conta o primeiro filme da série), os estúdios deram-lhe carta verde para fazer o filme que fizesse. E Del Toro escolheu
Hellboy, o herói demoníaco da banda-desenhada, que foi resgatado do Inferno pelos nazis e que se aliou ao FBI na captura de outros monstros.
No fundo,
Hellboy insere-se que nem uma luva na matriz do cinema de Del Toro. A sua filmografia assenta em histórias de monstros, mas em que estes ocupam o lugar dos bons na balança dramática da narrativa, relegando os humanos para o verdadeiro papéis de monstros. Na verdade, Hellboy não é mais do que um inadaptado, um demónio que queria viver como uma pessoa normal - sair à rua, ter uma namorada... -, mas cuja pele vermelha, dois cornos na testa e uma mão de pedra tornam difícil. É mais ou menos como o Coisa, do
Quarteto Fantástico.
Hellboy é a primeira aventura do demónio caçador de monstros e como tal começa por introduzir e apresentar as personagens principais: o seu tutor, o professor Trevor Broom (John Hurt), o seu amigo anfíbio, Abe Sapien (Doug Jones), a sua amada incineradora, Liz Sherman (Selma Blair) e aquele a quem o professor Broom vai passar o testemunho, John Myers (Rupert Evans). Depois, o filme embarca numa aventura com tons épicos e muita fantasia, mas que não deixa de ter os pés bem assentes na terra, onde Rasputin (Karel Roden) - sim, esse mesmo, o conselheiro dos Romanov - regressa do além para resgatar os sete demónios do caos do limbo e trazer o armagedão à Terra.
Interpretado superiormente por Ron Perlman, Hellboy é um anti-herói insolente e imprudente, um Charles Bronson meets Bruce Willis, espirituoso e sempre com uma tirada na ponta da língua, que fuma charutos e ouve rock'n'roll. O estilo é sempre uma componente importante na composição dum super-herói e Hellboy tem-no aos quilos.
É certo que o final é algo morno, tendo em conta que contamos sempre que o vilão principal dê mais luta, mas
Hellboy não deixa de ser uma das melhores adaptações de super-héróis da banda-desenhada e um grande filme de acção deste novo milénio. E a junção de Del Toro e
Hellboy só me deixa a salivar pela sequela, enquanto me delicio com um Le Big Mac.
Posted by: dermot @
11:58 PM
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