Segunda-feira, Março 17, 2008
HAVERÁ SANGUE:Título:
There Will Be BloodRealizador: Paul Thomas Anderson
Ano: 2007

Foi com
Magnólia, em 1999, que Paul Thomas Anderson assumiu definitivamente o estatuto oficial de jovem prodígio. Quanto ao estatuto de sucessor de Robert Altman, este só foi consolidado quando, em 2006, foi contratado para acompanhar as filmagens de
A Prairie Home Companion - Bastidores Da Rádio, não fosse o mestre Altman não aguentar até ao final.
Haverá Sangue, um dos já grandes filmes de 2008, será provavelmente o filme mais pessoal da carreira de Paul Thomas Anderson, aquele em que mais se nota o seu cunho pessoal, principalmente por não se assemelhar a nenhum dos seus anteriores trabalhos.
There Will Be Blood relembra antes os épicos de Hollywood dos anos 50/60, as epopeias familiares que depois degenerariam nas soap operas e no
Dallas. Relembra
O Mundo A Seus Pés, claro, e, por alguma razão que ainda não consegui perceber qual, relembra
O Tesouro De Sierra Madre.
Aqui, em vez de Charles Foster Kane, temos Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis), um empresário de sucesso no ramo do petróleo, nos Estados Unidos do princípio do século passado. Daniel é um homem duro, obstinado, competitivo e sem escrúpulos, que não olha a meios para atingir os seus fins (na maior parte das vezes (sempre?) são económicos), mesmo que isso exija sacrificar a família. E durante duas horas vamos acompanhar a ascensão desse homem que tem uma pedra no lugar do coração.
Não existe aqui o filme-mosaico habitual de Anderson, mas existe no final um salto temporal maior que a própria perna. Parece que o realizador se distraiu a filmar durante hora e meia um curto período da vida de Daniel Plainview e quando se deu conta, teve que filmar o resto da sua vida em 15 minutos. Contudo, o filme é tão sólido e interessante, que absorvemos o impacto desse erro sem vacilarmos.
Haverá Sangue tem dois apetrechos soberbos: a cinematgorafia, que capta de braços abertos o calor e a luz do sol tórrido do Texas e o vento cortante e as trevas da noite sem eletricidade do deserto; e a prestação de Daniel Day-Lewis, um mito vivo do cinema e um dos melhores actores vivos. Daniel Day-Lewis presenteia-nos com mais uma personagem inesquecível, no seguimento de
O Meu Pé Esquerdo ou
Gangues De Nova Iorque, numa interpretação contida e ao mesmo tempo intensa. Não é por acaso que Daniel Day-Lewis só faz filmes de tempos a tempos; o seu método de trabalho é tão exigente que deve deixar qualquer um esgotado.
Além disso, existem uma série de apetrechos secundários de grande nível, como o jovem Paul Dano, no papel de um fanático religioso, que bem merecia uma nomeação ao Oscar de actor secundário, ou a banda-sonora perfeita de Jonny Greenwood, a lembrar o melhor de Michael Nyman.
O argumento de
Haverá Sangue não é assim tão bom quanto queríamos que fosse. Mas a interpretação de daniel Day-Lewis e a realização de Paul Thomas Anderson são tão sólidas, que o filme merece mesmo o Le Big Mac.
Posted by: dermot @
1:00 AM
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