Quarta-feira, Março 26, 2008
DRÁCULA 2001:Título:
Dracula 2000Realizador: Patrick Lussier
Ano: 2000

Existem alturas em que me apetece, pura e simplesmente, ver um mau filme. Ocasiões em que me sento no sofá, desligo o cérebro, desprezo os dvds do Kubrick, do Scorcese e do Kurosawa e escolho, muito naturalmente, um mau filme. Normalmente, esses filmes começam com o logotipo da Cannon ou têm o nome de Wes Cravem algures no genérico. É neste segundo caso que se insere
Drácula 2001, o título que escolhi carinhosamente para ilustrar este meu serão de maus filmes.
No fundo,
Drácula 20001 não é um mau filme. Antes pelo contrário, até é um muito respeitável filme de vampiros. O problema é que é complicado fazer filmes de vampiros bons e originais, uma vez que não dá para fugir ao esquema
tipo assustador sai de um caixão, tipo assustador mata gente aleatoriamente (principalmente tipas com decotes valentes), tipo bem parecido tenta matar tipo assustador antes que este mate mais gente.
Drácula 2001, como o título indica (
Dracula 2000 no original), é uma variação contemporânea do Drácula, aproveitando o número cabalista do ano. O título é genial e está ao nível de um
Snakes On A Plane: como é possível resistir a um filme chamado
Drácula 2001? Reza a história que o argumentista Scott Derrickson recebeu um telefonema do produtor Harvey Weinstein, que lhe disse
acabei de comprar um guião chamado Drácula 2001. Ai sim? E é bom? Não, é merdoso. Então porque é que o compraste? Porque se chama Drácula 2001.
Estamos então no ano 2000: o caçador de vampiros Van Helsing (Christopher Plummer) continua vivo, incognitamente, como um importante antiquário, guardando no seu cofre forte um misterioso caixão de prata. Mas um bando de ladrões (liderados pelo doutor Foreman, que todos conhecem do
House) vai assaltar-lhe a casa, acabando por libertar a mais perigosa ameaça de todas: Drácula, interpretado por um Gerard Butler com um forte capacete de cabelo e uma bronquite na voz. A partir daí é o costume: o vampiro-mestre a morder pessoas a torto e a direito e o sucessor de Van Helsing atrás dele. A novidade? Existir uma filha predestinada, que vai ter que salvar o dia.
Drácula 2001 é um filme algo estranho, que se assemelha às fracas produções europeias de baixo custo. Contudo, nem é europeu nem baixo custo. Depois, para além de ser realizado por um desconhecido, não deixa de contar com um elenco com caras mais ou menos conhecidas, especialmente da televisão. Patrick Lussier, o realizador, mostra também que percebe do assunto, com várias referências aos filmes anteriores do Drácula (existe, inclusive, uma citação directa a Bela Lugosi). E consegue momentos superiores apenas com recurso a bombas de fumo, espelhos e a câmara deitada.
O problema é que depois, a encher os buracos, existe uma mão cheia de chouriçadas amadoras, dignas do mais reles filmes de segunda categoria. O que até é de louvar num filme de vampiros, se
Drácula 2001 não se levasse tão a sério. Assim, perante uma pose tão altiva, é impossível ficar a indiferente a sanguessugas saltitonas que se pegam às pálpebras, ou raparigas perseguidas que ao entrarem num quarto em busca dum invasor, pousam o taco de basebol para desligarem calmamente o telefone.
Mas o que faz de
Drácula 2001 um bom filme de vampiros acaba por ser a sua ponta de originalidade. Sim,
Drácula 2001 consegue fazer um brilharete neste aspecto, ao criar uma narrativa que cruza o mito do Drácula com a história religiosa cristã. E, supresa das surpresas, a coisa resulta. Mesmo com o final super-épico, em modo tearjerker.
O filme do Drácula já foi feito vezes sem conta, por isso não vale a pena estar acontar a mesma história todas as décadas. Há que tentar soluções novas, mesmo que estas sejam coisas arriscadas como o
Blácula. É certo que nem todos os filmes de vampiros são um
Entrevista Com O Vampiro, mas
Drácula 2001 é capaz de ser o melhor filme de vampiros deste milénio. E só para chatear algumas pessoas, sou homem para dizer que sabe a um McBacon.
Posted by: dermot @
10:59 AM
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