Sábado, Março 29, 2008
BLACK SHEEP:Título:
Black SheepRealizador: Jonathan King
Ano: 2006

Existem conceitos que valem por si só o próprio filme. Quem é que ainda não ouviu falar de
Machine Girl (clicar no título para ver a maravilhosa trailer), o filme sobre uma colegial japonesa ao serviço da yakuza com uma metralhadora em vez de braço, e não ficou com uma vontade irresistível de o ir ver? Ou de
Zombie Strippers (o título dá direito, mais uma vez, ao irresistível trailer), o filme com strippers zombies(!) com o mítico Robert Englund e a talentosa Jenna Jameson, que toda a gente quer ver? Podem ambos vir a ser um belo pedaço de lixo, mas certamente que estaremos lá todos na primeira fila logo no dia de estreia (eu pelo menos estarei).
Black Sheep foi um desses filmes, cujo conceito surgiu primeiro e só depois a história. E se tem andado a viver dentro de um buraco e nunca ouviu falar deste título, então deixe-me esclarece-lo do que se trata: ovelhas mutantes! Exacto: ovelhas. E geneticamente alteradas. Bastou esta sinopse para o transformar automaticamente em filme de culto. Depois veio o resto.
O conceito era ainda melhor porque permitia ser alargado a mais dois pormenores: o de ser um filme neo-zelandês, país com forte tradição na criação de ovelhas (mais ou menos como os Açores e as vacas (para quando um filme português com vacas zombies no Pico?)); e o de permitir fazer o trocadilho com a célebre expressão da
ovelha negra, ou não fosse o drama familiar o mote de todo o filme.
Muito resumidamente, apenas para situar o leitor,
Black Sheep passa-se numa enorme fazenda neo-zelandeza no meio de nenhures, onde dois irmãos com forte tradição na criação de ovelhas tentam resolver divergências passadas. Qual dos dois é a ovelha negra? Não digo, mas adianto que o mais velho (Peter Feeney) pratica experiências genéticas secretas nos pobres bichinhos e o mais novo (Nathan Meister) tem uma fobia de infância com os mesmos.
Com uma premissa destas,
Black Sheep não poderia ser outra coisa senão um flick de terror-comédia, descendente directo de
Morte Cerebral. Aliás, é indisfarçável a influência de Peter Jackson - aliás, a ovelha mutante que despoleta todo o filme é assustadoramente semelhante ao macaco-rato da Sumatra deste último -, assim como de outros títulos incontornáveis do género, como a triologia
Evil Dead ou os zombie movies de Romero. O estranho é que
Black Sheep parece levar-se demasiado a sério. Não sabemos se o humor neo-zelandês é mesmo assim (se não conhecermos o humor britânico provavelmente não compreenderemos o
Shaun Of The Dead), mas tendo o absurdo
Amor E Vacas como ponto de comparação, não me parece que seja.
Black Sheep só poderia ser um de três filmes: ou uma diversão gore ao estilo matança do porco; um filme de zombies/monstros; ou uma comédia subversiva, do género
Shaun Of The Dead, que misturasse ambos. O primeiro não é de certeza, porque não há sangue o suficiente, apenas uns relampejos que nunca duram mais do que segundos. O segundo também não deve ser, porque apesar de haverem ovelhas mutantes e monstros gigantes, nunca lhes é prestada muita atenção. Por isso, mesmo que não pareça só pode ser o terceiro. Mas, infelizmente, a único coisa com paida (salvo as paranóias new-age de uma activista hippie (Danielle Mason) que por lá anda), é a própria premissa do filme.
Num filme série-b como este não pedimos grandes argumentos, apenas imaginação que não nos deixe cair no aborrecimento gratuito. E
Black Sheep não consegue libertar-se desse espartilho, acabando apenas por ter um par de ideias engraçadas e andando às voltas consigo próprio no resto do tempo.
Black Sheep é um divertimento inóquo (até porque tem, apenas, hora e vinte de duração), que não magoa ninguém. Mas se não fossem as ovelhas mutantes, ninguém se iria lembrar dele para o ano. Por isso, o McChicken também vale em muito por esse genial conceito.
Posted by: dermot @
7:27 PM
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